quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Let's stop flash floods



We have seen these last years a lot of flash floods with great losses for those hit, including losses of lifes. They occurred in different parts of the world. A very complex of causes contributed to the extremes precipitations that caused each one of these flash floods. But one important cause is present in the increase of the number of flash floods that is occurring:
                              the increase in the temperature of the air.

It is elementar knowledge that as higher the temperature of the air, as more water may be in the air as wapor. And as more water is present as wapor, as more water may be precipitated as rain.

It is elementar knowledge that as higher the temperature of substances in the same ambient, as fast the reaction between them. This is a chemical property, but it can be seen in a larger context as an increasing in instability with higher temperatures.

Those elementar knowledges together may contribute as a partial explanation  of the reasons of the present higher number of strong flash floods. Then we should not expect the decrease in the present ocurrence of flash floods just by stopping further increases in the air temperature by Mitigation of the Global Warming. They, very probably came to stay, as part of the Climate Change that has already occurred. But we must avoid the intensification of flash floods. Mitigation, then, is important.

However, if Mitigation is not going to decrease the present level of ocurrence of flash floods, we must adapt to them.

The public policies should take in consideration to avoid humam losses and to maintain the economic losses as lower as possible. This means to maintain the lowest possible the productive capital exposed to the flash floods and to provide human use of areas prone to these extreme events with means to avoid being trapped by the waters.
The public policies should be aprimorated in what refers to matters of gestion of water. The pace of accumulation of water in dams, for instance, should take in due account the best previsions of precipitation, to maintain in a tolerable way the floods at jusant, to avoid, or attenuate, disasters as in Kerala, these past days of August 2018.

This we may call Adaptation to Global Warming. Whatever the humanity may do to stop the Global Warming, some Climate Change has already took place. Let's adapt to them.




terça-feira, 9 de outubro de 2018

Risco, Incerteza, Inovação e Adaptação ao Aquecimento Global

Risco, Incerteza, Inovação e Adaptação ao Aquecimento Global estão funcionalmente relacionados de uma forma especial e significante. E deste relacionamento decorrem importantes implicaões. Como são conceitos usados de forma muito variada, é aconselhável que seja esclarecido como estão sendo entendidos neste texto.

Risco é tomado aqui como a probabilidade de um evento contrário a um objetivo. Envolve um evento definido e uma probabilidade estimada da ocorrência do evento. Suponha que se tem de enviar, com o uso de drones, sangue para uma área onde houve um acidente. E que, dadas as circunstâncias em que se dá o envio, cada drone tem a probabilidade de 30% de chegar corretamente ao destino (Aves de rapina podem derrubar seus drones, ou súbitos ventos localizados podem desviá-los, ou interferências podem desorientá-los. Não se preocupe pela perda dos drones, você não está pagando por eles. Estes são drones virtuais, só para efeito de raciocínio. O sangue também é virtual, tem estoque infinito e tem reposição com custo zero). O risco de perda é, portanto, a probabilidade do drone não alcançar o objetivo, é 70% se for lançado só um drone.  Podemos tomar como sendo esta probabilidade deste evento fixa em 70%, válida para todos os lançamentos.

No lançamento de número 1, no de número 2, etc, em todos e cada um deles a probalidade de não alcançar o objetivo é 30%. Diz-se, então que os eventos são independentes.  Não importa a sequência em são lançados, se simultaneamente (como, neste caso, nunca ocorrem eventos exatamente simultaneos, pode-se dizer que são simultaneos os eventos separados por nano segundos) se separados por algum intervalo mensurável, a probabilidade do evento insucesso é exatamente 30%.

Alcançamos o objetivo quando um drone atinge satisfatoriamente o destino.
Se lançamos um só drone a nossa probabilidade de sucesso de levar sangue ao local  onde é necessário é 30%. Mas se lançamos dois, basta que um chegue ao local para que o sucesso seja atingido deste evento seja atingido. Mas a probabilidade dos dois NÃO atingirem o local onde o sangue é necessário é 70% vezes 70%, ou seja, 49%.

Se lançarmos três drones a probabilidade dos três NÃO atingirem o local desejado é (70%) ao cubo, ou seja, é 34,3% e, portanto, a probabilidade de que o local seja abastecido com sangue de pelo menos um dos três drone é 1-0,343 = 0,657, ou 65,7%.

De forma geral, lançando "n" drones a probabilidade de falhar em não atingir o local da entrega é 70% elevado à enésima potência. O complemento deste número, a probabilidade de falhar em todas as tentativas, pode se tornar um número muito diminuto, com um não muito grande número de drones lançados. Tem-se na Tabela 1 a probabilidade de atingir o objetivo de suprir o necessário sangue como complemento do risco de não o suprir.


Tabela 1
Drones e êxito
Número de drones enviados  Probabilidade
   de êxito
 
1 30,00%
2 51,00%
3 65,70%
4 75,99%
5 83,19%
6 88,24%
7 91,76%
8 94,24%
9 95,96%
10 97,18%

Certeza absoluta de que o sangue será surprido nunca haverá. Mesmo que sejam enviados 100 drones todos podem cair. Mas a probabilidade de insucesso na missão de enviar sangue vai se tornando menor sempre que se lança mais um drone. Isto representa uma situação encontrada no mundo real, a de que nunca se tem total certeza. Tangencia-se a certeza, mas nunca se chega exatamente a ela.

O mundo determinístico em que as pessoas são educadas não considera a questão do risco. Só em determinadas situações a noção de risco é incluída no menu de conceitos usados. Pois este é um ponto que deve ser alterado como Adaptação ao Aquecimento Global, pois as Mudanças Climáticas trazidas pelo Aquecimento terminam por aumentar substancialmente a chance de eventos extremos. E esta mudança impacta na vida das pessoas e no funcionamento das economias.

A questão dos riscos traz ao mundo atual uma necessidade prevista por Blaise Pascal ao tratar de dar importância ao Cálculo das Probabilidades na administração pública. Pascal talvez não tenha levado em conta o quão arraigado o determinismo está nas mentes. E o não uso nas devidas proporções da noção de risco leva a ser mais fácil a administradores públicos se enganarem tomando riscos calculados erradamente ou enganarem. Imagine um administrador público informando que mandou drones com sangue para duas pessoas acidentadas em locais de difícil acesso. Na verdade, para um pode ter sido enviado dois drones e não estaria errado ao usar o plural. Paro o outro, por algum motivo especial, pode ter enviado dez drones. A afirmação de aparente igualdade de tratamento esconde uma profunda diferença entre a probabilidade de 51% que um teve de contar com sangue, enquanto o outro teve  97,18%. Ao cidadão comum, educado em raciocínio determinístico, o fato pode passar despercebido e ficar satisfeito com o tratamento apenas aparentemente equânime. A expansão da educação superior vai mudando o quadro de atitude face a risco e o ditado popular "não ponha todos os ovos numa só cesta" vai sendo substituído por um tratamento mais acurado e uma visão mais crítica da aparência de tratamento equânime em afirmações do tipo "enviamos drones para os dois acidentados" (dois para um; dez para o outro).

Há um maior domínio, cada vez maior, do uso racional das ações a serem desenvolvidas face às probabilidades de eventos a elas relacionadas, em benefício de um melhor resultado das ações desprendidas. Este ganho vem se tornando uma realidade nas mais diversas atividades. Mas, há uma novidade que desfaz parcialmente os benefícios do ganho do domínio da gestão de riscos, hoje tornada convencional. As Mudanças Climáticas vão mudando as probabilidades de eventos climáticos e de seus efeitos. É como se a chance do drone usado no exemplo atrás, atingir seu objetivo, fosse mudando com o tempo. 

Para analisar a mudança no quadro de análise de riscos trazida pelas Mudanças Climáticas, tome-se agora a probabilidade de ocorrência de eventos climáticos extremos, ou seja, que ultrapassam o que pode ser considerado como os limites da normalidade.  A chance, em vez de ser 0,30, de ocorrência de pelo menos um determinado evento climáticos numa década, passaria a ser "0,30 x f(t)", onde "t" pode ser o número de décadas a partir de determinado momento inicial.  A função f(t) no que diz respeito a eventos extremos tende a ser crescente, segundo previsão dos climatologistas.

Considerar mudanças na probabilidade de um evento decorrente das Mudanças Climáticas é uma primeira e insubstituível etapa de Adaptação ao Aquecimento Global. A afirmação de tal simplicidade esconde a complexidade envolvida neste aspecto da Adaptação. 

O reconhecimento de que a probabilidade dos eventos vai variando com o passar do tempo dá margem a mais divergências do que simplesmente reconhecer que há mudanças climáticas versus negá-las. Há mais espaço ainda para divergências quando se trata de medidas para ação sobre o processo de mudanças climáticas, onde se inclui a negação da contribuição do Aquecimento Global para estas mudanças. Afinal, se o Aquecimento Global não é causa de Mudanças Climáticas, atuar arrefecendo o processo de Aquecimento Global não traz mudanças no processo de Mudanças Climáticas. Tem custos e não traz benefícios, pensam os que não reconhecem o Aquecimento Global como contribuinte às Mudanças Climáticas.

Inferir as probabilidades de um evento requer informação estatística e conhecimento específicos. Estes requerimentos se tornam mais exigentes quando as probabilidades são uma função temporal (p(A0).f(t)) do que quando são fixas, caso em que infere-se apenas p(A0), tomando-se f(t)=1. E a estimação da função f(t), não sendo tomada como igual a 1, dá mais margem para divergências quando à expressão da função. Todos concordam apenas em que f(0)=1 e f(t)<1/p(A0) para todo e qualquer t. Mas, para cada expressão analítica da função f(t) deve corresponder, a rigor, uma política de Adaptação para a melhor convivência com o perfil temporal futuro das probabilidades dos eventos relacionados ao Aquecimento Global.

Veja-se, então, que há amplo espaço para divergências quanto às políticas de Adaptação ao Aquecimento Global. As tecnologias envolvidas são mais numerosas do que as envolvidas em ações dirigidas à Mitigação do Aquecimento Global, embora estas sejam, em geral, mais complexas. Mas o uso de tecnologias de Adaptação envolve, muitas vezes, uma complexa teia de relações sócio-políticas.

Nem sempre se pode inferir as probabilidades de eventos. Neste caso temos incerteza. E outra postagem tratará da indesejada incerteza. 


                                            

terça-feira, 11 de setembro de 2018

No Japão, lição da preparação inadequada revelada pelo tufão de setembro 2018

 Os laboriosos e competentes japoneses têm sido castigados com a inclemência de eventos extremos climáticos neste verão de 2018. Eventos que parte da humanidade ainda coloca como não decorrentes de Mudanças Climáticas.

 Desta vez um tufão, violento, mas não dos mais violentos, bateu forte, rompendo os limites de prevenção traçados pelos sabidamente cuidadosos japoneses, que não dispensam detalhes em seus planejamentos. 

 O aeroporto de Kansai, construido em uma ilha artificial em meio a uma baia recebera proteção para uma maré alta de 9 pés. O tufão trouxe uma de 11 pés. O resultado pode ser visto em 

 Many Major Airports Are Near Sea Level. A Disaster in Japan Shows What Can Go Wrong, 

(The New York Times, sept. 7th, 2018)

 Mudanças Climáticas significa exatamente, entre outras coisas, aumentos dos limites dos eventos extremos. Otimismo? Talvez apenas um detalhe esquecido. Se a história indica um limite, estude bem de quanto deve ser tomado a mais nos planos para o futuro. 


 

 

 

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Adaptação ao Aquecimento Global e Energia Solar

A energia solar captada para direta conversão em energia elétrica muitas vezes é pensada como A Salvação.

Paineis solares são realmente uma grande contribuição à fome de energia elétrica do mundo atual. Mas é bom pensar que energia elétrica não resume todas as necessidades da sociedade humana. São uma forma de utilização de energia solar.

Seguramente paines solares são uma forma racional de "telhado". São também uma forma racional, sem maiores custos de oportunidade, quando usados cobrindo espelhos dágua, onde a um só tempo geram energia elétrica enquanto reduzem a perda de água por evaporação.

Mas em todo o mundo há necessidades outras que a energia elétrica em si não satisfaz. Precisa-se de água para dessedentar as populações, para apoiar a produção agrícola e garantir a segurança alimentar, para fazer funcionar os sistemas de coleta e tratamento de esgoto sanitário, etc.

A reservação de água é uma forma insubstituível de satisfazer necessidades que estão temporalmente diferidas das precipitações. E, como bônus, oferecem a co-produção de energia elétrica.

Nas regiões onde geleiras representam uma forma disponibilizada pela natureza para armazenamento de água, na forma de neve e gelo, o degelo libera água para uso a jusante, em meses quando e lugarres onde a precipitação é insuficiente. O Aquecimento vai recuando as geleiras e vai levando a que a precipitação seja cada vez menos acumulada como neve e gelo. A precipitação não retida flui desde o momento que ocorre, chegando mais cedo onde antes chegava após o degelo. Chega em fluxo maior do que o utilizável, chega trazendo problemas de enchentes. Reservatórios devem ir sendo construídos para guardar as precipitações que antes eram guardadas na forma de gelo e neve. E uma vez construídos, a liberação da água, para cotas menores, pode proporcionar a geração de energia elétrica. Quem não tem porque ser perdida.

As Mudanças Climáticas trazidas pelo Aquecimento Global, vão formando novos padrões em que precipitações mais intensas muitas vezes são acompanhadas de uma redução da média das precipitações. A reservação da água torna-se mais necessária, dada a redução da média da precipitação. E torna-se mais necessário o aumento da capacidade de reservação dada a mior irregularidade da precipitação. A Adaptação, neste caso, envolve corrigir a capacidade de reservação para as novas condições. E surgem oportunidade de geração de energia elétrica que não tem por que serem perdidas.

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Capacidade de Adaptação ao Aquecimento Global e denúncias do sistema prisional

Mundo novo este em que coisas tão distintas quanto a Capacidade de Adaptação ao Aquecimento Global e o sistema prisional de uma nação estão interrelacionadas. Realmente, foge ao instintivo tal relação entre variáveis tão distintas.

Um simples raciocínio estabelece uma primeira forte relação entre estas variáveis. O Aquecimento Global traz enfraquecimento às economias, principalmente às localizadas mais acerca do equador terrestre. A capacidade de Adaptação é uma expressão da capacidade de se contrapor a esses efeitos negativos. Em condições de "tudo o mais constante", uma nação estará mais capacitada a resistir e a se recuperar, tão menor a fração da população que não esteja em plena atividade produtiva.

Entende-se que tão maior a fração de inativos, tão menor a capacidade de Adaptação ao Aquecimento Global. Ora, os presos são inativos, em idade econômicamente ativa. Mesmo quando o sistema prisional os mantém economicamente ativos, o gasto com a prisão é, em geral, menor do que a renda gerada pelo preso. Ainda há, no Brasil, um pagamento à família do apenado, que pode ser maior do que o ganho mensal que tinha, com atividades lícitas, antes de ser preso. Trata-se de uma relação de artimética econômica, que mostra maiores custos do estado, financiado pelos contribuintes.

Outros acréscimos  de motivos para menor capacidade de Adaptação podem seguir natureza idêntica. Obviamente, tão maior a fração de indivíduos mantida, tão mais elevados os gastos com a polícia. E tão mais elevados os gastos com o sistema judicial.

Há outros elos de ligação entre a magnitude da fração da população aprisionada e a capacidade de Adaptação ao Aquecimento Global.  Um elo fundamental é a relação entre segurança e capacidade produtiva social. Tão mais elevado o nível de segurança, tão maior a capacidade produtiva de uma mesma dada população livre economicamente ativa. Uma população estressada pela insegurança tem menor capacidade produtiva e, compreende-se, menor capacidade de adaptação.

Enfim, não precisa uma análise exaustiva. Se em sua nação há previsão de aumento da população aprisionada maior do que o aumento previsto da população total, há uma declaração de que a segurança vai piorar. Isto num mundo em que o clima vai mudando para ser menos amigável deve ser motivo para preocupação. Cuide-se.

sexta-feira, 13 de julho de 2018

Preparação Insuficiente: Os terríveis desastres naturais de julho 2018 no Japão - enchentes e onda de calor


Preparação Insuficiente: Os terríveis desastres naturais de julho 2018 no Japão - enchentes e onda de calor

O Japão é um exemplo de organização e de previsão. Mesmo assim, as surpresas dos eventos extremos são atualmente tão extremas, que do Japão se pode aprender lições de erros, por subestimação.


As previsões das precipitações máximas por hora e por dia precisam ser corrigidas para cima, para que melhor se possa lidar com esses efeitos das Mudanças Climáticas/Aquecimento Global. É uma lição para todos os habitantes do planeta.
https://edition.cnn.com/2018/07/22/asia/asian-typhoons/index.html

A Adaptação, neste caso, deve ter fundamento em previsões de máxima ṕrecipitação que levam em conta as novas condições climáticas. Previsões de Máximas precipitações baseadas na experiência trazidas por dados do clima passado conduzem a subestimações e a maior efeito negativo desses desastress.
Novos níveis extremos de temperatura devem ser tomados como possíveis. Para melhor preparação para enfrentamento, devem ser pensadas ondas de calor extremas, não só mais intenesas em temperatura, como mais extensas em termos de duração e em termos de extensão de áreas atingidas. Novos climas, resultantes das Mudanças Climáticas não significam apenas maior frequência de eventos extremos, significam também, eventos extremos mais extremos.

É de se notar, entretanto, que embora "The impacts of climate change are no longer subtle," one expert says", é estatisticamente difícil garantir que um determinado evento extremo, em meio  a vários de mesma natureza, resulta do Aquecimento Global. Pode-se dizer, com garantia estatística, que a frequência de um evento tenha mudado, não é difícil atribuir a mudança a um evento isolado. Isto vale para um evento extremo de valor ainda mais extremo. Pode-se atribuir uma probabilidade de que seja resultante de uma mudança climática. Mas ele pode também ser uma expressão aleatória apenas mais rara, compatível com o clima histórico. Enfim, há, por enquanto, uma porta aberta para os descrentes continuarem a negar as mudanças climáticas e mais ainda para nada atribuir ao aumento do teor de dióxido de carbono e outros componentes do efeito estufa na manta gasosa que protege a Terra.

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Mudanças Climáticas,Tempo Quente, Cabeça Lenta. Cognição e Novas descobertas de fragilidade trazida pelo Aquecimento Global

Entramos na era do conhecimento. Parece incrível, mas simultaneamente entramos numa era de maior dificuldade para adquirir conhecimento. Isto mesmo. Se duvida, leia Hotter years 'mean lower exam results'. Se dúvida persiste, ou se quer ganhar mais informação sobre a relação entre temperatura e eficiência dos processos de aprendizado, vá adiante, leia Heat and Learning. A pesquisa, com base em notas obtidas por milhares e milhares de estudantes norteamericanos, além de comparar as notas de estudantes expostos a ambientes de estudo com diferentes temperaturas, sem ar condicionado, com as notas de estudantes cujas classes contavam com o benefício do ar condicionado. Nem estes escapam de prejuízos advindo de mais elevada temperatura do ambiente natural. Mas os estudantes que contam com ar condicionado em suas salas de aula e suas casas, têm apenas 0,5% de queda nas notas por cada grau centígrado acima de 21 grau centígrados no ambiente natural, enquanto o prejuízo dos que não contam com ar condicionado é quatro vezes maior, é 2% de queda, em média, nas notas, por cada grau centígrado de mais elevada temperatura.

O aumento da temperatura média causado pelas Mudanças Climáticas, então, contribui a um aprofundamento da desigualdade de conhecimento entre os niveis mais altos de renda que podem contar com ar condicionado nas classes e em casa e os que não podem contar com este benefício. Uma primeira imediata conclusão é que, para reduzir a contribuição do Aquecimento Global à desigualdade de conhecimento é necesssário que todas as escolas públicas tenham ar condicionado. E que sejam mantidos continuamente em bom estado de funcionamento.

O aumento geral das temperaturas dos ambientes naturais causado pelas Mudanças Climáticas tende a aumentar a desigualdade de conhecimento populacional médio entre países desenvolvidos e os que estão fora desta classificação. Nestes é difícil haver recursos orçamentários suficientes para dotar as classes de escolas públicas com ar condicionado. Mais difícil ainda é mantê-los continuamente em bom estado de funcionamento durante o período em que este funcionamento é requerido para manter o ambiente da classe numa temperatura condizente com alto nível de eficiência de aprendizado.
 
Os primeiros clássicos em Economia levavam em conta o clima como um dos componentes de um ambiente econômico. Vai mais longe no tempo o registro deste efeito. Há relatos no início da história colonial do Brasil, de que os brasileiros falavam de forma mais lenta do que os portugueses que não tinham se tornados brasileiros (nesta época, brasileiro não era quem tinha nascido no Brasil, mas o português, de fala nativa apressada, que tinha vindo ao Brasil ganhar dinheiro e tinha voltado para desfrutá-lo em Portugal). Falar mais devagar era o efeito do clima quente obrigando a adaptações que permitissem viver melhor nestas condições em que o próprio ambiente aumenta o peso do trabalho.

Euclides da Cunha, autor do épico 'Os Sertões', traz detalhado processo de efeito das temperaturas das temperaturas altas das regiões equatoriais brasileiras no metabolismo humano, resumindo sobre isto o conhecimento da época, ao redor dos anos 1900, quando seu livro foi escrito. Novos trabalhos há com a preocupação de Adaptação a um mundo mais quente e suas consequências.

Pode-se destacar um trabalho apresentado numa reunião da Associação de Economistas de Língua Portuguesa, sobre Adaptação ao Aquecimento Global. Apresenta informação, em forma gráfica, do efeito observado da temperatura sobre a eficiência humana. Mostra que há uma perda de cerca de 2% de eficiência por cada grau centígrado de temperatura acima de 25 graus. Coincidentemente o estudo sobre o efeito da temperatura no aprendizado traz como resultado uma diminuição de 1% nas notas obtidas por cada grau Farenheit adicional de temperatura, em idênticas condições à relação previamente expressa, resultado praticamente idêntico ao anterior, pois um grau centígrado equivale, a grosso modo, a dois graus Farenheit. A perda da eficiência do aprendizado com aumento da temperatura ambiente é da mesma ordem de grandeza da perda de eficiência em atividades produtivas em geral.

O efeito negativo da temperatura não se esgota na perda de eficiência. A qualidade de vida pode sofrer perdas devido à ação de temperatura mais alta, adicionada a perdas diretamente devidas a causas de mais elevada temperatura. Veja-se um exemplo de perda de qualidade de vida devido a temperatura mais alta e à incidência da maior radiação que a causa. Aconteceu com o autor desta postagem ter de, durante algum tempo, fazer uma certa caminhada no horário da maior insolação. Da esquina da Rua Amélia com a Av. Rui Barbosa, Graças, Recife, Brazil, até a esquina da Rua Amélia com a Av. Rosa e Silva são 564 metros, segundo o Google Maps. (Veja: https://www.google.com.br/maps/@-8.0448395,-34.8991844,699m/data=!3m1!1e3). A caminhada no meio dia, já no horário mais quente do verão, mês de janeiro, verão no hemisfério Sul, era feita agradavelmente sob a contínua sombra de árvores. Chegava à esquina da Rua Amélia com a Av. Rosa e Silva sem um pingo de suor. Prosseguia pela Rua Amélia até a esquina com a rua do Espinheiro. Um trecho de 205 metros no qual a sanha da modernidade equivocada, apaixonada por letreiros e anúncios,  arrancou todas as árvores, a exceção de uma, à frente de tradicional supridor de frangos fritos, um chinês que, estrangeiro, respeitou a proibição formal de arrancar árvores, do governo municipal e do governo estadual. Caminhar por estes 205 metros era um inferno. Desde as primeiras horas da manhã o sol de 8 graus de latitude esquentava impiedosamente o solo. Somado a temperatura do ar o calor vinha dos raios solares incidentes no caminhante, da radiação que emanava do solo de cimento aquecido, da reflexão do sol nas fachadas e da radiação que delas, aquecidas, emanava. Ao fim dos 205 metros eu estava inteiramente molhado de suor, literalmente das meias à gola da camisa. Dobrando à esquerda na Rua do Espinheiro, mais cento e noventa metros, sob contínua sombra de árvores, sem acréscimo de suor. Alguns metros mais estava em casa. Exposto ao suor acumulado nos 250 metros da modernidade equivocada. Não se tratava de uma competição em horário tornado impróprio pelas novas temperaturas, cuja adaptação envolve mudar o horário. Se tratava de um deslocamento para o trabalho e de volta para casa, atormentado pela falta de continuidade do ensombramento. Não havia a chance de mudar de horário.

Na mesma temperatura do primeiro meio quilômetro de caminhada, ensombreada, confortável na hora mais desgastante do clima equatorial litorâneo, os duzentos metros seguintes foram severamente desgastantes. O termômetro marcava nos postos de observação climática, a mesma temperatura, quando estava num e noutro trecho da caminhada.  Na mesma temperatura anunciada pelos sistemas de observação das condições de tempo, duas condições profundamente diferenciadas. Suponha que a Prefeitura tivesse cumprido o seu papel de zelar pelas condições urbanas, especialmente das vias urbanas e a caminhada de três quartos de quilômetro tivesse sido feita em calçadas continuamente ensombradas. O almoço teria sido feito com o conforto  de ter sido precedido de uma suave caminhada. Mas não, bastaram duas centenas de metros de exposição a um ambiente sem ensombramento, para que os nomes das lojas pudessem ser vistos sem a perturbação visual de árvores, para que  as condições tornassem o almoço precedido de desconforto.


Perdas, inclusive de eficiência, causadas por situações que fogem à media, a exemplo de como a descrita foge do ensombramento médio, exigem uma metodologia diferente para a estimação. São necessárias, em geral, pequenas amostras em condições "de laboratório", ou seja, com indivíduos estudados sob condições se não controladas, mas observadas com mensurações de frequência conveniente para o que esteja sendo pesquisado e aplicadas de forma a revelar as condições específicas a que os agentes pesquisados estão expostos. Mas são estudos importantes para que se possa manter a mais alta possível qualidade de vida, em condições sustentáveis, a todos os membros da sociedade. As condições externas às classes podem ter fortes impactos nos níveis de aprendizado. E é preciso que as condições externas às classes contribuam, quer elas sejam ou não dotadas de ar condicionado, a um melhor aproveitamento dos estudantes e a uma menor diferença de rendimento escolar entre os que contam e os que não contam com ar condicionado em suas classes.

O objetivo de dotar todas as classes de aula em um país tropical de ar condicionado deve ser perseguido com afinco. O ensombramento contínuo para o conforto dos pedestres e dos ciclistas deve ser um padrão a ser implantado tão rapidamente quanto possível.