segunda-feira, 17 de julho de 2017

Capacidade de Adaptação ao Aquecimento Global e as cinco maiores economias latinoamericanas


A capacidade de Adaptação aos efeitos do Aquecimento Global de um país é correlacionada à capacidade de desenvolvimento. É interessante ver como se dispõem, neste aspecto os cinco maiores países latinoamericanos. Tanto a situação do bloco dos cinco, como a situação de cada um em particular. O interesse e a revelação dos dados pode ser maior quando o leitor é nacional de um dos cinco países, ou tem interesse particular em um deles. Embora sejam mais heterogêneos em termos de extensão de área do que os cinco maiores países do mundo, são mais homogêneos em termos de seus processos históricos econômicos que moldou seus traços sócio-econômico-culturais de hoje. Têm como traço de união terem invadidos pelos "descobridores". Tiveram seus ocupantes nativos  mortos ou marginalizados dos seus eixos de desenvolvimento .  Seus colonizadores foram europeus, da península abaixo dos Pirineus, eles mesmos, deslocadosdos do eixo do desenvolvimento hegemônico construido acima dos Pirineus. Como resultado os países latinoamericanos são mais homogêneos em termos de suas taxas de crescimento. Pelo menos quanto ao espraiamento de suas taxas de crescimento do PDB per capita, aqui apresentadas, em termos relativos à taxa de crescimento do PDB per capita mundial entre 1990 e 2015, como na Tab. 1.

 Tabela 1

Taxa de crescimento do PDB per capita dos cinco maiores

países latinoamericanos em relação à variação do PDB

per capital mundial 1990-2015

 
País Área em km2 Taxa de crescimento relativo anual (%)



Peru 1.285.216 0,94
Argentina 2.780.400 0,03
Colombia 1.138.914 -0,07
México 1.964.375 -0,09
Brasil 8.515.767 -0,85



Fonte: GPD.Percapita.PPP.worldbank, 2017




Três situações distintas saltam aos olhos dos que observam os dados acima. Argentina, México e Colômbia formam um grupo que acompanhou de perto a mudança do PDB per capita mundial. A Argentina não tem fatos notáveis nem a favor nem contra a sua capacidade de crescimento. Na Colombia ressalta-se a guerrilha como um fator que se contrapôs às políticas econômicas governamentais e que demandou recursos para que fosse combatida. No México há a registrar a excepcional localização como fazendo fronteira à maior economia mundial e obtendo investimento produtivo direto incrementado pelo North American Free Trade Agreement (NAFTA). Ou seja, a Colômbia, apesar da guerrilha e o México, mesmo com o NAFTA, formam com a Argentina um grupo de grandes países latinoamericanos que, sob o aspecto do crescimento do PDB per capita acompanhou de perto a capacidade média de Adaptação ao Aquecimento Global.

O Peru se distingue por uma alta taxa de crescimento do PDB per capita neste período 1990-2015. Saiu no início deste período de anos de crescimento prejudicado por descontrole inflacionário. Vencida a hiperinflação, políticas de austeridade foram impostas, a que há analises lhes creditando o êxito econômico, e retomou-se um crescimento fundado em crescente exportação de minérios e pescado, uma política alinhada com os tempos da sedimentação da terceira onda de globalização econômica financeira. Deu certo, do ponto de vista do crescimento da renda e do emprego, bem como da redução da pobreza. O PDB per capita nestes 25 anos, subiu de 63 para 80% do PDB per capita mundial. Mesmo com um desfavorável desastre natural trazido pela ocorrência do El Niño costero e do desastre político econômico representado pelos ecos economia peruana da descoberta de má prática da construtura brasileira Odebrecht, responsável por obras de infraestrutura importantes para o país, por hora “efetivamente embargadas”, o por muitos constestado modelo de desenvolvimento adotado (ZEOLLLA; ADELARDI; CAPRARULO, 2015) ainda está permitindo, no corrente 2017, previsões de crescimento favoráveis. Aplica-se ao Peru, com correção, a posição de país emergente.

O Brasil, por sua vez, se distingue por ter passado de PDB per capita superior em 22% ao PDB per capita nundial em 1990 para 99% do PDB per capita mundial em 2015. Aplica-se ao Brasil, com correção, a posição de país submergente.


Referências

Banco Mundial (2017). Peru Panorama General. El Banco Mundial en Peru. Washington: 17 abr. 2017. Disponível em: http://www.bancomundial.org/es/country/peru/overview. Acesso em: 12 jul. 2017.

BERNAL, Alicia (2013). Actual éxito económico de Perú se basa en dos pilares fundamentales. ABC Color. Assunção: 16 de setembro de 2013. Disponível em: http://www.abc.com.py/edicion-impresa/economia/actual-exito-economico-de-peru-se-basa-en-dos-pilares-fundamentales-618284.html. Acesso em: 13 jul. 2017.

International Federation of Red Cross and Red Crescent Societies (2017). Perù: Inundaciones. Boletín Informativo n.2. 12 de março de 2017. Disponível em:

MÜLLER, Alexander (2015). Cuál es el crecimiento potencial de la economía peruana? Reflexiones de política monetaria. SEMANAeconómica.com.Lima: 15 out. 2015. Disponível em: http://semanaeconomica.com/reflexionesdepoliticamonetaria/2015/10/15/cual-es-el-crecimiento-potencial-de-la-economia-peruana/ . Acesso em: 12 jul. 2017.

Publimetro.pe (2017). ¿Cómo afecta 'El Niño Costero'a la 'sólida' economía del Perú?. Lima: 22 mar. 2017. Dispnível em: http://publimetro.pe/actualidad/noticia-como-afecta-nino-costero-solida-economia-peru-57999. Acesso: 12 jul. 2017.


ZEOLLLA, Nicolás Hernán; ADELARDI, Ana Laura; CAPRARULO, Claudio Alejandro. La economía de Perú y los problemas del desarrollo. La revista del CCC. Janeiro / Junho 2015, n° 22. Actualizado: 2016-03-22. Disponible en Internet: http://www.centrocultural.coop/revista/articulo/555/. ISSN 1851-3263. Acesso em: 13 jul. 2017.




quinta-feira, 6 de julho de 2017

O Reino da Noruega: bem adaptado?




O Reino da Noruega era pobre. As atividades desenvolvidas e a forma como eram desenvolvidas conduziram à relativa igualdade entre os cidadãos. A origem, os leitores sabem, está naqueles vikings, comerciantes e grandes navegadores. O imaginário popular os coloca como gostando de portar grandes e pesados chifres, mas nada há de oficial nesta questão. Há mais informação de que eram, também, guerreiros e expropriadores. Mas o império viking foi construído no frio e nunca conseguiu amealhar terras de grande riqueza produtiva.
O bacalhau fora pescado em duras condições nas águas de mares frios. Produziu a base da pauta de exportação em tempos modernos, já pescado em maiores outras latitudes.

O Reino da Noruega continuou pobre mesmo depois que o progresso tecnológico incluiu o petróleo como importante fonte energética para o calor em processos produtivos e como praticamente exclusiva fonte energética para os diversos transportes. Mas o conhecimento dos exploradores de petróleo mudou sua sorte. Foi exatamente na causa principal do Aquecimento Global, com sua gigantesca ofensa à vida na biosfera da Terra que se baseou a grande mudança da Noruega. Foi trazida pela descoberta do petróleo em áreas, mesmo submersas, em sua reconhecida jurisdição. Resultou de que a sua exportação de petróleo é tal que esta nação com 4,5% da extensão de área territorial brasileira e com 2,5% da população República do Brasil tem uma pauta de exportação de igual dimensão.

Tem o mérito de administrar bem esta riqueza que lhe caiu como um bônus da natureza, tornada um bônus pelo avanço das forças produtivas desenvolvido em latitudes mais baixas. Mas o que é apresentado, de seu resultado como dos mais altos IDH do mundo, que compartilha com a Dinamarca, como sendo fruto de uma política de boa base de educação da população e de uma justa distribuição de renda, tem como indispensável componente básico explicativo, também, a exploração do bônus natural e de sua consequente contribuição à degradação das condições de vida, principalmente futuras, em grandes áreas do Planeta.

Quando a Noruega dedica fundo financeiro para projetos de absorção de carbono está tentando reduzir a contribuição ao mal causado pela “economia do petróleo”, na qual tem seu bem-estar assentado. O aumento do desmatamento da Amazônia no Brasil havido em 2015-2016 buliu com o que pode ser considerado um alívio para uma consciência pesada. É uma questão de “descargo de consciência” no linguajar dos matutos do interior do Nordeste do Brasil, o grupo que representa a maior expressão da dívida socioeducacional brasileira. Trouxe como reação a redução dos fundos disponibilizados para projetos de Mitigação/Adaptação mantidos pela Noruega. O anúncio formal foi feito em meio à visita oficial do Presidente da República do Brasil àquele Reino.

A relação da Noruega com a Amazônia não se limita à sua significativa contribuição ao Aquecimento Global o qual, segundo previsões do Hadley Centre, lider mundial no estudo do futuro clima da Terra, deverá levá-la a encolher em cerca de 30% até 2100.


Enquanto as previsões, em termos de mudança de clima, vão sendo observadas, o já significativo aumento de literalmente 50% do teor de dióxido de carbono na atmosfera vai estabelecendo mudanças na composição dos vegetais, que crescem mais rapidamente, quanto menor for sua densidade, reduzindo os teores de proteínas, com sério impacto sobre a fauna. Mesmo no seio da floresta amazônica madeiras menos densas, aumentando a taxa de crescimento mais do que as mais densas, reduzem a densidade média da floresta. São mais sensíveis ao stress hídrico, expondo mais facilmente a floresta ao fogo, por secarem mais rapidamente e por serem de combustão mais rápida.

A relação do Reino com a Amazônia está traçada, também, pela aplicação do fundo soberano norueguês, onde é aplicado o maná econômico do petróleo. O fundo detém larga fração do capital da empresa Hydro, uma das poucas líderes mundiais da indústria do alumínio.


Enquanto seja beneficiada com isenção de 2 bilhões de dólares do governo brasileiro prossegue uma trajetória de ofensas à floresta e aos seus povos. Um vazamento de lama tóxica tornou-se o maior desastre ecológico da área. Os habitantes


A empresa já colecionou mais de duas mil multas, aplicadas pela autoridade do meio ambiente. A extração da bauxita na Amazônia e de outros minerais é examinada, por vários autores, em termos de sua relação de geração de riqueza para uns e miséria para outros e para o ambiente. Listas de malefícios podem ser encontradas em Fernandes, Alamino e Araújo (2014) e em Switkes (2005). Um irônico resulta do chumbo que vai sendo jogado na água, o qual reduz, como se sabe, a capacidade cognitiva dos que com ela se dessedentam.


Os habitantes locais, pobres, sem o “lure” que atrai grandes notícias, são expostos a baixos níveis cognitivos enquanto os que recebem os benefícios são premiados com o mais alto nível de IDH.

A assimetria da informação favorece o comportamento heterogêneo, assimétrico. A assimetria da informação não é destruída pelas novas tecnologias. O zelo com o desmatamento é propalado com força. O efeito de destruição da floresta, incomparavelmente maior do que o do desmatamento, fica deixado sem ênfase. Têm-se que reconhecer que este é um comportamtento que aproveita a oportunidade que lhe está sendo oferecida pelo mercado. Neste sentido é um êxito de adaptação. Mas não é este o tipo de Adaptação que este blog defende ser aprofundado e difundido


 

ADAM, David (2009). Amazon could shrink by 85% due to climate change, scientists say. The Guardian, 11 de março de 2009. Disponível em:

FERNANDES, Francisco Rego Chaves; ALAMINO, Renata de Carvalho Jimenez; ARAUJO, Eliane Rocha (Eds) (2014). RECURSOS MINERAIS E COMUNIDADE: impactos humanos socioambientais econômicos. Disponível em: www.cetem.gov.br/livros/item/download/117_128aa6542fad51c7e1f1fc29e18ab373. Acesso em: 05 jul. 2017.

SENRA, Ricardo (2017). Apesar de criticar desmatamento, Noruega é dona de mineradora denunciada por contaminação na Amazônia. BBC Brasil. Disponível em: http://www.bbc.com/portuguese/brasil-40423002. Acesso em 05 jul. 2017.


SWITKES, Glenn Ross. Impactos ambientais e sociais da cadeia produtiva de Alumínio na Amazônia – Ferramentas para os trabalhadores, as comunidades e os ativistas. Disponível em: https://www.internationalrivers.org/sites/default/files/attached-files/foiling2005_po.pdf. Acesso em 03 jul. 2017.






sexta-feira, 30 de junho de 2017

Adaptação ao Aquecimento Global e o Produto Per Capita Mundial




A Biblia, o livro mais lido no mundo, registra que Jesus Cristo passou 40 dias no deserto. Isolado. Um soldado japonês, leal súdito do Imperador, continuava ignorando a perda da qualidade sobrehumana do seu Senhor, décadas após esta condição lhe haver sido reitrada. Escondido numa floresta asiática só mais de 5 décadas após o armistício que selou o fim da II Guerra Mundial, foi ter contato com um novo mundo em que o seu país voltava a despontar, desta vez já como a segunda potência mundial. Estivera isolado. Como a floresta onde estava vivendo.

O sistema atmosférico é global e se poderia dizer que nunca houve alguma área completamente isolada. Mas, se pode buscar alguma forma de isolamento. Se pode dizer que, estando o sistema atmosférico em equilíbrio em termos de ciclos anuais, ou seja, havendo apenas alterações conjunturais, que não alterem parâmetros médios decenais do clima, as interações entre cada segmento da atmosfera e o todo podem ser consideradas neutralizadas. Neste caso, não haveria rompimento da condição de isolamento se as médias de dez anos fossem permanecessem iguais. Neste ponto de vista o deserto de Jesus e a floresta do soldado japonês poderiam ser considerados isolados.

O sistema atmosférico é global e agora está passando por uma alteração que muda os parâmetros médios decenais. Está passando por Mudanças Climáticas. A interação agora, entre cada segmento da atmosfera e o todo passa por mudanças de uma outra natureza. Passa por alterações de longo prazo. Não há mais espaço para argumento de isolamento. Na alteração que cada segmento vai passando há necessária participação da interação com o restante da atmosfera.

O envólucro gasoso da Terra, em sua marcha de mudança de longo prazo de parâmetros (longo prazo como centenas de anos) vai interagindo com a superfície aquosa e térrea da Terra, levando os ambientes de segmentos da biosfera a estarem expostos a influência de seus entornos.

Uma nação, com seu sistema socioeconômico, está tão exposta ao seu entorno quando os segmentos da bioesfera, que se considerem nela contidas. As condições de vida natural, social e econômica vão se alterando com o passar do tempo, dada a continuidade das Mudanças Climáticas. Nada fica estacionário em seus parâmetros decenais. Nada está isolado. A situação de completa interdependência não fica exposta se os dados de um sistema socoeconomico forem apreciados em forma isolada, que não considere de forma explícita elementos externos a ela, tal como dados de produto per capita da economia.

Nesta época de mudanças de condições em que a vida se estabelece e frutifica, mudanças que envolvem interação clamando por consideração explicita, pedem indicadores que exponham esta irremediável interrelação. Os produtos per capita nacionais, o mais usado indicador do estado de uma economia nacional, se tornam portadores da relação de interação com os entornos das respectivas nações quando são expressos em termos que incluem informação externa ao específico sistema em que os produtos são gerados. Uma forma simples de se fazer expressa a relação de interdependência é expressar o produto per capita nacional como fração do análogo produto per capita mundial.

O produto per capita interno bruto é uma variável síntese de um aspecto da vida econômica em uma nação. Ao ser colocado como uma fração (que se torna própria ou imprópria) do análogo produto per capita mundial, fica exposta uma relação de posição entre a economia nacional e a economia do mundo das nações. A variação desta fração entre anos porta a informação sobre o desempenho econômico relativo de uma economia. Se está mais bem adaptada do que a média, tende a apresentar crescimento acima da média. E vice-versa.
Uma economia que tem capacidade para ser bem adaptada às mutantes condições econômicas, também, em princípio, deve ter capacidade para se adaptar aos efeitos das Mudanças Climáticas, trazidas ou não, pelo Aquecimento Global. Economias com boa capacidade de adaptação às mutantes condições climáticas, somadas às mutantes condições econômicas, tendem a ter um crescimento dao produto per capita mais elevado do que a respectiva média mundial.

Foi usado na postagem anterior deste blog Inovação e Adaptação ao Aquecimento Global, de 5 de junho deste 2017, Comparando Indicadores de Capacidade de Asaptação entre os 5 maiores países: o Brasil desponta um futuro de Submergent Power?, o conceito de produto per capita nacional relativo ao mundial aplicado aos cinco maiores países, baseado em dados do Banco Mundial. Viu-se como o Canadá, em que pese um brilhante prospecto de ganhos pelo Aquecimento Global, tem se saído mal no curto prazo, perdendo anualmente um por cento de produto per capita relativo ao mundial. Mas, como país de alto nível de renda per capita, continua bem acima da média. O Brasil, que estava ligeiramente acima, caiu para abaixo da média, por ter tido seu produto per capita crescido menos 0,85% ao ano em relação ao mundial. E a situação literalmente não muda ao se desconsiderar a perda de mais de 4% per capita no ano de 2015, ano final do intervalo 1990 – 2015 considerado.

Próxima postagem prevista para 07 de julho:
A Noruega e prejuízos continuados à Adaptação na Amazônia.
 

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Comparando Indicadores de Capacidade de Adaptação entre os 5 maiores países: o Brasil desponta um futuro de Submergent Power?




Os efeitos das Mudanças Climáticas poduzem perdas econômicas causadas por eventos extremos. Em princípio, sendo tudo o mais constante (coeteris baribus), tanto maior a taxa de crescimento de uma economia, tão mais margem tem para que continue crescendo, apesar dos efeitos negativos que o Aquecimento Global lhe imponha. Neste aspecto é interessante analisar as taxas de crescimento dos 5 maiores países do mundo. 

É bom que se tome um período largo, que expresse uma situação mais estrutural, levando a que percam peso variações conjunturais. O Banco Mundial disponibiliza dados que se prestam a uma visão da situação de crescimento dos produtos per capita (GDP per capita) dos países relativamente ao produto per capita mundial. Este indicador expressa como anualmente, em média, cada país vai crescendo o GDP per capital nacional em uma taxa superior ou inferior ao mundial.

Os dados disponibilizados, relativos à economia mundial, se estendem ao período 1990 e 2015, sendo relativos ao início e ao fim deste período e a alguns anos do intervalo. Pode-se tomar o ano de 1990 como o início da hegemonia do paradigma tecnológico microeletrônico e da globalização que a acompanhou. Uma nova era, portanto, reorganizando o potencial de crescimento dos países. O período 1990-2015 trata do primeiro um quarto de século sob a hegemonia deste paradigma e da globalização correspondente.

Tomando os produtos per capita em dólares correntes, expressos em termos de paridade de poder de compra, divididos pelo produto per capita mundial em cada um dos anos extremos do intervalo, tem-se para a taxa de crescimento anual percentual do produto per capita nacional,  entre os anos de 1990 e 2015, de cada um dos 5 maiores países, em relação ao produto per capita mundial, por ordem decrescente: 




A China, com seu modelo de economia fechado às ingerências externas, vem apresentando a mais larga margem para fazer frente às adversidades climáticas. Entre 1990 e 2015 o GDP per capita chinês passou de 16 para 92% do GDP per capita mundial.
 
A Russia não foi capaz de apresentar desempenho semelhante. É um país cuja vastidão o faz estar presente na Europa como o país de maior extensão neste continente e na Ásia, como também o país de maior extensão neste outro vasto continente. Tamanha diversidade torna difícil que se atinja altas taxas de crescimento, Crescendo o produto per capita a 1/3 de 1 por cento acima da média mundial não está mal. No período 1990-2015 seu GDP per capita subiu de 147 para 162% do mundial.

Os Estados Unidos da América se apresentam com uma taxa de crescimento esperado. Sua extensão territorial e seu elevado nível de renda inicial no período toram difícil superar a taxa de crescimento do produto per capita mundial.  Seu produto per capita relativo vem caindo a um ritmo de cerca de 5/4 de 1 por cento ao ano.  Passou  de 441 para  358% do produto per capita mundial.

O Brasil tem uma taxa de crescimento do produto per capita relativo literalmente igual ao dos Estados Unidos. Mas, esta taxa de crescimento que pode ser considerada é boa para os Estados Unidos, não pode ser considerada boa para o Brasil. Seu produto per capita anda no entorno de apenas cerca de 27,5%  a 28% do produto per capita americano. Quanto a este aspecto o Brasil não está bem posicionado para absorver os impactos negativos do Aquecimento Global. Em 1990 apresentava um GDP per capita de 122% do análogo mundial. Chegou a 2015 com 98%. Crescer abaixo da média, para quem está abaixo da média não é um comportamento emergente. Se o Brasil insistir em crescer abaixo da média, de agora em diante, não mais será uma potência emergente. Se insistir terá uma baixa margem para Adaptação ao Aquecimento Global, como potência submergente.
Simultaneamente a apresentar uma taxa de crescimento abaixo da média o Brasil apresenta um alto endividamento do governo, indicando um padrão de gastos acima do que seria sustentável. Para um futuro não comprometido com estrangulamentos herdados por incontinência fiscal, os economistas estão advogando remédios amargos no presente para evitar viabilizar uma saída da indesejável posição de submergente. Deve-se frisar e enfatisar que se houver insistência de fração da sociedade em não abrir mão de privilégios considerados indevidos por muitos, se desvanece o apoio geral a medidas duras para o hoje que poderiam trazer melhor amanhã.

Por último temos o Canadá. É um país de alto nível de renda, com prospecto de ampliação de sua área agricultável como resultado de effortless Adaptação ao Aquecimento Global. Esta pode ser a razão por que muitos brasileiros, acostumados à idéia de morarem num país do futuro, busquem o Canada, para onde o futuro teria se transferido. Por enquanto, todavia, seu produto per capita cresce a um ritmo anual 1 por cento abaixo do crescimento do produto per capital mundial. Nesses 25 anos passou do GDP per capita de 370% do mundial para 282%.




quarta-feira, 31 de maio de 2017

Repetição inesperada de evento extremo encontra Adaptação postergada: otimismo impróprio, falta de prioridade ou ambos


Em 2010 uma situação de evento extremo levou à destruição de cidades no norte do estado de Alagoas e no sul dda zona da mata de do estado de Pernanbuco, Brasil, em áreas estendidas do litoral a uma centena de quilômetros a oeste. O evento produziu efeitos chocantes. A ouvir o que foi prometido à época, ninguém ousaria pensar que o evento seria repetido, mesmo em menor escala. Não que se dividasse de se estar vivendo um momento onde eventos de ocorrência uma vez cada cem anos, tenham passado a ocorrer uma vez cada dez.

Em meio ao sétimo ano de seca no Nordeste se poderia estar certo da maior frequência de eventos extremos (Metade dos reservatórios da região, o semiárido com maior volume mundial de capacidade total dos reservatórios em termos per capita e em termos de proprocionalidade à área de extensão geográfica está com menos de 10% da sua capacidade). Desta vez a seca, atingindo mais da metade da área do Nordeste seria o evento extremo. Mas, um outro evento oposto à seca ocorreria simultaneamente.

Um sistema de alta pressão instalou-se, há poucos dias, no centro e sul da região Nordeste do Brasil. Empurrou nuvens e ar úmido e fez reviver cenas de desastres. Em Pernambuco foram 8 mortes e desabrigados em 24 cidades. Em Alagoas, outro tanto.

A precipitação foi substancialmente menor do que a de sete anos atrás, quando o desastre foi mais brutal. Foi o evento não ter sido tão extremado a razão principal do desastre de 2017 ter sido menor. As providências pensadas para evitar a repetição das perdas humanas e materiais não foram implementadas. Outras prioridades levaram os recursos para outras aplicações. Em sete anos, de sete represas de contenção planejadas para evitar a repetição do desastre, só uma foi construida.

A situação acima comentada envolve dois aspectos a serem destacados, atribuíveis a efeitos do Aquecimento Global. O aumento da frequência de eventos extremos é um. O outro é a presença simultânea lado a lado do ponto de vista territorial e até no mesmo espaço, de eventos extremos contrários. Esta situação é trazida aqui, não para divulgar desastres naturais entre 7 e 10 graus de latitude Sul, mas como exemplo de situação que deve ser considerada na abordadem de planejamento de Adaptação às Mudanças Climáticas


quinta-feira, 25 de maio de 2017

Clima mais quente, maiores incidências de infecções pós-operatórias




As tecnologias de informação e comunicação permitiram que o custo de obter grandes massas de dados e a elas aplicar métodos estatísticos  sofisticados e complexos fosse rebaixado a uma fração inimaginalvelmente pequena dos custos anteriores a estas novas tecnologias, aliás, já não tão novas. Estudos baseados em dados sobre milhares de indivíduos vão se multiplicando.

O virus do HIV foi descoberto pelo cruzamento de grande massa de dados sobre pacientes. Foi a primeira descoberta, em meados dos anos 80 do século passado, de doença "via computador", viabilizada pelo baixo custo de coleta e tratamento de largas massas de dados. Foi a pouco mais de três décadas atrás.

A utilização de largas massas de dados vem a permitindo estabelecer novas associações. Desta vez entre clima e incidência de infecção pós-operatória. Há um aumento da incidência associada a um aumento da temperatura. É o que traz o New York Times.

Este dado pode ser usado no planejamento do uso dos recursos médicos em uma região, permitindo um melhor planejamento, É um planejamento adaptado ao Aquecimento Global e suas Mudanças Climáticas. 

Referência:

Bakalar, Nicholas. Warmer Weather Brings More Infections After Surgery. The New York Times, May, 23, 2017. Disponível em:
https://www.nytimes.com/2017/05/23/well/warmer-weather-brings-more-infections-after-surgery.html?mabReward=ACTM_TC4&recp=5&action=click&pgtype=Homepage&region=CColumn&module=Recommendation&src=rechp&WT.nav=RecEngineia.
Acesso em: 23, maio. 2917.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Um pouco percebido caminho da Adaptação agropecuária ao Aquecimento Global

 
A Adaptação na agropecuária é geralmente pensada como engendrada por novos cultivares mais resistentes aos novos climas. Há caminhos mais variados, na verdade, meio escondidos, mas não menos eficientes. Não devem ser dispensados à priori. Devem ser considerados na carteira de opções de ações.

Entre diferentes alternativas de produção vegetal há diferentes níveis de convivência com os novos climas. Em cada área geográfica produtiva há novos climas previstos para o futuro imediato, em direção aos quais os atuais climas já estão mudando. Há áreas geográficasd em que há cultivos vegetais de aceitável produtividade para os climas atuais e para os do futuro imediato.

Um caminho que pode ser adotado é o de procurar incrementar a produtividade dos cultivos já aptos a sobreviverem nos novos climas. Os produtores vão, safra por safra, substituindo a produção agrícola menos bem adaptada pela de melhor resultado. Neste sentido, pesquisas que incrementam a produtividade da produção que vai passando a ser escolhida pelos produtores representam uma alavanca na direção da Adaptação do sistema produtivo. Este efeito alavanca pode resultar em benefícios maiores do que o obtido por meio de pesquisas dirigidas a novas "produções agrícolas" não adotadas pelos produtores por não serem disponíveis até o momento da entrega do "novo conhecimento produtivo" aos produtores.

O apoio à Adaptação pelo meio do aumento da proporção plantada de cultivo mais adaptado e diminuição do revelado menos adaptado pode ser reforçada, também, por pesquisas e novos conhecimentos dirigidos a ampliar o aproveitamento do cultivo e às fases de pós-colheita do cultivo substituidor. Pesqisas dirigidas a reduzir perdas nos processos de armazenamento, de processamento, de deslocamentos e transferências para outros agentes produtivos podem tornar mais atrativo o cultivo substituidor, representando um apoio adicional à Adaptação.

Este é um caminho válido, mas vai se estreitando com o tempo, na medida em que repousa em progressiva substituição de cultivos por outros já praticados pelos produtores. O passar do tempo leva a comletar a substituição. Com o aprofundamento das mudanças climáticas o produto que substituiu pode ter sua condição de produtvidade tornada insatisfatória. Este caminho pode se extinguir. A continuidade da atividade agrícola neste caso passa a repousar na existência de novos cultivares ou em novas espécies capazes de se mostrarem econômicamente saudáveis nos novos climas.Novas espécies ou novos cultivares podem ser o caminho da salvação da continuidade de uso produtivos de uma área geográfico.

A probabilidade de um radicalmente novo conhecimento produtivo ser adotado pelos produtores agropecuários para os quais foi dirigido é maior quando este conhecimento é desenvolvido conjuntamente pelos pesquisadores e uma amostra dos produtores. Mas, os produtores da amostra vão se tornando diferenciados. Mantém-se mais competentes do que os pesquisadores para interpretar e predizer o comportamento dos demais produtores, que não fazem parte da amostra. Mas vão deixando de ser representativos deles. A chance de errar as predições, a chance de um bom resultado não impressionar a maioria dos produtores a quem se destina e assim não ser adotado, vai aumentando com o tempo. É interessante, então, que haja diferentes alternativas de novos produtos a serem cultivados postas frente aos produtores.

Novos produtos e incremento do resultado das atividades produtivas por substituição de cultivos por outros mais resistentes, já em uso, devem, se possível, coexistir como componentes do menu de possibilidades posto aos produtores agrícolas como parte do processo de Adaptação.