sábado, 3 de fevereiro de 2018

Educação Digital é Adaptação (ao Aquecimento Global)



Educação Digital pode ser pensado como nada tendo a ver com Adaptação ao Aquecimento Global e seus efeitos na forma de Mudanças Climáticas. Mas como medidas de Adaptação há medidas específicas e medidas de âmbito geral. A educação da população é uma importante medida geral, em muitos casos, a mais importante.

A educação digital é um componente hoje indispensável da educação geral. Reforça a eficiência do processo educacional, quando os conhecimentos digitais são usados corretamente em benefício deste processo. A educação básica, por sua vez, é um componente importante do índice de desenvolvimento humano HDI.

Em países onde haja um baixo nível de educação, especialmente um alto nível de analfabetismo, o nível de HDI pode ser usado como um indicador da capacidade de Adaptação. Este foi um resultado encontrado em pesquisa sobre medidas locais de Adaptação ao Aquecimento Global com os municípios do Norte e Nordeste do Brasil:

Recomenda-se aos governos municipais, como uma medida não específica de Adaptação, que maximizem esforços para aumento dos níveis de IDH.

Medidas de Adaptação Local ao Aquecimento Global - Resumo Executivo. Available from: https://www.researchgate.net/publication/319459584_Medidas_de_Adaptacao_Local_ao_Aquecimento_Global_-_Resumo_Executivo [accessed Feb 03 2018].


Os governos municipais devem cuidar da Educação Digital como parte integrante indispensável a um processo de educação atualizado. Ao fazerem isto estabelecem melhores condições para que a população possa participar de processos de escolhas de alternativas de medidas de Adaptação que contemplando as peculiaridades de cada grupo de pessoas e interesses, divida de forma justa os custos assumidos pelo governo municipal e os benefícios auferidos pelos cidadãos e grupos de interesse e melhores condições para que os cidadãos possam contribuir de forma mais proficiente na adoção das medidas escolhidas. Um exemplo de educação digital e sua contribuição a maior eficiência ao processo de educação, em geral, é trazido em matéria do jornal espanhol El Mundo, deste 03 de fevereiro de 2018: Tabletas donde no hay enchufes: la revolución digital llega a la escuela africana.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Água é tudo: Uma sentença sem “i”s



Por os pontos nos “i”s é um ditado usado em algumas partes do Brasil. Conduz o espírito de: corrigir exageros, desfazer interpretações equivocadas. Pois vamos tentar colocar alguns pontos em alguns “i”s em “Água é tudo: Uma sentença sem “i”s”. Numa entrevista de sucesso na última segunda-feira, 8 deste janeiro de 2018, na TV Cultura, Brasil, foi feita a propaganda de um livro onde se propõe a solução adotada em Israel, cerca do Trópico de Câncer, para um mundo com sede de água. Temos muito que aprender com Israel. Mas também temos muito que lucrar analisando soluções dadas a problemas análogos aos nossos em outras nações, inclusive as mais atrasadas do que nós. Todos os exemplos do exterior tem de ser vistos sob um olhar crítico para assegurar a adequação da imitação. Em que condições e em qual área das tão variadas que o Brasil apresenta. Neste sentido, ajudando a formar uma visão crítica, vão postos aqui comentários sobre a entrevista. Há vários “i”s e vários pontos a serem colocados. Para tal vamos comparar, no que diz respeito à aplicabilidade no Brasil, o dito pelo entrevistado, relativo ao seu livro com outro livro, este uma obra coletiva que resulta de contribuições de 175 pesquisadores agropecuários do Norte e Nordeste do Brasil e outra obra, esta individual, de Andrade, publicada pela Embrapa, dirigida especificamente à seleção de modos de uso de água em cultivos, sem deixar de reconhecer a atinência ao assunto, de ainda outra obra, esta relacionada a adoção de exemplos externos, onde a semiaridez traz a idéia de semelhança entre áreas geográficas distintas sob outros parâmetros.

O entrevistado evocou a grande responsabilidade dos cultivos agrícolas no consumo de água. E água, para ele, não é um problema. É “o” problema. Assim nada como seguir o exemplo do país modelo, qual seja a irrigação por gotejamento. Neste sentido, cabe atenção ao que lembra Suassuna no tocante a transpor para aplicar no Brasil experiências agrícolas exitosas alhures, mesmo quando assistidas por experientes assessores, de grande conhecimento sobre o uso do sistema de irrigação em áreas de onde está sendo copiado, onde aprenderam a usar em irrigação até as um tanto salinas águas do Rio Jordão. Suassuna (1.999) se refere aos primeiros polígonos de irrigação nos tempos iniciais da Superintendência de Desenvolvimento do Nordete, em meados dos anos sessenta do século passado:

foram desenvolvidos esforços na região Nordeste, no sentido de aplicar tecnologias apropriadas provenientes de Israel - país com larga experiência na prática irrigacionista - para assegurar o sucesso na implantação dos chamados perímetros irrigados, sob a responsabilidade do Governo Federal. No entanto, esse investimento técnico, com a participação de especialistas em irrigação, parece não ter obtido o êxito esperado. Estima-se que 1/3 da área de tais perímetros veio a apresentar problemas de salinidade nos solos. A principal causa dos insucessos verificados foi devida, provavelmente, à enorme diferença de latitude existente em ambas as regiões, a qual não foi considerada pela assessoria técnica convidada. Por tratar-se de uma região com elevada latitude (Jerusalém tem uma latitude de 31° 47’ norte), as diferenças climaticas e geológicas, tornam distintos, de forma significativa, os ambientes das citadas regiões. A evapotranspiração em Israel é inferior à existente na nossa região, pelo fato de os raios solares, em latitudes elevadas, incidirem no solo de forma obliqua. Este fenômeno também interfere diretamente na diminuição da temperatura média anual israelense, sendo um dos principais fatores para a ocorrência de neve nos invernos. Já na região Nordeste, por apresentar uma latitude menor (Recife tem uma latitude de 08° 06" sul), a evapotranspiração é mais acentuada, devido à incidência perpendicular dos raios solares no solo (algumas regiões do Nordeste semi-árido chegam a evapotranspirar cerca de 7 mm/dia). Ao contrário do que ocorre em Israel, no Nordeste as temperaturas médias anuais são significativamente mais elevadas, não havendo, por consequência, a ocorrência de neve nos invernos. Em termos geológicos, as regiões apresentam tipos estruturais bem distintos. Em Israel inexiste o embasamento cristalino - ao contrário do que ocorre no Nordeste semi-árido brasileiro - o que torna a drenagem dos seus solos mais fácil de ser realizada e o problema de salinidade mais tranqüilo de ser contornado. Dessa forma, constitui-se um erro crasso tentar-se fazer comparações entre a irrigação bem sucedida que é praticada nos solos arenosos de Israel, e isso é um fato inconteste, com aquela irrigação problemática realizada no embasamento cristalino nordestino, com os condicionantes climáticos envolvidos.

As diferenças de solo, de sua natureza e de sua latitude, estão longe de esgotar as variáveis fundamentais para escolha correta de um sistema de irrigação. O gotejamento, colocado pelo entrevistado como o sistema racional de irrigação é um modo de irrigação realmente fenomenal. Seria “a” solução para conter o consumo de água em irrigação? Quando se trata de fruteiras, provavelmente sim. Mas imagine colocar um ponto de gotejamento em cada pé de soja. Decididamente não parece uma boa idéia. Não só pelo custo que teria, como pelo fato da soja não apresentar boa resposta à irrigação, razão pela qual é tradicionalmente cultivada em regime de sequeiro:

O efeito da irrigação na produtividade das culturas é variado. Muitas culturas apresentam boa resposta à irrigação, outras, como a soja, apresentam pequena resposta e não são tradicionalmente irrigadas. Espécies frutíferas e hortaliças, via de regra, respondem bem à irrigação (ANDRADE, 2003, p.4).

Não há uma solução geral, por mais exitosa que seja em determinadas e específicas circunstâncias. Gotejamento é um tipo de irrigação localizada e este tipo geral de irrigação merece uma observação de ordem econômica:


na irrigação localizada o custo inicial é relativamente alto, sendo recomendado para culturas de elevado valor econômico e maior espaçamento entre fileiras de plantas. É um método que permite elevado grau de automação, o que requer menor emprego de mão-de-obra na operação (ANDRADE, 2003, p.10).

A racionalidade exige uma seleção segundo critérios técnicos envolvendo considerações econômicas, à margem das emoções criadas pelo bom domínio da oratória. Por mais boa vontade de que seja carregada uma santa recomendação, o que é bom para A nem sempre é bom para B.

A seleção do sistema de irrigação mais adequado é o resultado do ajuste entre as condições existentes e os diversos sistemas de irrigação disponíveis, levando-se em consideração outros interesses envolvidos. Sistemas de irrigação adequadamente selecionados possibilitam a redução dos riscos do empreendimento, uma potencial melhoria da produtividade e da qualidade ambiental (ANDRADE, 2003, p.17).

A problemática da produção agropecuária, não se resume à questão da água. Como bem colocou Andrade, a soja, o maior produto agropecuário de exportação atualmente do Brasil, tem pequena resposta à irrigação, sendo produzida tipicamente em regime de sequeiro. Pois bem, o Brasil dobrou a sua produção de soja desde que passou a utilizar as terras do cerrado, que antes da Embrapa, não serviam para a produção deste cereal, sendo para muitos, consideradas como terras não agricultáveis. Esta soja brasileira cultivada tipicamente em sequeiro, sem irrigação de qualquer tipo, representa algo ponderável do ponto de vista econômico. A produção deste único produto soja, alcança no Brasil mais de um terço do valor de toda a produção agropecuária da França, a maior nação produtora agropecuária dada Europa e tem valor amplamente maior do que o da produção agrícola da média dos 19 países latinoamericanos. 1

Uma visão equilibrada de como avançar na contribuição à segurança alimentar do mundo esteve presente nos dias da Embrapa desde sua fundação em 1973. Para fazer frente ao futuro, marcado pelas Mudanças Climáticas, que trazem problemas para a sustentação das atividades agropecuárias também fora da direta preocupação com a escassez de água, vem uma visão também equilibrada, de 175 pesquisadores agropecuários do Norte/Nordeste do Brasil.

A Adaptação para ser efetiva necessariamente deve ser conduzida pela pesquisa em diversas áreas do conhecimento da produção agropecuária. [...] É com a necessária diversidade que há sistemático trabalho, embora insuficiente, de ampliação do conhecimento direcionado a conduzir a uma convivência racional com os padrões climáticos do semiárido, atuais e futuros (DIAS; SUASSUNA, 2016).
O trabalho sistemático na direção da Adaptação/Convivência com a Seca tem resultado num crescente acervo de conhecimento onde se vê grande apoio à produção irrigada. Não deixa inteiramente a descoberto a produção de sequeiro, exposta aos rigores e incertezas do clima. Mas há reclamos de relativamente maior insuficiência de pesquisa para este setor. A área onde há cultivo de sequeiro, note-se, é muitas vezes maior, em extensão e em população, do que a irrigada, limitada esta pela escassez de água disponível. (DIAS; SUASSUNA, 2016).

Se preocupam com os efeitos diretamente advindos da elevação das temperaturas, para os quais as plantas devem se adaptar. Em Israel, efeitos diretos do Aquecimento Global podem lhe ser atribuídos já produzirem baratas mais bem crescidas, comentadas por Leibovitz (2017) numa matéria com sugestivo título “Israeli Scientists: Global Warming Gives Cockroaches Superpowers”. Lá mesmo podem ser contabilizados como efeitos diretos surtos de contaminação de patógenos em pescados, comentado por Paz et al (2007), em artigo científico com título “Climate change and the emergence of Vibrio vulnicus disease in Israel”.

A Adaptação, por seu turno, bem mais complexa do que cuidar bem do uso da água, não deve prescindir dos cuidados, para correta apropriação das adaptações desenvolvidas pela própria natureza, reclamados por Nevo (2012) em “ Evolution of wild cereals during 28 years of global warming in Israel”.

A leitura do que foi colocado pelos 175 pesquisadores reforça a posição de Nevo. As adaptações da natureza devem prover informação genética a ser usada no desenvolvimento de cultivares mais resilientes. Mas a pesquisa agropecuária deve ser, segundo eles, mais abrangente. Não se pode deixar de lado nenhuma das áreas de pesquisa atual, nem fazer concessões à qualidade: o manejo do solo, da água, dos cultivos, têm de ser devidamente adaptados. A complexidade da pesquisa não diminui, ao contrário, aumenta. Segundo eles, em certas situações cabe aumentar a resistência a temperaturas mais altas, em outras, aumentar a resistência ao stress hídrico, em outras, aumentar a resistência a eventuais excessos de umidade e assim por diante.

A importância das questões da Adaptação ao Aquecimento Global, ou às Mudanças Climáticas, se assim o preferir o leitor, varia de acordo com a situação de cada área geográfica. Há países que vivem uma situação crítica em relação à água. Como típico em vastas áreas da Terra, vivem em situação crítica em relação à água, compartilhando, como Israel, rios minguantes com vizinhos sedentos (SNIR, 2006?; OECD, 2013; RADFORD, 2017; RAJSEKHAR; GORELICK, 2017). O Brasil, por outro lado, tem grandes aquíferos, grandes volumes de água potável. Seria ridículo aconselhar a um índio na amazonia a poupar água no seu banho. A torneira, ele sequer pode fechar. Toma banho imerso numa banheira relativamente infinita, o rio Amazonas. Há mais disputas potenciais por água internamente, entre os estados brasileiros, do que entre o Brasil e seus vizinhos. São disputas, como a que houve entre os estados da região Nordeste do Brasil ao sul das águas do Rio São Francisco que, embora insuficiente para eles, dispoem das suas águas para dessedentação e irrigação, e os estados nordestinos ao norte, que passariam a também dispor delas se executado o projeto da transposição. O projeto está sendo executado. Está avançado em execução, embora tão atrasado que, pelo cronograma, já estaria, de há muito tempo funcionando plenamente. Foi um conflito interno, resolvido politicamente.

Mas a grande diferença entre Israel e Brasil não é geográfica, nem de disponibilidade hídrica, com suas implicações. A grande diferença está num atributo populacional. É o alto e bem distribuído nível de educação de Israel e o desastroso baixo nível médio de educação populacional do Brasil.

Neste sentido, cabe observar a educação populacional, em ademais de sua função de apoiar a cidadania, ser um insubstituível meio para efetiva assimilação de novas técnicas. E, neste aspecto, é de pouca valia a educação voltada para a fabricação de estatísticas educacionais e sim a educação generalizada de alta qualidade, a qual, por enquanto, é sonhada. Mas, para que o benefício da Adaptação seja alcançado, a elevação da qualidade da educação ministrada e de sua extensão deve ser implementada com velocidade maior do que a do agravamento dos efeitos das Mudanças Climáticas (DIAS; SUASSUNA, 2016).

Deve-se olhar com atenção como Israel trata as questões da água. Mas deve-se olhar com mais atenção ainda como Israel trata a questão da Educação. Tê-la como benchmark imediato. O teste PISA apresentou em 2005 para os jovens de 15 anos, como conhecimento em matemática, necessário para a vida moderna, um nível médio de 377 no Brasil (OECD 2018a), 470 em Israel (OECD 2018b) e 564 em Singapura. Mesmo um índice defasado de significado de potencial econômico como o IDH, que dá ênfase a questões quantitativas de alfabetização, apresenta o Brasil com atraso de mais de 25 anos em relação a Israel. Certamente tem seus benchmarks. Segui-lo nesta questão da Educação, estreitando as diferenças simultaneamente nos testes PISA e no IDH é um desafio ao que o Brasil não de pode furtar de seriamente perseguir, como política maior para se potencializar à Adaptação ao Aquecimento e superação de suas consequências.
 
1 Depreende-se de IBGE (2017), Embaixada da França no Brasil (2018) e Ferreira (2016, p.4442). A taxa de câmbio usada foi R$ 4,00 = 1,00 EU. 



Referências 

ANDRADE, Camilo de L. T. de. (2003). Seleção do Sistema de Irrigação. Embrapa. Circular Técnica 14. ISSN 1679-1150. Disponível em: http://docsagencia.cnptia.embrapa.br/milho/circular_14-selecao_do_sistema_de_irrigacao.pdf. Acesso em: 10 jan. 2018.

CONIB - Confederação Israelita do Brasil (2018). Roda Viva promove nesta segunda-feira (8/1) debate internacional inédito com especialista em solução israelense para escassez de água. Disponível em: http://www.conib.org.br/noticias/4059/roda-viva-promove-nesta-segunda-feira-81-debate-internacional-indito-com-especialista-em-soluo-israelense-para-escassez-de-gua. Acesso em 08 jan. 2018.

DIAS, Adriano; SUASSUNA, João (2016). Adaptação ao Aquecimento Global no N/NE e Convivência com a Seca: a Voz da pesquisa: Resumo Executivo – versão 0.2. Recife, Fundação Joaquim Nabuco/Editora Massangana. ISBN: 978-85-7019-663-7. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/322577154_Adaptacao_ao_Aquecimento_Global_no_NNE_e_Convivencia_com_a_Seca_a_voz_da_pesquisa_Resumo_Executivo-versao_02. Acesso em: 18 jan. 2018.

Embaixada da França no Brasil (2018). França, a primeira potência agrícola da Europa. Disponível em: https://br.ambafrance.org/Um-numero-Um-fato-Franca-a. Acesso em: 11 jan. 2018.

FERREIRA, Caliane Borges et al. (2016). Produtividade Agrícola nos Países da América Latina. Revista de Economia e Sociologia Rural, 54(3): 437-458, Brasília, jul/set. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/1234-56781806-94790540303. Acesso em 11 jan. 2018.

IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (2017). PAM 2016: valor da produção agrícola nacional foi 20% maior do que em 2015. Disponível em:

LEIBOVITZ, Liel (2017). Israeli Scientists: Global Warming Gives Cockroaches Superpowers. Tablet Magazine. August 23, 2017 • 3:00 PM. Disponível em:

NEVO, Eviatar et al. (2012). Evolution of wild cereals during 28 years of global
warming in Israel. Proceedings of the National Academy of Science February 28 vol. 109 no. 9, 3412-3415. Disponível em: http://www.pnas.org/content/109/9/3412.full.pdf. Acesso em: 10 jan. 2018.

OECD - Organisation for Economic Co-operation and Development (2013). Israel - Climate change impacts on water systems. Em: OECD (2013). WATER AND CLIMATE CHANGE ADAPTATION. p. 167-168. Disponível em:

OECD (2018a). Education GPS: Brazil. Disponível em: http://gpseducation.oecd.org/CountryProfile?primaryCountry=BRA&treshold=10&topic=PI. Acesso em: 10 jan. 2018

OECD (2018b). Education Gps: Israel. Disponível em: http://gpseducation.oecd.org/CountryProfile?primaryCountry=ISR&treshold=10&topic=PI. Acesso em: 10 jan. 2018.

PAZ, S. et al (2007). Climate change and the emergence of Vibrio vulnicus disease in Israel. Environmental Research 103:390–396. Disponível em: https://bib.kuleuven.be/apps/cba/tutorial/pdf/titel.pdf. Acesso em: 10 jan. 2018.

PLETZ (2018). Nesta segunda-feira, 08 de janeiro, assista a entrevista de Seth Siegel no Programa Roda Viva. Disponível em: http://www.pletz.com/blog/nesta-segunda-feira-08-de-janeiro-assista-entrevista-de-seth-siegel-no-programa-roda-viva/. Acesso em: 08 jan. 2018

RADFORD, Tim (2017). Climate change threatens survival of the River Jordan. Climate Home News. Published on 06/09/2017, 1:42pm. Disponível em: http://www.climatechangenews.com/2017/09/06/climate-change-threatens-survival-jordan-river/. Acesso em: 10 jan. 2018.

RAJSEKHAR, Deepthi; GORELICK, Steven M. (2017). Increasing drought in Jordan: Climate change and cascading Syrian land-use impacts on reducing transboundary flow. Em: Science Advances, Vol. 3, no. 8, e1700581. Disponível em: http://advances.sciencemag.org/content/3/8/e1700581.full, Acesso em: 10 jan. 2018.

SNIR, Reut (2006?), Israel’s Unique Geography and Climate Is Vulnerable to Climate Change. National Environmental Trust

SUASSUNA, João (1999). TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA NA AGRICULTURA: um decalque mal feito. Disponível em: http://www.fundaj.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=731&Itemid=376. Acesso em:10 jan. 2018.

UNDP – United Nations Development Programme (2018). Human Development Reports. Disponível em: hdr.undp.org/en. Acesso em: 18 jan. 2018.


 

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Em se tratando de uso de água em produção agrícola

Em  se tratando de uso de água em produção agrícola, os pesquisadores agropecuários apontam, como uma medida principal de Adaptação ao Aquecimento Global e Convivência com a Seca o
aumento da eficiência de uso da água na irrigação.
De forma geral trata-se de incentivar o
uso racional da água.

E para incentivar o uso racional da água uma boa medida pode ser o cobrar um valor adicional por ela e compensar o agricultor com um bônus a mais sobre o preço de venda, de acordo com a produtivade da água segundo as melhores práticas para o cultivo que estiver fazendo. Se o custo adicional da água que usar proporcionar um custo adicional menor do que o bônus extra que venha a receber pela venda da sua produção, o agricultor compra a água e a usa da forma mais racional possível para aumentar o seu lucro. A água com custo baixo, com preço subsidiado não induz a esforço para seu uso racional. Mas se o seu lucro passa a ser muito sensível à racionalidade no uso da água, o agricultor racional a usará de forma racional.

domingo, 15 de outubro de 2017

BRICS: Different capacities of Adaptation to Global Warming

Brazil, Russia, India, China, South Africa, by short, BRICS. They are known as the group of great Emergent Powers.

China, India and Russia are three great countries that share great importance in geopolitical terms. All three dominate the nuclear cycle and are respected by the fact that have nuclear weapons. All three have the weight of  milenar civilizations granting them a great dose of self respect. They are not newcomers in the international play, and formed a club with a reasonable degree of similitude among its members.


China exposes a GDP growth in 1990-2015 more than 7 per cent greater than the analogous world average as seen in Table 1. As indicated by the capacity to growth, it has the highest capacity of Adaptation to the Global Warming, as compared with India and Russia. Beside this, she has coal for hundred years ahead. It is so much coal that the atmosphere could not absorb all this quantity of carbon without inducing a huge impact on the Global Warming. The care for Adaptation is exposed in the white paper China’s Policies and Actions for Addressing Climate Change.


India is recovering from a lethargic era, at a steady pace. By this way it shows a good capacity for Adaptation to the Global Warming. Some of those who emit opinion about the Climate Change try to overestimate the contribution of India to the this phenomenon by stressing the gigantic number of cows, emitting the warming methane. But India has cows as always had in the past, when nobody would dream about Global Warming. As the life span of the methane is relatively short,  the stock of methane in the atmosphere that could be granted to India's cows could be taken as a constant. So, if this constant did not bring the Global Warming in the past, there no good reason to input India as contributing to the Global Warming by means of the methane expelled by its cows. There is a high return in pressuring India to increase costs to alleviate the global emission of warming gases, for the costs of an aggressive discourse by those most responsible for the Global Warming may be many times smaller than the costs of a measure of Mitigation that they should take, and instead, by means of pressure, get done by India. As a matter of fact India needs, according to a recent study one trillion dollars for Adaptation measures in the next 15 years.


Russia was always willing to have good relationship with the hegemonic forces of the North Atlantic community until its choice for what the Occident called the dictatorship of the proletariat. It solved itself the problem of remaining a free country even at a cost of millions and millions of its nationals. With the derrocade of its socialistic regime she lost power. His presently growth is according the world average, and the need for Adaptation is tempered by the gains in the extension of agricultural lands in Siberia. Russia recently has formally taken the Adaptation as a national government public policy.   

Brazil, somehow a nation of great area, without the deterrence power of having nuclear weapons, it is country which independency was declared by the representant of the of the colonial power, and which only one hundred years after the formal independence had the internal power moved by its national interests, became part of the select group of these three milenar culture nations. This is a unique  situation in the world. A nation that was declared independent to continue under the same colonial power. There is another unique situation, the racial spectrum. As a matter of fact a spectrum is an one dimension variable that continously change as you go through from one point to another. But a Brazilian physician in the important state of Minas Gerais (its importance can be induced by the fact that during half century the presidence of Brazil was alternated between the states do São Paulo and Minas Gerais, among more than 20 Brazilian states) made a revealing study on the racial composition of the individuals in Brazil. He captured the DNA information of the patients of his clinic that allowed to participate in the research and conclude that, with particular exceptions, in general all the white patients are mixed. As a general rule, those which family were not exclusively of recent immigrants, had European blood, but also some African ancestry and some local natives yellow blood. The mixed nation has, since 1988, a Constitution that  is a champion of human rights, but has failed to grow after the hegemony of the TIC technologies. The country has a national plan on Climate Change where the main direction exposed is Mitigation: "The goals set out in this plan are audacious, if compared with other countries. The potential of this Plan to the reduction of emissions of greenhouse gases is one of the largest – if not the largest – among all nations". Some day Brazil will wake up from his "splendid crib", sung in his national anthem, and will pay the due attention to the Adaptation, which is his true need.
 
South Africa, which openly stated apartheid hold up to the last decenial of the last century, is a two race society. Whites in the economic top. Blacks in the economic bottom. Even tough it has full intention of reaching an economic growth that could decrease the racial inequality, the results are backfiring, As Adaptation it may be said: "The reality is that there is limited water and fertile land resources, and there has been steady degradation of the environment and associated ecosystem resilience".

 Table 1  Great Economies out of the OECD Club

                       Relative        Área                Population          HDI
                     GDP yearly   1,000 km2       1,000,000 hab.
                    growth rate                               2015                2015
                    1990 - 2015*  

China                 7.12           9,597                1,379                .738
India                  2.48           3,287                1,324                .624
Russia                0.10        17,100                   144                .804
Brazil                -0.85          8,516                   206                .754

South Africa     -1.33           1,221                     55                .666

Sources: * Average PPP yearly GDP growth divided by the World GDP growth in
                international dollars as in the World Bank Database. 

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Uma lição vinda do México: imediato amplo atendimento psicológico pós desastre intenso

Lições devem ser aprendidas. Mas várias condições de necessidade devem ser satisfeitas para que tenham efeito efetivo sobre ações em as lições se aplicam. Devem ser atos percebidos. Devem ser reconhecidas.

O tratamento dispensado no México aos que sofreram consequências do forte terremoto que sacudiu terras mexicanas em 19 de setembro de 2017 teve pontos positivos e pontos negativos. Todos devem ser objeto de análise para que no futuro se possa ser ter melhor desempenho nas operações de recuperação pós desastres. Num país medianamente desenvolvido, em termos materiais, como o México, há a grande chance de que faltem recursos materiais, especialmente quando comparado com ocorrências análogas atingindo  países desenvolvidos como o Japão, Mas o  México trouxe, no conjunto de medidas pós desastre adotadas, uma que chama a atenção como exemplo de bom uso dos recursos disponíveis.

É sabido que desastres de grande intensidade e extensão levam a população a situações de traumas psicológicos. É sabido, também, que tão mais tarde venham a ser atendidos os que necessitam de ajuda psicológica, tão mais difícil o tratamento e tão mais tempo se gasta até a recuperação ao estado que possa ser considerado como normal. Pois foi exatamente o pronto atendimento psicológico que chamou a atenção como ponto positivo no México pós terremoto.

A população teve pronta disponibilização de atendimento por psicólogos, havendo atendimentos nos próprios abrigos abertos aos que tiveram suas residências inutilizadas ou sem condição de uso seguro imediato.

Pronto atendimento psicológico a vítimas de desastres de grande intensidade deve ser um item da cesta de intervenções pós-desastre. O Aquecimentod Global traz, como consequência um aumento da frequência dos desastres naturais. Os furações já ocorridos neste 2017 são um exemplo, tendo deixados rastros de destruição. Mas a lição mexicana ocorreu depois do furacão Irma ter deixado seu rastro de destruição na Flórida e tão pouco tempo antes do furacão Maria ter destruido a maioria dos ambientes construídos em várias ilhas caribenhas, onde se incluem colônias de países ricos, que certamente não houve tempo para a inclusão da lição mexicana, o atendimento psicológico generalizado.

É a lição vinda do México, que agora  aguarda ser reconhecida e aplicada.



Outra lição prática:

Rota de fuga ao telhado, uma lição do furacão Harvey


quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Rota de fuga ao telhado, uma lição do furacão Harvey



Os desastres deixam lições. Pelo menos por enquanto. Talvez o Homem atinja tal nível de sapiência que não mais lições a aprender. Será?

Por enquanto os desastres deixam lições. O Katrina deixou. O Sandy deixou. E uma lição do Furacão Harvey pode ser obtida do uso de recomendação de que os ilhados, que tem casas invadidas pelas águas, devem ficar no telhado para se fazerem visíveis. Pessoas que nunca imaginaram ser possível ficarem ilhadas se viram nesta situação.

Há doze anos atrás mais de 1800 pessoas morreram em Nova Orleans com a passagem do furacão Katrina. A maior parte delas presas em sótãos, sem acesso ao telhado. Não havia modernos meios de comunicação disponíveis funcionando. Celulares não conseguiam linha. Não podiam ter suas baterias recarregadas pela falta de energia nas linhas de energia. Telefones fixos inutilizados pela água.

Não é fácil subir ao telhado se não houver condições favoráveis. E condições favoráveis são diferentes para diferentes indivíduos. Para um indivíduo alpinista e nadador uma corda amarrada pode ser tudo o necessário. Para um típico indivíduo de faixa dos setenta a oitenta anos, sem prática atlética, sedentário ou que realize atividades de baixa demanda de esforço, subir ao telhado pode ser muito mais desafiante e exigir outras condições mais favoráveis. Pense numa pessoa com alguma dificuldade para a realização de atividades de vida diária, situação que acomete um percentual nada desprezível das pessoas com mais de setenta anos. Subir ao telhado exige condições compatíveis com suas  deficiências.

Uma rota de fuga é bom que esteja construída em uma casa em área, por critérios técnicos, inundável. Uma escada com apoio até o fim do percurso é uma solução. E funciona numa comunidade se, em geral, for uma exigência legalmente determinada, com parâmetros exigidos condizentes com uma rota de fuga ao telhado eficiente e eficaz.

A legislação deve conter, também, exigências para que esta rota de fuga seja mantida em condições de uso. Com acesso a ela permanentemente desobstruído. Ela mesma permanentemente desobstruída. Isto envolve a proibição de ser usada, mesmo temporariamente, como local de estocagem de material.

E façamos votos que rotas de fuga ao telhado nunca tenham de ser usadas.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

As capacidades de Adaptação ao Aquecimento Global: Países de Língua Portuguesa

Esta postagem dá continuidade a comparações entre países sobre a capacidade de Adaptação ao Aquecimento Global sob o ângulo da capacidade efetivamente exercida de crescimento do produto per capita. Utilizando o banco de dados sobre produto per capita dos países disponibilizado pelo Banco Mundial para acesso público foram primeiramente comparados os cinco maiores países do mundo. Para cada país comparado tomou-se o produto per capita relativo análogo mundial em dólares do ano, em termos de paridade de poder de compra, ou seja, dividiu-se o produto per capita do país pelo produto per capita mundial (1).

Os dados utilizados foram do ano de 1990 e de um quarto de século após, do ano de 2015. O Canadá, o Brasil e os Estados Unidos se distinguiram por capacidade de Adaptação abaixo da média, segundo o indicador "taxa de crescimento do GDP per capita (2). Entre 1990 e 2015 o produto per capita canadense cresceu -1,08% ao ano e o brasileiro -0,85% ao ano.

Do ponto de vista do que indica a GDP per capita ambos, os dois menos bem posicionados, o Canadá e o Brasil, estão mal situados quanto à capacidade de desviar recursos do uso corrente para financiar  atividades dirigidas à Adaptação. Mas há uma diferença entre a terra da Rainha e a República verde amarela. Com o Aquecimento o Canadá, pelo recuo do permafrost ganha terra agricultável. O Brasil vai vendo a aridização reduzir a área agricultável nas latitudes próximas à linha equatorial, latitudes de até 15 graus de latitude Sul, onde se encontra a maior parte de seu território. Vai faltando recursos para o necessário grande esforço de Adaptação.

A situação do Brasil o colocou, entre os cinco maiores países do mundo, como o que está em situação mais crítica face à capacidade de Adaptação ao Aquecimento Global. Isto conduziu a uma curiosidade, sobre qual a situação relativa dos maiores países da América Latina. Foi encontrado, novamente, que o Brasil está na pior situação (3).

A comparação com pequenos grupos de países pode ser conduzida agora aos países de lingua portuguesa. Representam uma diversidade de situações e uma unidade de exposição a um mesmo poder colonial. Um poder colonial que deixou marcas até onde não exerceu o poder colonial, apenas instalara um entreposto comercial. Os turistas japoneses ao chegarem em Portugal se deparam com um prato nacional japonês, a tempura, que logo acreditam ter sido uma prova da capacidade imitativa portuguesa. Mas, ao invés, a tempura resulta da capacidade imitativa japonesa. É um prato nacional português desde o começo do milênio passado, séculos antes da chegada de portgueses ao arquipélago (4).

O efeito da colonização portuguesa se deu em muitos aspectos importantes na vida dos povos ocupados. Os portugueses se impuseram como uma matriz cultural em todos os povos por ele colonizados. Uma matriz reforçada, segundo o sociólogo Gilberto Freyre (5, 6), pela disposição portuguesa à miscigenação, esta absolutamente repelida pelos saxões. Do ponto de vista econômico o legado português foi estampado, entre outras características, em limitada capacidade de industrialização, derivada de sua condição de aliados dos ingleses. Era a quem competia representar os interesses ingleses na Europa Continental. No Brasil, foi imposta pelo ingleses, a quem os portugueses tinham que ceder para permanecer no jogo do jugo colonial. A presença de fatores históricos comuns confere substância à apreciação comparativa desses países de língua portuguesa. São incluidos na Tabela 1, abaixo, os países que têm o português como língua nacional e para os quais há dados de GDP per capita relativos a 1990 e 2015 no banco de dados disponibilizado pelo Banco Mundial (7).

Tabela 1  Taxa de crescimento do GDP per capita relativo dos Paises
               de Língua Portuguesa entre 1990-2015 e capacidade de
               Adaptação ao Aquecimento Global*

               País**                                         Taxa de crescimento
                                                                                  anual***

               Cabo Verde                                                   3,04
               Moçambique                                                 2,16
               Portugal                                                      - 0,54

               Angola                                                        - 0,77
               Brasil                                                          - 0,85
               Guiné Bissau                                               - 2,54

               Obs.:*    GDP per capita relativo= GDP per capita do país em Paridade de Poder de
                            Compra/GDP per capita mundial.
                       **  Países com português como língua nacional para os quais existem dados
                                     do GDPs per capita de 1990 e 2015 no banco de dados sobre CDP dos
                                     países disponibilizado pelo Banco Mundial.
                       ***Segundo a relação entre os GDPs per capita relativos ao mundial de 2015
                                     e de 1990.
 

Os dados sugerem que há países de lingua portuguesa indo bem, outros indo mal. Em brincadeira dizem uns brasileiros  que nosso problema foi nosso colonizador. Mas, os dados não lhes dão claro suporte. Há pontos de vista sob os quais Cabo Verde e Moçambique vão muito bem, obrigado. Vão se saindo melhor do que o colonizador, na era da economia digital e suas implicações na configurações da economia globalizada. Os que vão se saindo mal, procurem seus motivos.

O brilhante desempenho em termos de GDP per capita de Cabo Verde tem fundamento na atividade turística, na transferência de nacionais expatriados, na pesca. É penosa a atividade agrícola no arquipélago. Revela, o desempenho, êxito numa ciclópica luta contra as desvantagens geográficas e de constituição de solo (7). Uma nação arquipélago em que a maior ilha é uma pequena ilha. Em que o solo é vulcânico. Em que a latitude norte em torno dos 16 graus, a 650 km a oeste de Dacar, no extremo oeste da África Continental, a expõe a um clima tipo Sahel, a que o Aquecimento Global promete ainda aumento de aridez.

Moçambique foi, em termos internacionais, o país mais afetado em 2015 pelas Mudanças Climáticas (8). Uma penosa seca já marcara o seu processo de retomada após a comoção do período de guerra. Do ponto de vista de orientação de macro gestão, após um estágio de experiência socialista teve adotado o modelo capitalista. Grandes investimentos que contaram com subsídio generoso geram os items de peso na pauta de exportação (9). O modelo de crescimento de Moçambique não teve continuado êxito em ser inclusivo. Reduziu pouco a pobreza.  Paira a paz romana. Brasileiros que estiveram lá na década passada relatam que Maputo, a capital, relembra, em termos de paz e de estilo arquitetônico, os velhos bons tempos do Rio de Janeiro dos anos cinquenta. Cariocas sessentões que troquem dias de turismo na zona do euro por Cabo Verde e Moçambique têm a ganhar. Se escolherem bem o tempo de ir podem encontrar um clima ameno, correspondente ao do Sul maravilha brasileiro, proporcionado por sua latitude ao sul de Curitiba, a cidade de temperatura anual média mais baixa no Brasil.

Portugal teve  a seu favor a política da União Européia de redução das desigualdades internas. Contou com recursos de fundo para infraestrutura, parte deles a fundos perdidos (10). Também contou com recursos de fundo de desenvolvimento, em termos camaradas. Sua taxa de crescimento anual do GDP per capita relativo ao médio mundial foi, entre os anos 1990 e 2015, apenas um décimo de um por cento superior ao GDP per capita análogo dos países da zona do euro. Tem sofrido sério impacto de situações extremas atribuíveis ao Aquecimento Global e está alerta ao problema (11).

Angola continua em seu esforço para diversificação da economia, marcada do petróleo que representa 55 % do PIB e 95 % das exportações. Vive percalços economicos e políticos e vem tendo de dedicar recursos para conter ameaças de desestabilização somados a necessidade de contenção da ação de grupos rebeldes. O acesso à educação nas zonas rurais é de apenas 25%, ascendendo a 40% nas zonas urbanas . Na virada do milênio, a taxa de analfabetismo da população com idade superior a 15 anos era 58%. A malária continua a ser a principal causa mortis em Angola, onde a esperança de vida é de 49 anos (12).
 
O Brasil não tem a desvantagem locacional e geografica de Cabo Verde. Se estende a latitudes fora da região equatorial, se estende a regiões nemos castigadas pelo Aquecimento Global. O Brasil não passou por situação análoga a Moçambique, tendo grupos paramilitares atuando contra o governo, não passou pelo esforço adaptativo de ter em sucessão dois tipos de macro gestão antagonicos. Os desastres naturais foram proporcionalmente significativamente menores, em termos relativos. Como nada acontece sem causa, os brasileiros devem buscar a razão para uma taxa de crescimento muito menor do que as obtidas por Cabo Verde e por Moçambique. Será melhor que busquem sem atribuir todos os males e todos os erros aos que pensam de forma diferente. Terão, assim, melhor chance de um melhor diagnóstico, pois todos os grupos têm pontos positivos e pontos negativos, ou se consideram grupos divinos?

O Brasil, entre os países de língua portuguesa que estão ficando para trás na corrida pelo aumento do GDP per capita só está permanecendo à frente de Guiné-Bissau. Este país não conheceu nenhum processo de industrialização e em que a própria produção agrícola carece de sofisticação. Está ainda tão atrasado que
                           
"a economia é pouco diversificada e dominada pela produção de castanhas de caju não processadas. O crescimento médio anual tem acompanhado com dificuldade o crescimento populacional, o que se deve em parte a um ambiente de governação difícil, frequentemente interrompido por turbulência política, incluindo golpes militares. O último golpe ocorreu em 2012. A fragilidade política na Guiné-Bissau tem constrangido o crescimento liderado pelo sector privado e a redução da pobreza."(13)
  
A história legou aos cinco maiores países latinoamericanos a possibilidade de uma melhor posição de enfrentamento dos efeitos negativos do Aquecimento Global. Nada há entre eles que represente o desastre apresentado, até agora, por Guiné-Bissau. (14)

Referências

1 Inovação e Adaptação ao Aquecimento Global. Adaptação ao Aquecimento Global e o Produto Per Capita Mundial. Disponível em: http://inovasmtp.blogspot.com.br/2017/06/adaptacao-ao-aquecimento-global-e-o.html.

2 Inovação e Adaptação ao Aquecimento Global. Comparando Indicadores de Capacidade de Adaptação entre os cinco maiores países: o Brasil desponta um futuro de Submergent Power?. Disponível em:  http://inovasmtp.blogspot.com.br/2017/06/crescimento-e-adaptacao-os-5-maiores.html.

3 Inovação e Adaptação ao Aquecimento Global. Capacidade de Adaptação ao Aquecimento Global e as cinco maiores economias latinoamericanas. Disponível em: http://inovasmtp.blogspot.com.br/2017/07/capacidade-de-adaptacao-ao-aquecimento.html.

4 FARLEY, David (2017).  The truth about Japonese tempura. BBC Travel. August, 10. Disponível em: http://www.bbc.com/travel/story/20170808-the-truth-about-japanese-tempura. Acesso: ago. 10, 2017.

5 FREYRE, Gilberto (1933). Casa Grande & Senzala. 52a ed. São Paulo: Saraiva. 2013.

6 CABAÇO, José Luis de Oliveira (2007). Moçambique: identidades, colonialismo e libertação. São Paulo:  USP  (Tese de doutorado). Disponível em: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8134/tde-05122007-151059/pt-br.php. Acesso em: 15 ago.  2017.

7 Cabo Verde: Country Strategy Paper 2014 - 2018. African Development Bank. Disponível em: https://www.afdb.org/fileadmin/uploads/afdb/Documents/Project-and-Operations/2014-2018_-_Cape_Verde_Country_Strategy_Paper.pdf. Acesso em: 18 ago. 2017. 


8 Deutsche Welle. Moçambique foi o país mais afetado por fenómenos climáticos em 2015. Notícias/Moçambique. Disponível em: http://www.dw.com/pt-002/mo%C3%A7ambique-foi-o-pa%C3%ADs-mais-afetado-por-fen%C3%B3menos-clim%C3%A1ticos-em-2015/a-36312360. Acesso em: 18 ago. 2017.

9 ROSS, Doris C. (Coord.) (2014). Moçambique em Ascensão: Construir um novo dia. Washington: FMI. Disponível em: https://www.imf.org/external/lang/portuguese/pubs/ft/dp/2014/afr1404p.pdf. Acesso em: 17 ago. 2017.

10 ROYO, Sebastián (2006). Portugal, Espanha e a União Européia. Revista Relações Internacionais. 09 Março, p.091-113. Disponível em: http://www.ipri.pt/images/publicacoes/revista_ri/pdf/r9/RI09_07SRoyo.pdf. Acesso em: 12 ago. 2017.

11  Inovação e Adaptação ao Aquecimento Global. Portugal em adaptação ao aquecimento global. Disponível em: http://inovasmtp.blogspot.com.br/2014/11/portugal-em-adaptacao-ao-aquecimento.html. 

12 LOTZ -SISITKA, Heila; URQUHART, Penny 2014.  As Alterações Climáticas Contam: Relatório Nacional de Angola. Joanesburgo: SARUA. Disponível em: http://www.sarua.org/files/SARUA%20Vol2No1%20Relat%C3%B3rio%20Nacional%20de%20Angola.pdf.  Acesso em: 20 ago. 2017.

13 Banco Mundial (2015). Guiné Bissau: Memorando Económico do País - Terra Ranca! Um novo começo. Disponível em: http://documents.worldbank.org/curated/en/843231468250507098/pdf/582960PORTUGES0CEM0final010Feb150PT.pdf, Acesso em: 20 ago. 2017.

14  Inovação e Adaptação ao Aquecimento Global. Capacidade de Adaptação ao Aquecimento Global e as cinco maiores economias latinoamericanas. Disponível em: http://inovasmtp.blogspot.com.br/2017/07/capacidade-de-adaptacao-ao-aquecimento.html.