sexta-feira, 3 de junho de 2011

Mudanças climáticas e medidas adaptativas

Resumo da apresentação de Adriano Batista Dias a ser feita como parte das atividades alusivas ao Dia Mundial da Ecologia e do Meio Ambiente na Fundação Joaquim Nabuco sala Calouste Gulbenkian – Casa Forte, Recife – Pernambuco, às 14h30 do dia 9 de junho deste 2011.

1. Temperatura aumentando, clima mudando
A temperatura média na superfície tem aumentado cerca de 0,2 oC por década nas últimas quatro. Os climatologistas explicam que o aumento da temperatura atmosférica (que acompanha o aumento da temperatura da superfície) produz aumento da evaporação e consequente precipitação; aumenta a concentração das precipitações com o aumento da temperatura; aumenta a frequência e intensidade de eventos atmosféricos extremos.

2. Clima mudando, natureza mudando
A mudança do clima induz mudança na natureza viva. Espécies vão se relocando, na procura das condições mais próximas daquelas para as quais foram desenvolvidas; vão se adequando por transformações darwinianas. Quando as mudanças ultrapassam os limites do tolerável há extinção de espécies. A produção agropecuária pode produtividade aumentada em algumas regiões hoje mais frias e ter reduzida sua produtividade, com intensidades de perdas diferentes em diferentes regiões já mais quentes. A elevação do risco associada à redução da produtividade pode extinguir atividades, reduzindo as terras agricultáveis.

3. Não à preocupação: é coisa para milênios à frente
É incrivelmente alto o percentual de pessoas, mesmo dos grupos formadoras de opinião, que acreditam não devem se preocupar nem um pouco com efeitos do Aquecimento Global pois é coisa para milênios à frente. Confundem os efeitos mais drásticos que afetariam radicalmente toda a Terra, reduzindo fortemente sua população com efeitos fortes sobre países e regiões. E confundem décadas com milênios. Os efeitos para as próximas décadas estão sendo estudados da melhor forma disponível. São modelos que consideram a atmosfera repartida em cubos de 25 km ou até de 10 km de lado. Mesmo assim, há muitas variáveis ainda não dominadas, entre elas a importante questão da formação e do inteiro papel das nuvens. Cada modelo produz uma predição. O fato é que estamos diante de uma situação nova, para a qual não podemos calcular probabilidades. Estamos, então, diante do pleno reino da incerteza.

4. Não à preocupação: ação hoje face a um fenômeno presente
Em vez de milênios à frente há efeitos já em curso e mais previsíveis para uma ou poucas décadas adiante. Há medidas de adaptação a serem tomadas já no momento atual bem como há decisões relativas a medidas de adaptação ainda mais importantes, que devem ser tomadas hoje para que possam as medidas ser aplicadas uma ou mais décadas adiante.

5. Diversidade e abrangência de medidas
As medidas de adaptação compreendem um vasto conjunto. Parte delas são conjuntamente medidas de mitigação. Plantar uma árvore é sempre uma medida de mitigação, pois em seu crescimento vai absorver dióxido de carbono, retirando-o da atmosfera. Pode ser, também, uma medida de adaptação se sua sombra for usada para reduzir a temperatura para animais, neles incluidos os homens, ou até vegetais. Tornar um indivíduo humano mais resistente a agentes patógenos é uma medida de adaptação ao Aquecimento Global, visto que tende o ambiente a se tornar mais agressivo e o ser humano mais debilitado por causa deste fenômeno. Ora andar de bicicleta aumenta a resistência imunológica humana, fazendo com que esta medida de mitigação, plantar árvores, redutora de emissões de dióxido de carbono pelo não uso de motores de combustão, e absorvedora de dióxido de carbono, seja também uma medida de adaptação. Ciclovias, portanto, são medidas conjuntamente de mitigação e de adaptação. Parte das medidas de mitigação tem efeito negativo na adaptação: veja um cultivar de uma cultura que aumente a taxa de absorção de dióxido de carbono às custas de se tornar menos resistente ao calor. A capacidade do novo cultivar de contribuir como mitigador, representa uma maior falta de adaptação ao Aquecimento Global.

6. A relativa especificidade regional das medidas
A diversidade de medidas se aplica diferentemente entre as diversas áreas do mundo. E como o Brasil é um pais de dimensão continental, as medidas se aplicam de forma diferente entre as diferentes regiões. Os climas vão mudando de forma diferente. Os solos variam de forma a completar um quadro de diversidade amplo de medidas de adaptação ao Aquecimento Global. As áreas ribeirinhas e as margens de um reservatório de água, natural como uma lagoa, ou uma barragem construída têm umidade edáfica que reclama adaptação apenas a temperaturas mais elevadas. Os vegetais para cultivo em áreas mais adiante, embora como solos idênticos, necessitam não só maior resistência ao calor, como maior resistência ao stress hídrico. Em alguns locais aumentos de temperatura colocam determinados vegetais muito próximos de seus limites de tolerância ao calor, retirando-lhes a capacidade de crescer de forma economicamente interessante. Em outros lhes retira a capacidade de subsistir. Em outros, o acréscimo de temperatura apenas reduz a certos vegetais a capacidade de crescer e frutificar, porém mantem a economicidade do cultivo.

7. Regiões Norte/Nordeste (equatoriais): adaptação mais “crucial”
As regiões Norte/Nordeste passam a ser submetidas a uma condição peculiar. Já são as de maior temperatura média. Com o tempo suas temperaturas médias de quatro décadas atrás vão ocorrer mais abaixo, mais ao sul. De certa forma o que se passava e passa nestas regiões poderá ser aplicado mais ao sul. Enquanto isto no Norte/Nordeste, novas temperaturas médias mais altas. As áreas de desertificação vão se ampliando. Porém, de onde buscar conhecimento produtivo para aplicar em situações que nunca existiram antes?

8. Ambas necessárias: inovações tecnológicas e inovações sociais
Só a pesquisa dirigida à adaptação ao Aquecimento Global no Nordeste pode evitar que a situação desande para um desastre nas próximas décadas. E pesquisa só produz efeito benéfico quando seus resultados são aplicados, isto é, são transformados em inovação. E, mais ainda, quando as inovações são difundidas, de modo que todos os produtores a quem elas se dirijam as estejam aplicando. Tal montante de inovações reclama inovações sociais compatíveis com o volume de mudanças nos métodos de produção.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Adaptação ao Aquecimento Global no dia do Meio Ambiente

Nos dias 9 e 10 de junho de 2011 a Fundação Joaquim Nabuco promoveu um encontro alusivo ao Dia Mundial da Ecologia e do Meio Ambiente, cujo enfoque principal foi dado às mudanças ecológicas e sociais existentes no Semiárido brasileiro e suas tendências futuras.
O evento foi estruturado para debater questões que vêm despertando o interesse de especialistas da área ambiental, notadamente aquelas voltadas aos setores energéticos, hídricos, climáticos e as de natureza humana (ações antrópicas), que vêm ocorrendo, com certa freqüência, na região seca e causando enormes prejuízos para sua população.

Local do Encontro:
Fundação Joaquim Nabuco, sala Calouste Gulbenkian – Casa Forte
Recife – Pernambuco
Horário:
Das 9h às 18h

PROGRAMAÇÃO:
Dia 9/6
Manhã
9h – Credenciamentos
10h30 - Abertura
Fernando José Freire – Presidente da Fundação Joaquim Nabuco
Morvan de Mello Moreira – Diretor de Pesquisas Sociais da Fundação Joaquim Nabuco
Clóvis Cavalcanti – Coordenador-Geral de Estudos Ambientais e da Amazônia da Fundação Joaquim Nabuco
11h – Conferência de Abertura – Desenvolvimento sustentável do Semiárido brasileiro – Clóvis Cavalcanti (Fundaj)


Tarde
Mesa 1 – Mudanças climáticas e medidas conservacionistas
Coordenadora: Carolina Beltrão de Medeiros (Fundaj)
14h30 – Mudanças climáticas e medidas adaptativas – Adriano Dias (Fundaj)
15h – Reserva da Biosfera (o Bioma da Caatinga) – Alexandrina Sobreira (Fundaj)
15h30 – Debates
16h30 – Café

Dia 10/6
Manhã
Mesa 2 – Desafio à produção de energia no Semiárido brasileiro
Coordenador: João Suassuna (Fundaj)
9h – Geração hidrelétrica do Nordeste: presente e futuro – João Paulo M. Aguiar (Instituto Estratégico de Desenvolvimento do Setor Energético – Ilumina)
9h30 – Fontes não convencionais de energia – Heitor Scalambrini Costa (Universidade Federal de Pernambuco – UFPE)
10h – Debates
10h30 – Café

Mesa 3 – Hidrologia do Semiárido brasileiro
Coordenadora: Lígia Albuquerque de Melo (Fundaj)
11h – As águas do Semiárido: potencialidades para desenvolvimento regional – João Suassuna (Fundaj)
11h30 – Sistemas de Alerta de Desastres no Semiárido – Ma rcelo Cauás Asfora (Agência Pernambucana de Águas e Clima - APAC)
12h – Debates
12h30 – Almoço

Tarde
Mesa 4 – Convivência com o Semiárido brasileiro
Coordenador: Agostinho Odísio (Fundaj)
14h30 – Educação contextualizada no Semiárido – Edilene Pinto (Fundaj)
15h – O INSA e a convivência com o Semiárido - Sílvio Rossi (Instituto Nacional do Semiárido – INSA)
15h30 – Educomunicação – Edneida Rabelo (Fundaj)
14h – Café
16h30 – Mulher e Desenvolvimento – Lígia Melo (Fundaj)
17h – Turismo Ecológico – Solange Coutinho (Fundaj)
17h30 – Encerramento – Clóvis Cavalcanti (Fundaj)

Para maiores informações, acesse o site da Fundaj.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Adaptação a um Clima em Mutação

Um site português contribui para o alertar de consciências à necessidade coletiva de adaptação a um clima que se encontra em mutação. Disponibiliza informação relevante para compreender a temática da adaptação às alterações climáticas e o clima em Portugal. Fornece orientações dirigidas a todas as entidades públicas e privadas que queiram iniciar os seus processos de reflexão e decisão sobre as medidas de adaptação necessárias no seu âmbito de atuação. Disponibiliza referências a fontes de informação com interesse nas várias dimensões de abordagem a esta problemática. Leia mais no site.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Adaptação e Vulnerabilidade da Zona Costeira às Mudanças Climáticas

Um estudo da COPPE-RJ mostra os principais efeitos do Aquecimento Global no mar, que afetam as zonas costeiras do estado do Rio de Janeiro, e ações de adaptação, chamadas de ações de engenharia para prevenção e remediação. Alerta também que os exemplos mostrados são no Rio, mas o assunto é internacional!

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Adaptação ao Aquecimento Global e os Países da África

Artigo brasileiro expõe as perspectivas atuais de agravamento dos efeitos do processo de Aquecimento Global, que se abatem principalmente sobre a produção agropecuária e têm na África um forte efeito sobre as populações.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Adaptação ao Aquecimento Global no Japão

Como ilha o Japão tem menores raios de manobra para adaptação. Juntando a menor margem para adaptação com um grande cuidado com o futuro, coerente com seu estado de cultura multimilenar, o Japão tem se empenhado em estudar sua adaptação aos novos climas que o Aquecimento Global vem trazendo. Leia um estudo sobre agricultura e floresta num clima com mais 3 graus centígrados.

Aquecimento Global e a Nova Geografia da Produção Agrícola no Brasil

O aumento das temperaturas em decorrência do Aquecimento Global pode provocar perdas nas safras de grãos de R$ 7,4 bilhões anuais já em 2020 - número que pode subir para R$ 14 bilhões em 2070 – e alterar profundamente a geografia da produção agrícola no Brasil. Se nada for feito para mitigar os efeitos das mudanças climáticas e adaptar as culturas para a nova situação, deve ocorrer uma migração de plantas para regiões que hoje não são de sua ocorrência em busca de condições climáticas melhores. Áreas que atualmente são as maiores produtoras de grãos podem não estar mais aptas ao plantio bem antes do final do século. O estudo foi desenvolvido por uma parceria entre a Embrapa e a Unicamp. Leia o artigo na íntegra.