quinta-feira, 14 de junho de 2018

Temperatura Quente, Cabeça Lenta. Cognição e Novas descobertas de fragilidade trazida pelo Aquecimento Global

Entramos na era do conhecimento. Parece incrível, mas simultaneamente entramos numa era de maior dificuldade para adquirir conhecimento. Isto mesmo. Se duvida, leia Hotter years 'mean lower exam results'. Se dúvida persiste, ou se quer ganhar mais informação sobre a relação entre temperatura e eficiência dos processos de aprendizado, vá adiante, leia Heat and Learning. A pesquisa, com base em notas obtidas por milhares e milhares de estudantes norteamericanos, além de comparar as notas de estudantes expostos a ambientes de estudo com diferentes temperaturas, sem ar condicionado, com as notas de estudantes cujas classes contavam com o benefício do ar condicionado. Nem estes escapam de prejuízos advindo de mais elevada temperatura do ambiente natural. Mas os estudantes que contam com ar condicionado em suas salas de aula e suas casas, têm apenas 0,5% de queda nas notas por cada grau centígrado acima de 21 grau centígrados no ambiente natural, enquanto o prejuízo dos que não contam com ar condicionado é quatro vezes maior, é 2% de queda, em média, nas notas, por cada grau centígrado de mais elevada temperatura.

O aumento da temperatura média causado pelas Mudanças Climáticas, então, contribui a um aprofundamento da desigualdade de conhecimento entre os niveis mais altos de renda que podem contar com ar condicionado nas classes e em casa e os que não podem contar com este benefício. Uma primeira imediata conclusão é que, para reduzir a contribuição do Aquecimento Global à desigualdade de conhecimento é necesssário que todas as escolas públicas tenham ar condicionado. E que sejam mantidos continuamente em bom estado de funcionamento.

O aumento geral das temperaturas dos ambientes naturais causado pelas Mudanças Climáticas tende a aumentar a desigualdade de conhecimento populacional médio entre países desenvolvidos e os que estão fora desta classificação. Nestes é difícil haver recursos orçamentários suficientes para dotar as classes de escolas públicas com ar condicionado. Mais difícil ainda é mantê-los continuamente em bom estado de funcionamento durante o período em que este funcionamento é requerido para manter o ambiente da classe numa temperatura condizente com alto nível de eficiência de aprendizado.
 
Os primeiros clássicos em Economia levavam em conta o clima como um dos componentes de um ambiente econômico. Vai mais longe no tempo o registro deste efeito. Há relatos no início da história colonial do Brasil, de que os brasileiros falavam de forma mais lenta do que os portugueses que não tinham se tornados brasileiros (nesta época, brasileiro não era quem tinha nascido no Brasil, mas o português, de fala nativa apressada, que tinha vindo ao Brasil ganhar dinheiro e tinha voltado para desfrutá-lo em Portugal). Falar mais devagar era o efeito do clima quente obrigando a adaptações que permitissem viver melhor nestas condições em que o próprio ambiente aumenta o peso do trabalho.

Euclides da Cunha, autor do épico 'Os Sertões', traz detalhado processo de efeito das temperaturas das temperaturas altas das regiões equatoriais brasileiras no metabolismo humano, resumindo sobre isto o conhecimento da época, ao redor dos anos 1900, quando seu livro foi escrito. Novos trabalhos há com a preocupação de Adaptação a um mundo mais quente e suas consequências.

Pode-se destacar um trabalho apresentado numa reunião da Associação de Economistas de Língua Portuguesa, sobre Adaptação ao Aquecimento Global. Apresenta informação, em forma gráfica, do efeito observado da temperatura sobre a eficiência humana. Mostra que há uma perda de cerca de 2% de eficiência por cada grau centígrado de temperatura acima de 25 graus. Coincidentemente o estudo sobre o efeito da temperatura no aprendizado traz como resultado uma diminuição de 1% nas notas obtidas por cada grau Farenheit adicional de temperatura, em idênticas condições à relação previamente expressa, resultado praticamente idêntico ao anterior, pois um grau centígrado equivale, a grosso modo, a dois graus Farenheit. A perda da eficiência do aprendizado com aumento da temperatura ambiente é da mesma ordem de grandeza da perda de eficiência em atividades produtivas em geral.

O efeito negativo da temperatura não se esgota na perda de eficiência. A qualidade de vida pode sofrer perdas devido à ação de temperatura mais alta, adicionada a perdas diretamente devidas a causas de mais elevada temperatura. Veja-se um exemplo de perda de qualidade de vida devido a temperatura mais alta e à incidência da maior radiação que a causa. Aconteceu com o autor desta postagem ter de, durante algum tempo, fazer uma certa caminhada no horário da maior insolação. Da esquina da Rua Amélia com a Av. Rui Barbosa, Graças, Recife, Brazil, até a esquina da Rua Amélia com a Av. Rosa e Silva são 564 metros, segundo o Google Maps. A caminhada no meio dia, já no horário mais quente do verão, mês de janeiro, verão no hemisfério Sul, era feita agradavelmente sob a contínua sombra de árvores. Chegava à esquina da Rua Amélia com a Av. Rosa e Silva sem um pingo de suor. Prosseguia pela Rua Amélia até a esquina com a rua do Espinheiro. Um trecho de 205 metros no qual a sanha da modernidade equivocada, apaixonada por letreiros e anúncios,  arrancou todas as árvores, a exceção de uma, à frente de tradicional supridor de frangos fritos, um chinês que, estrangeiro, respeitou a proibição formal de arrancar árvores, do governo municipal e do governo estadual. Caminhar por estes 205 metros era um inferno. Desde as primeiras horas da manhã o sol de 8 graus de latitude esquentava impiedosamente o solo. Somado a temperatura do ar o calor vinha dos raios solares incidentes no caminhante, da radiação que emanava do solo de cimento aquecido, da reflexão do sol nas fachadas e da radiação que delas, aquecidas, emanava. Ao fim dos 205 metros eu estava inteiramente molhado de suor, literalmente das meias à gola da camisa. Dobrando à esquerda na Rua do Espinheiro, mais cento e noventa metros, sob contínua sombra de árvores, sem acréscimo de suor. Alguns metros mais estava em casa. Exposto ao suor acumulado nos 250 metros da modernidade equivocada. Não se tratava de uma competição em horário tornado impróprio pelas novas temperaturas, cuja adaptação envolve mudar o horário. Se tratava de um deslocamento para o trabalho e de volta para casa, atormentado pela falta de continuidade do ensombramento. Não havia a chance de mudar de horário.

Na mesma temperatura do primeiro meio quilômetro de caminhada, ensombreada, confortável na hora mais desgastante do clima equatorial litorâneo, os duzentos metros seguintes foram severamente desgastantes. O termômetro marcava nos postos de observação climática, a mesma temperatura, quando estava num e noutro trecho da caminhada.  Na mesma temperatura anunciada pelos sistemas de observação das condições de tempo, duas condições profundamente diferenciadas. Suponha que a Prefeitura tivesse cumprido o seu papel de zelar pelas condições urbanas, especialmente das vias urbanas e a caminhada de três quartos de quilômetro tivesse sido feita em calçadas continuamente ensombradas. O almoço teria sido feito com o conforto  de ter sido precedido de uma suave caminhada. Mas não, bastaram duas centenas de metros de exposição a um ambiente sem ensombramento, para que os nomes das lojas pudessem ser vistos sem a perturbação visual de árvores, para que  as condições tornassem o almoço precedido de desconforto.

Perdas, inclusive de eficiência, causadas por situações que fogem à media, a exemplo de como a descrita foge do ensombramento médio, exigem uma metodologia diferente para a estimação. São necessárias, em geral, pequenas amostras em condições "de laboratório", ou seja, com indivíduos estudados sob condições se não controladas, mas observadas com mensurações de frequência conveniente para o que esteja sendo pesquisado e aplicadas de forma a revelar as condições específicas a que os agentes pesquisados estão expostos. Mas são estudos importantes para que se possa manter a mais alta possível qualidade de vida, em condições sustentáveis, a todos os membros da sociedade. As condições externas às classes podem ter fortes impactos nos níveis de aprendizado. E é preciso que as condições externas às classes contribuam, quer elas sejam ou não dotadas de ar condicionado, a um melhor aproveitamento dos estudantes e a uma menor diferença de rendimento escolar entre os que contam e os que não contam com ar condicionado em suas classes.

O objetivo de dotar todas as classes de aula em um país tropical de ar condicionado deve ser perseguido com afinco. O ensombramento contínuo para o conforto dos pedestres e dos ciclistas deve ser um padrão a ser implantado tão rapidamente quanto possível.


segunda-feira, 21 de maio de 2018

Could plastic roads help Adaptation to Global Warming?

É, sem dúvida, uma idéia na direção da Adaptação ao Aquecimento Global: uso do plástico na pavimentação. Ao invés de usar um dos componentes mais pesados em que se pode decompor o petróleo, o betume, vem a idéia inovadora do uso do plástico reciclado na forma de grãos.

A idéia tem a seu favor a redução da poluição causada pelo plástico, que hoje atinge os mais distantes rincões. Poeira de plástico desintegrado pelos raios solares é encontrada nos gelos continentais e nos gelos marítmos. Cada quilo de plástico usado na pavimentação iria contribuir a reduzir a poluição. E um mundo menos poluído é um mundo mais resiliente ao Aquecimento Global.

A idéia inovadora deve ser testada na prática. Tem a seu favor empregar o mesmo maquinário usado na pavimentação asfáltica; os mesmos insumos afora o betume substituído; e o mesmo processo. É um ovo de colombo.

Esta idéia inovadora merece um largo e profundo programa de pesquisa. Na natureza cessa a profunda semelhança entre o inovador asfalto plástico e o convencional asfalto betuminoso.

Temos que saber o que acontece com o poder poluidor do asfálto plástico, comparado ao asfálto betuminoso. O plástico, desgastado pela passagem de pneus e pelo sol libera partículas que voarão longe, como as particulas de asfalto betuminoso. Mas seriam elas menores?; voarão em média mais longe?; como afetarão o albedo das superfícies geladas, quando comparado com a poeira dos aslfalto betuminoso?; e nossos pulmões?; estaremos mais expostos ou menos expostos aos canceres derivados da poluição aérea?. Precisamos usar os dois para ver como se comportam comparativamente na prática.


sexta-feira, 11 de maio de 2018

Desenvolvimento econômico e Adaptação: Informação e Politca Econômica

E compreensiveĺ que o Desenvolvimento Econômico concorra a construir um ambiente mais favorável à Adaptação às Mudanças Climáticas. O Desenvolvimento Econômico está positivamente correlacionado à renda per capita, assim está correlacionado à disponibilidade de recursos para a pesquisa sobre Adaptação, bem como com recursos para assimilação de práticas adotadas em outros países,  bem como positivamente correlacionado com capacidade de adoção, pelos produtores, de praticas produtivas desenvolvidas pela pesquisa nacional ou assimiladas de outras economias. Uma recessão faz cair o produto per capita, dificultando, neste sentido, a Adaptação. O Brasil viu o seu crescimento populacional reduzido a 0,9% ao ano, conforme artigo publicado no prestigioso jornal brasileiro O Estado de São Paulo, tratando de itens negativos entre as notícias relacionadas à atual recessão,  a pior da história republicana brasileira (http://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,as-piores-noticias-da-recessao,70001692555). É o primeiro item do artigo, a questão da renda per capita e seu binário,  o crescimento populacional http://www.censo2010.ibge.gov.br/sinopse/rescimento populacional brasileiro foi de 1,7% (1.7%) entre 2000 e 2010, já tendo se reduzido a 0,8% (0.8%) em 2016. Esta corretíssima a análise do jornal. É fundamental exprimir a queda da renda em termos per capita em vez exprimi-la só em termos de produto total. A queda em termos de produto per capita exprime de forma mais adequada a redução  na capacidade de Adaptação às Mudanças Climáticas, além  de redução na possibilidade de retomar à trajetória prévia de crescimento da renda per capita, esta levada em consideração no artigo do jornal.

A  capacidade de crescimento do produto nacional está relacionada à capacidade de investir. A Formação  Bruta de Capital Fixo - FBCF cai numa recessão, uma queda que simultaneamente é causada pela redução do produto nacional e simultaneamente causa a recessão.  A atual recessão brasileira  se expressa pela queda de  7,3% (7.3%) do PNB, enquanto a  FBCF caiu 20%, como fração do PIB, agravado por ser uma fração menor de um PIB menor.

Em princípio uma retomada representa uma oportunidade de um redirecionamento do aparelho produtivo, inserindo nele uma maior capacidade de Adaptação ao Aquecimento Global. Todavia, a total falta de consideração para com esta questão leva a que seja considerada apenas a relativa perda da capacidade de investimento no futuro imediato, o que pode se traduzir apenas por uma força a mais contrária ao desenvolvimento da capacidade de Adaptação.  

IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (2011).  Sinopse do Censo Demográfico: 2010/IBGE. Rio de Janeiro: IBGE. Disponível em  http://www.censo2010.ibge.gov.br/sinopse/. Acesso em 09 mar.2017.

IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (2017). População brasileira cresce 0,8% e chega a 206 milhões. Disponível em  http://www.brasil.gov.br/infraestrutura/2016/08/populacao-brasileira-cresce-0-8-e-chega-a-206-milhoes. Acesso em 10 mar. 2017.

            

O  Estado de São Paulo (2017). As piores noticias da recessão. Disponível em http://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,as-piores-noticias-da-recessao,70001692555. Acesso em 09 mar. 2017

quinta-feira, 3 de maio de 2018

As for "fake weather reports"? Do they help Adaptation to Global Warming

According to The Guardian, April, 30th, Egypt is in process to crack down on "fake weather reports". As a matter of fact, weather reports vary between a note about the temperature in some place at some moment, and highly detailed  information about precipitation, gusts and average wind speed and direction, relative humidity, atmospheric pressure, and other related things as well, as, for instance, anomalies.      

Weather reports, not forgetting the forecasts and climate previsions and predictions, are demanded by those who answered the research on the thought of agricultural researchers about measures to neutralize the negative effects of the Global Warming carried in the Brazilian equatorial region (taken as from latitude 15 N to 15 S). The agriculture needs previsions for the next month, to orientate the cultural traits; needs predictions for the next months, to direct choices of short term cultures, needs predictions for the years ahead, to elect the perennial cultures. The logistic industry needs reliable predictions for planning the next week, the next month, for the nature and amount of investment to adapt to anomalies and extreme events, a need also felt by the insurance industry. They need predictions in a resolution of a square mile, not in resolution of a thousand square miles as the present climate predictions which are delivered by the official meteorological offices anywhere.

And now, what to say?

The producers need reports that the governments presently do no give them. They need reports, with nature of previsions, in a resolution higher than those already disposable. But the society and the producers, need accurate previsions, as accurate as can be done by the use of the best data and the state of the art knowledge. They find harmful any innacurate report, be it from people trying to use it as a political tool against a government, be it from a government to attain public support.

What is better for those who need weather reports? Government monopoly or freedom to elaborate weather reports?

Free and responsible debate is necessary to point a solution. And the solution may vary with geography and time. The free debate, inspired in the ancient Greek "ágora" is, by itself, a tool for the creation and control of solutions for Adaption to the Global Warming. It should be encouraged everywhere.
.          

sexta-feira, 30 de março de 2018

Adaptação, Patentes e o poder de cura do açucar

Os efeitos do Aquecimento Global são causadores de stress social. Vítimas de desastres quando são indenizadas têm, como norma geral, parte do prejuízo atenuado, mas outra parte não tem indenização. Saem prejudicadas por algo que não causaram. Pense nos fazendeiros que em Santa Catarina, cerca de dez anos atrás, após fortes tempestades com muito pesadas precipitações perderam suas safras, seus equipamentos, suas plantações, seus animais e tiveram até a topografia de suas terras alteradas. Toda a indenização que lhes seja dada é apenas parcial.

 Quem vai indenizar o choque psicológico de ver destruído o que construiram com anos e anos de trabalho?

Quem vai indenizar o stress adaptativo de fazer frente a uma nova realidade em que subitamente novos conhecimentos lhe são demandados num ritmo incompatível com a velocidade de aquisição, por súbito que surge a necessidade de tê-los já acumulado, para que possam fezer frente a novas decisões que de repente lhes são necessárias que tomem?

Quantas perguntas dessas "quem ...." podem ser feitas e que não terão resposta?

Os desastres causados pelas Mudanças Climáticas, quando há indenização das vítimas, há uma socialização das perdas indenizadas. E fica sempre uma parte sgnificativa da perda total sem reparação. Como o Aquecimento Global vai aumentando o número de desastres naturais, vai trazendo stress sobre  um número crescente de pessoas.

Isto é só a parte aparente de um gigantesco iceberg.  Há bilhões de habitantes da Terra que em poucas décadas adiante vão sofrer as consequências de insuficiente acesso à água. Não são os estrelares eventos extremos, chocantes, que alimentam noticiários. São os insidiosos efeitos negativos que, na surdina, vão retirando capacidade de produtividade da terra, vão aumentando a exposição a doenças, etc. Enfim, entramos numa nova era, a da Inovação para se contrapor aos efeitos negativos das Mudanças Climáticas. É a era da Adaptação ao Aquecimento Global como instrumento de sobrevivência.

Os ingleses desenvolveram, há séculos, um sistema interessante de impulsionar a inovação. O patenteamento. Funciona bem quando há meios de apropriação adequada dos frutos da inovação. Mas isto nem sempre é possível. Às vezes o patenteamento atrasa o desenvolvimento. Pense no caso dos irmãos Wright. Patentearam um sistema de controle de inclinação lateral das asas de um planador/avião.

Duas peculiaridades faziam de pouca serventia sua original e importante idéia central de controlar a inclinação lateral das aeronaves. Primeiro seu modelo patenteado era aplicável exclusivamente a asas tão flexíveis como as asas de lona ou seda, ou nylon de paraquedas. Pense num Boeing ou num Airbus com asas de lona, para poder usar um invento que exigia um alto grau de flexibilidade das asas.  Segundo o torcer as pontas das asas de forma conveniente a incliná-las para um lado, ou para o outro, conforme  a curva que o planador ou avião fosse fazer era, no seu modelo patenteado, mecanicamente acompanhado de mover o leme de direção para prover a mudança de direção desejada. Era um comando só para os dois distintos elementos de interferência no vôo: o elemento  que controlava girar ou não em relação ao eixo vertical e o elemento que controlava girar em relação ao eixo longitudinal. Mas o vôo para ser controlado precisa de independência nestes dois comandos. O seu sistema de controle só permitia sucesso em vôos em baixa velocidade, quando a tendência da aeronave a permanecer estável, com as asas pouco inclinadas para um lado ou para o outro superava a tendência a rotação contínua em torno do eixo longitudinal. Um caça moderno, de alta velocidade, giraria como uma broca na ponta de uma furadeira, ao tentar fazer uma curva para a direita ou para a esquerda. Só em 12 de novembro de 1906, na Europa, voou um avião com comando separado para a inclinação lateral e para o giro à direita ou à esquerda. E este comando de inclinação lateral estava construido em pequenas asas, ailerons, que se moviam independentemente das asas que proviam sustentação. Não exigia que as asas fossem construídas com flexibilidade. Podiam ser metálicas e os ailerons funcionariam da mesma forma. É a solução adotada em todos os aviões. Mas nos USA os juízes nacionalistas entendiam que dava no mesmo ter controles separados ou não, assim como torcer as pontas das asas ou inclinar devidamente pequenas asas adicionais independentes, os ailerons. Como resultado todo avião que se apresentasse nos USA voando com controles laterais seria apreendido até que fosse negociado com os Wright o pagamento do uso da patente. Como resultado a aviação se desenvolveu na Europa. Os USA ficaram numa tal situação de atraso inicialmente, em relação à aviação, que seus aviadores, na primeira querra mundial, aprendiam a voar e voavam aviões europeus. Ou seja, patente tem suas limitações com impulsionador de desenvolvimento. Pode ser, também, um freio, como foram neste caso.
  
Coube aos ingleses, inventores da patente, comentar como estas podem agir contrariamente ao desenvolvimento nos dias de hoje. O açucar, um poderoso cicatrizante, não é usado, nem se estudam formas inovadoras de usá-lo, porque não pode ser patenteado. Veja The hidden healing power of sugar.

Entramos numa era em que precisamos de mais inovações para contrabalançar os efeitos negativos das Mudanças Climáticas. Devemos estar atentos às vantagens dos sistemas de patentes. Mas é imprescindível que estejamos atentos a incentivar inovações que não podem ser trazidas pelos atuais sistemas de patente. Inovações que eles inibem. E devemos ser inovativos para manter sistemas de patentes apoiados na apropriação dos ganhos e, simultaneamente superar as situações em que os sistemas de patente atuais sejam inibidores de desenvolvimento.


segunda-feira, 5 de março de 2018

Haverá mais uma guerra mundial?

A Etologia, criada a partir de trabalhos de Konrad Lorenz sobre o comportamento de animais, visualiza uma mudança de arranjo social quando um grupo se vê diante de uma mudança ambiental que torna mais árdua a vida e compromente a reprodução dos grupos daquela espécie. A vida social organizada de forma mais livremente democrática cede a uma organização onde duas mudanças se tornam frequentemente mais visíveis, uma no comportamento dos indivíduos, outra na organização dos grupos. O aumento da frequencia do comportamente homossexual é uma resposta frequentemente encontrada a nivel dos indivíduos. A passagem a uma organização onde aparece a figura do mandante, o ditador, é uma frequente resposta na organização social.

A Antropologia, no que respeita aos habitantes nativos do lado oriental da cordilheira dos Andes, organizados em tribos, das quais ainda há intocadas pelos auto-denominados civilizados, de formação ocidental cristã, as vê, em sua expressa maioria, com caciques, como chefes supremos. Supremos em tempos de guerra, ressalve-se. Como norma geral o cacique é absolutamente igual aos demais nos tempos de paz. Na tribo cada um faz o que lhe dá na telha nos tempos de paz, sendo restritos os comportamentos a uma conformação social nas ocasiões dos rituais, onde cada um faz o que lhe cabe. Mas há os tempos de guerra. E nesses tempos o cacique manda e os outros obedecem. Contestações e discussões não são compatíveis com a eficiência a cada instante demanda pelas ações numa guerra. Nesse tempos o cacique ordena e os outros cumprem. Depois, passada a guerra, volta tudo com dantes.

Na hora em que uma das nações gigantes da Terra muda sua constituição para permitir que um presidente eleito, pela possível continuada reeleição, se faça um cacique de tempos de guerra, se pode colocar como um dos motivos o entendimento de seus dirigentes de que haja uma real perspectiva de uma inevitável guerra, para a qual se vejam assim melhor preparados. Se este for um real motivo, a perspectiva é péssima para todos os humanos. Os custos de uma guerra que envolva nações gigantes são tão altos que todos terão mais a perder.

A Adaptação ao Aquecimento Global fica exposta a grandes retrocessos e impedida de avanços. É mais um custo de uma conflagração que, por si, como efeito secundário, amplia as Mudanças Climáticas e seus efeitos sobre todos.

Esperamos que a perspectiva de guerra não seja o motivo para a mudança da constituição que motiva esta postagem.  Seria esta mudança um comportamento ditado pela Etologia? 

sexta-feira, 2 de março de 2018

Brasil festeja crescimento de 0,23% do GDP (PIB) per capita em 2017

A economia brasileira cresceu negativamente seu GDP (PIB) per capita entre - 0,80 % e - 0,90% entre 1990 e 2015, em comparação com o GDP mundial. Os anos de 2015 e 2016 foram excepcionalmente cruéis, com crescimentos anuais do produto per capita no entorno de - 4% em cada um destes dois anos (Da ordem de -6% ao ano se considerado como relativo ao GDP mundial). Do ponto de vista de indicação da capacidade de Adaptação ao Aquecimento Global pelo crescimento do GDP relativo ao mundial encontrou-se uma capacidade abaixo da média mundial entre 1990 e 2015. A brutal recessão piorou a situação relativa. Uma medida tomada pelo legislativo congelou o orçamento público disponível para os próximos 19 anos (foi por 20 anos, mas um ano já se foi). Ou seja, pelas próximas duas décadas estará o Brasil com a capacidade de  Adaptação seriamente prejudicada, pois Adaptação requer gastos extras no presente para evitar perdas no futuro. E gastos públicos extra estão fora de propósito.

Ontem, 1 de março de 2018, os jornais de notícias das televisões expuseram com grande alarde o cresimento de 1% do GDP (PIB) em 2017, em fala do senhor Ministro da Fazenda. Saimos da recessão com 1% de crescimento do PIB medido em termos convencionais. Sem dúvida a economia brasileira já bateu no fundo do poço. O PIB per capita convencional, o que tem valor para os cidadãos em vez do PIB nacional, parou de diminuir. E apresentou um crescimento de 0,23% em 2017, pois a população cresceu 0,77% neste ano (valor de 1 de julho de 2016 a 30 de junho de 2017, Diário Oficial da União, 30 de agosto de 2017, p.55). Continuou a haver um forte declínio anual em relação ao GDP per capital mundial. Mas ter encontrado o fundo do poço é um real motivo para festa.

Há uma indubitável situação de superação do estado de decréscimo do PIB per capita, ou mesmo de desgraçada estabilização num valor constante.  Ou seja, volta o Brasil a crescer quando comparado a si mesmo em momentos anteriores. Pifiamente, sim, mas comemorável como fim de uma  recessão. Mas, não dá para comemorar aumento da capacidade de Adaptação.