terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Uma usina nuclear em Itacuruba, município do estado Pernambuco, Brasil.





A Constituição do Estado de Pernambuco reza em seu artigo 216:

Fica proibida a instalação de usinas nucleares no território do Estado de Pernambuco enquanto não se esgotar toda a capacidade de produzir energia hidrelétrica e oriunda de outras fontes.

A capacidade de produzir energia elétrica oriunda de outras fontes está longe de ser esgotada. Usinas Eólicas podem ter sua capacidade total plenamente expandida, pois há uma área significativa do estado, com bom potencial de ventos, ainda inexplorada. Há maior potencial, ainda, de produção energia elétrica de origem fotovoltaica. Há ainda potencial para a instalação de florestas energéticas, tão zero carbono emissoras como as duas primeiras fontes citadas neste parágrafo.

Em total desreipeito à Constituição do Estado de Pernambuco, promulgada expressando legitimamente a vontade de seu povo, há tentativa de localizar no sertão do estado, no município de Itacuruba, uma usina nuclear. Itacuruba (latitude -08° 49’ 57”, longitude 38° 42' 24''), a Sudoeste da capital do estado, Recife (latitude 08° 03' 14'', longitude −34° 52' 52''). (Governo, 2016).  Localiza-se às margens do reservatório de Itaparica, com capacidade de 10,7 trulhões de litros de água expostos a um acidente nuclear, a mais de 300 km a montante da foz do Rio São Francisco. Itacuruba abriga os que foram deslocados da Itacuruba alagada pelas águas da Barragem de Itaparica, hoje sob cerca de uma dezena de metros da superfície enquanto a barragem esteja com 20% de sua capacidade. É uma cidade sertaneja de relocados. É tão relegada que não se presta muita atenção nem à sua localização. Há até documento oficial a pondo a Noroeste de Recife. Mas é ocupada por seres humanos, dignos toda a consideração. Suas vidas não valem menos, são tão valiosas quanto todas as demais vidas humanas.

A formalidade de uma audiência pública é, neste caso, um desabonador ato de desobediência e violação. No caso, ato perpetrado por um governo da Federação, violando um legítimo item constitucional de um ente federado. Caberia uma tomada de opinião para uma mudança da Constituição do Estado, a partir da qual, por um referendum popular ou por votação na Assembléia Legislativa a Constituição pode ser alterada. Não havendo mudança na Constituição Estadual cabe ao Governo Estadual defender, por todos os meios legais, a vontade do povo do estado, expressa na sua Constituição, inclusive proibindo qualquer atividade, promovida por qualquer entidade, que viole esta Constituição, tal qual uma audiência pública que não é uma mera discussão, em que cabe a liberdade de emitir opinião, mas parte integrante de um processo decisório que visa violar a constituição estadual, processo este que visa instalar uma usina nuclear dentro da área do estado de Pernambuco. Não deve o governo estadual acobertar tal violação.

Um segundo ponto sobre a ideia de expor Itacuruba aos efeitos de uma usina nuclear, de que Three Mile Island e Chernobyl são exemplos, diz respeito a aspectos geográficos, não políticos, desta infeliz localização pretendida para uma usina nuclear foi tratado neste Blog Inovação e Adaptação ao Aquecimento Global em postagem de 6 de janeiro de 2012 com título Centrais Nucleares são Indispensaveis, em que se advoga a localização de centrais nucleares acerca da foz dos rios, nunca em seu meio curso, quando forem indispensáveis. A questão é novamente tratada, desta vez em postagem de 7 de fevereiro de 2012, com título Centrais nucleares são indispensáveis - uma afirmação contestada, como comentário qualificado, expondo ponto de vista contrário à instalação de usinas nucleares.

Enfim, uma central nuclear em Itacuruba, nem pensar. A localização pode ser boa do ponto de vista político, pois só há meio milhar de habitantes por lá. Mas deve ser tornada inegociavelmente ruim, do ponto de vista da obrigação constitucional do Governo do Estado de defender a Constituição Estadual. A própria usina, em qualquer que seja a localização não é uma boa ideia. Mas se tivermos, brasileiros, que ter mais uma, que não seja violando a Constituição do Estado de Pernambuco, nem arriscando comprometer a vida do São Francisco, o chamado rio da unidade nacional, e no entorno dele, em cerca do último quarto de seu curso.



Se concordou, ou discordou, compartilhe em sua rede social. A discussão desta questão deve ser a mais generalizada possível. Está em jogo parte dos territórios de Alagoas, Bahia, Pernambuco e Sergipe.

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

A Adaptação ao Aquecimento Global indica vantagem a se adotar a prática indígena das queimadas controladas


O conhecimento de tecnologia que proporciona o domínio, a pólvora, deu aos europeus e seus descendentes, no continente americano, o poder de invadir e se apossar das terras indígenas. Mas, conhecimento não é sabedoria. Não deu aos europeus sabedoria para conviver com o conhecimento indígena.

Nas terras do império Inca destruíram até às ultimas sementes o algodão que podia ser cultivado nas baixas temperaturas de serra, a 3.000 metros de altitude. Até hoje este conhecimento não foi recuperado pela Humanidade. O algodão continua uma cultura exclusiva dos climas quentes.

No Brasil, fizeram pouco da prescrição de coletar bambu nos tempos de lua nova. Que diferença pode fazer a fase da lua? Só na cabeça de índios supersticiosos! Só recentemente descobriram que na lua cheia há mais fluidos no bambu e, assim mais alimento para os seres que podem reduzir a sua vida útil.

Nos Estados Unidos proibiram a prática da queimada preventiva milenar dos indígenas. Foi criminalizada. Agora a Califórnia está sujeita a incêndios monumentais, proporcionados por dois fatores que se somam: o favorecimento aos incêndios monumentais, resultante da falta das queimadas preventivas, e a mudança climática produzida pelo Aquecimento Global, com agudização das secas.

É tempo de voltar atrás e reconhecer a superioridade da prática indígena de convivência com a natureza, no que tange ao fogo para evitar o fogo. A Adaptação ao Aquecimento Global indica vantagem a se adotar a prática indígena das queimadas controladas. A Califórnia está na hora de aproveitar as condições favoráveis ao controle de queimadas para fazê-las de forma sistemática, evitando que a natureza as faça de forma não controlada. Afinal, já que o fogo é inevitável, é melhor que ocorra nas condições mais favoráveis para a ecologia e para a economia. Simplesmente assim, embora possa vir a justificativa vestida de fervores religiosos.



CAGLE, Susie. 'Fire is medicine': the tribes burning California forests to save them. Em: The Guardian, 21, nov., 2019. Disponível em: https://www.theguardian.com/us-news/2019/nov/21/wildfire-prescribed-burns-california-native-americans. Acesso em 21, nov. 2019.

quinta-feira, 31 de outubro de 2019

Saco de plástico ou de papel. Eis a questão.






Sacos de plástico tomaram universalmente o lugar dos sacos de papel. Distribuídos nos estabelecimentos comerciais com custo já embutido nos preços dos bens são tomados como gratuitos pelos consumidores. A maioria destes, em grande parte dos países os descarta livre e descuidadamente no meio ambiente. Em áreas rurais passam a constituir parte desagradável da paisagem enquanto trazem problemas ecológicos onde são dispensados. Em áreas urbanas entopem redes de águas pluviais, causando alagamentos, entre outros estragos. Quando são carregados pelas águas terminam por poluir rios, lagos e mares, já constituindo, pelo seu lento, multidecenal, processo de degradação, um sério problema ambiental.



O custo ecológico dos sacos plásticos nos anos mais recentes, veio a ser visualizado por ativistas ambientais e já começaram a ser proibidos em algumas cidades. Estão sendo substituídos por sacos de papel, que se decompõem mais facilmente. Mas o custo ambiental dos sacos não decompostos não é o único custo ambiental dos sacos. Até chegarem ao uso por parte dos consumidores, o sacos sejam de papel ou de plástico têm custos ambientais referentes às suas confecções. Uma relação de custos comparativos é trazida por matéria da BBC no artigo https://www.bbc.com/news/business-47027792, apresentando os altos custos ambientais dos sacos de papel.



O descarte irracional pode ser evitado com uma combinação de educação, conscientização, custos privados a que os usuários fiquem expostos e repressão. Evitando o livre descarte tem-se uma substancial dos custos ambientais dos sacos plásticos. A conveniência dos consumidores também deve ser levada em conta. Para alguns usos e para alguns consumidores os sacos de papel podem introduzir grandes diferenças desfavoráveis, que podem ser consideradas juntamente com os custos ambientais. Impondo-se custos adequados aos consumidores pode lhes ser dado liberdade de escolha, resultando numa melhor situação quando os custos privados atuais são levados em conta juntamente com os custos ambientais.



Quando o uso do plástico é levado em conta de forma mais geral, abrangendo as embalagens plásticas há mais divergência entre o resultado do uso de diferentes plásticos e diferentes outros materiais. Um estudo de 2004 sobre a embalagem de erva-mate em embalagens plásticas mostrou grande superioridade face a outros materiais de embalagem:



O desenvolvimento de uma embalagem, utilizando características estruturais do PETmet/PE, adequada as características da erva-mate é uma alternativa eficiente para prolongar a vida útil da erva-mate, apresentando também como vantagem a manutenção da qualidade microbiológica e físico-química deste produto (SANTOS, 2004, p.89).



As diversas situações específicas devem ser estudadas e levadas em conta de forma racional para que, deixado de lado as radicalizações derivadas de decisões pouco ou não fundamentadas em informação adequada, se atinja melhor nível de bem-estar coletivo intertemporal. As universidades e centros de pesquisa podem colaborar com a importante questão de se considerar adequadamente os custos ambientais nas decisões de produção e uso de materiais acondicionadores.

A racionalidade conclama a que sejam explorados os limites do reuso dos sacos e outros acondicionadores plásticos; em seguida, que sejam explorados os limites da reclicagem dos sacos e outras embalagens plásticas. As situações radicais, de uso exclusivo de sacos e embalagens plásticas e imediato descarte, ou de banimento destes acondicionadores são muito atraentes a rebombar nas mídias, mas, em geral, não são exemplos de racionalidade.






BBC (2019). Plastic bags: Germany is passing a law to ban them. Disponível em: https://www.bbc.co.uk/newsround/47777112. Acesso em 31 out.

SANTOS, Kleber Alves dos (2004). Estabilidade da Erva-Mate (Ilex paraguariensis St. Hill.) em Embalagens Plásticas. Curitiba: Setor de Tecnologia, Universidade Federal do Paraná. Dissertação (Mestrado). Disponível em http://www.ufrgs.br/alimentus1/objetos/erva-mate/Arquivos/ervamate_kleberdissertacao.pdf. Acesso em 31 out. 2019.

EDGINGTON, Tom (2019). Plastic or paper: Which bag is greener? BBC. Disponível em: https://www.bbc.com/news/business-47027792. Acesso em 31 out. 2019.

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Adaptação ao Aquecimento Global: Florida, US, ganha departamento especializado.



O bom senso deve prevalecer para o bem das pessoas, sociedades e entidades.

O governo da Florida, estado Norte Americano do Sudeste, é liderado por um governador do Partido Republicano, partido que nos USA reúne grande fração de adeptos que negam o Aquecimento Global.

Pelo sim, pelo não, ou seja, é mais prudente pelo menos ter dúvida, e assim sendo, agir como se os efeitos do Aquecimento Global estivessem já presentes e prometessem maior impacto no futuro.

Desta forma, o governo do estado da Florida conta agora com o seu primeiro “Chief Resilience Officer”.

Veja uma reportagem esclarecedora em https://www.miamiherald.com/news/local/environment/article233421542.html.

Saudemos a 'wise decision".

domingo, 4 de agosto de 2019

European discourse and reality in adapting to heat waves

In dealing with hotwaves a lot of progress was achieved since the remarkable 2003 Paris heatwave, when the deads were counted in the thousanths.In the the  lest one, some few days ago, July 2019, with record temperature, the fingers could count the deads, and they didn't reach the tenth. With new record temperatures expected as the Global warming Process continues, some progress maust still be, and must be achieved:

https://www.theguardian.com/cities/2019/jul/31/i-followed-the-advice-for-paris-hottest-day-it-didnt-help 

Megan.  I followed the advice for Paris’s hottest day – it didn’t help. InWed 31 Jul 2019

quarta-feira, 17 de julho de 2019

Entramos na Era dos Incêndios Monumentais



Os assustadoramente grandiosos últimos incêndios florestais na California mereceram a atenção da pesquisa científica sobre possível causa antropogênica, leia-se Aquecimento Global e as consequentes Mudanças Climáticas.* Concluiu o estudo que a principal causa destes aterradores eventos, que trouxeram perdas de vidas e extenso dano em bens materiais e ainda mais em bens de irreplicável valor estimativo, são mesmo de origem antropogênica. Não tem jeito. A situação vai piorar porque a temperatura média ainda vai aumentar mais, ou seja, inexoravelmente a Mudança Climática ainda vai se aprofundar, mesmo que a Humanidade deixasse de emitir dióxido de carbono neste exato momento da publicação desta postagem, devido a efeitos retardados. Mas, o que se vê é o rompimento de acordos climáticos priorizando o crescimento econômico a curto prazo, com a intensificação do uso de fontes energéticas fósseis. Então nós veremos um maior aprofundamento nas Mudanças Climáticas.

A Adaptação para as habitações e seus usuários, neste caso de incêndios florestais, obviamente não restritos aos californianos, corre em várias direções, que são aqui mencionadas sem a menor pretensão de sermos exaustivos:

- Proteção pessoal e de bens de alto valor por unidade de volume (valor econômico ou estimativo):
pode na direção da construção de bunkers resistentes ao fogo, que ofereçam absolutamente segura proteção, por alguns poucos dias. Adicionam custos aos atuais custos destinados às habitações e pressupõem serem revistos e postos em prontidão para uso antes da temporada de condições propícias aos incêndios;

- Resistência ao fogo das habitações, pela via da utilização de material não combustível: alta resistente ao fogo e a choques mecânicos (queda de árvores e partes delas) em toda a sua superfície externa;

- Resistência ao fogo das habitações, pela via de adequada disposição de estoque de inflamáveis: constituição de condições de garantida resistência a fogo florestal dos estoques de material inflamável mantidos nas unidades habitacionais (álcool, combustível de geradores, etc);

- Resistência ao fogo das habitações, pela via da formação de adequadas áreas de isolamento entre a floresta e o ambiente das unidades habitacionais;

- Manutenção de estoque de água para resfriamento das partes externas e eventuais focos isolados formados no interior da unidade habitacional e uso dos bombeiros.

* Incêndios monumentais também ocorreram, após esta postagem, na Austrália.

WILLIAMS, A. P.; ABATZOGLOU, J. T.; GERSHUNOV, A.; GUZMAN‐MORALES, J.; BISHOP, D. A.; BALCH, J. K.; LETTENMAIER, D. P. ( 2019). Observed impacts of anthropogenic climate change on wildfire in California. Earth’ Future, 7. https://doi.org/10.1029/2019EF001210


terça-feira, 14 de maio de 2019

Migração Climática e Reações



O Aquecimento Global vem produzindo já notáveis mudanças climáticas. Uma tradicional fértil área da Guatemala, recentemente, em termos históricos, perdeu capacidade produtiva agrícola devido à atual insistência da presença da seca, que passou a dominar o cenário climático da área.

A Adaptação ao Aquecimento Global, neste caso tem sido a migração. É uma Adaptação em níveis individual, familiar e coletivo. Indivíduos decidem emigrar da área condenada. Famílias decidem sair da área que abrigou seus antepassados. Como resultado, pelo expressivo percentual de emigrantes, torna-se um fenômeno coletivo.

O movimento emigratório é uma Adaptação em dois sentidos. Uma reação de indivíduos e famílias a uma mudança nas condições de vida da área onde habitam, mudança que retirou desta área, parte da capacidade de dar suporte continuamente a um mesmo número de habitantes historicamente determinado. Adicionalmente, os que saem proporcionam um redução da relação “homens por hectare”, facilitando a capacidade de sobrevivência dos que permanecem.

A emigração produz reações na área para onde se destinam os migrantes. No caso de um país pequeno e pobre como a Guatemala, ofusca e atrai o poderio econômico norteamericano, uma nação de imigrantes. A reação à migração na nação destino, por sua vez, passa a ser uma das pedras angulares da política no país que é destino almejado. No exercício da tentativa de Adaptação um guatemalteco imigrante morreu quando preso. Um fato que complica o quadro da Adaptação à intenção de imigração na área almejada como destino. Um custo imprevisto para todas as partes envolvidas.

O Aquecimento Global produz uma complexa cadeia de consequências. Os efeitos e reações terminam representando um custo tal que deixam sem expressão de representatividade as estimativas de custo elaboradas simplesmente em termos de perda de produção agrícola, hoje adotadas. Estas atuais estimativas não levam em conta a sequência adicional de interações causadas pelo efeito inicial.