quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Em se tratando de uso de água em produção agrícola

Em  se tratando de uso de água em produção agrícola, os pesquisadores agropecuários apontam, como uma medida principal de Adaptação ao Aquecimento Global e Convivência com a Seca o
aumento da eficiência de uso da água na irrigação.
De forma geral trata-se de incentivar o
uso racional da água.

E para incentivar o uso racional da água uma boa medida pode ser o cobrar um valor adicional por ela e compensar o agricultor com um bônus a mais sobre o preço de venda, de acordo com a produtivade da água segundo as melhores práticas para o cultivo que estiver fazendo. Se o custo adicional da água que usar proporcionar um custo adicional menor do que o bônus extra que venha a receber pela venda da sua produção, o agricultor compra a água e a usa da forma mais racional possível para aumentar o seu lucro. A água com custo baixo, com preço subsidiado não induz a esforço para seu uso racional. Mas se o seu lucro passa a ser muito sensível à racionalidade no uso da água, o agricultor racional a usará de forma racional.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Uma lição vinda do México: imediato amplo atendimento psicológico pós desastre intenso

Lições devem ser aprendidas. Mas várias condições de necessidade devem ser satisfeitas para que tenham efeito efetivo sobre ações em as lições se aplicam. Devem ser atos percebidos. Devem ser reconhecidas.

O tratamento dispensado no México aos que sofreram consequências do forte terremoto que sacudiu terras mexicanas em 19 de setembro de 2017 teve pontos positivos e pontos negativos. Todos devem ser objeto de análise para que no futuro se possa ser ter melhor desempenho nas operações de recuperação pós desastres. Num país medianamente desenvolvido, em termos materiais, como o México, há a grande chance de que faltem recursos materiais, especialmente quando comparado com ocorrências análogas atingindo  países desenvolvidos como o Japão, Mas o  México trouxe, no conjunto de medidas pós desastre adotadas, uma que chama a atenção como exemplo de bom uso dos recursos disponíveis.

É sabido que desastres de grande intensidade e extensão levam a população a situações de traumas psicológicos. É sabido, também, que tão mais tarde venham a ser atendidos os que necessitam de ajuda psicológica, tão mais difícil o tratamento e tão mais tempo se gasta até a recuperação ao estado que possa ser considerado como normal. Pois foi exatamente o pronto atendimento psicológico que chamou a atenção como ponto positivo no México pós terremoto.

A população teve pronta disponibilização de atendimento por psicólogos, havendo atendimentos nos próprios abrigos abertos aos que tiveram suas residências inutilizadas ou sem condição de uso seguro imediato.

Pronto atendimento psicológico a vítimas de desastres de grande intensidade deve ser um item da cesta de intervenções pós-desastre. O Aquecimentod Global traz, como consequência um aumento da frequência dos desastres naturais. Os furações já ocorridos neste 2017 são um exemplo, tendo deixados rastros de destruição. Mas a lição mexicana ocorreu depois do furacão Irma ter deixado seu rastro de destruição na Flórida e tão pouco tempo antes do furacão Maria ter destruido a maioria dos ambientes construídos em várias ilhas caribenhas, onde se incluem colônias de países ricos, que certamente não houve tempo para a inclusão da lição mexicana, o atendimento psicológico generalizado.

É a lição vinda do México, que agora  aguarda ser reconhecida e aplicada.



Outra lição prática:

Rota de fuga ao telhado, uma lição do furacão Harvey


quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Rota de fuga ao telhado, uma lição do furacão Harvey



Os desastres deixam lições. Pelo menos por enquanto. Talvez o Homem atinja tal nível de sapiência que não mais lições a aprender. Será?

Por enquanto os desastres deixam lições. O Katrina deixou. O Sandy deixou. E uma lição do Furacão Harvey pode ser obtida do uso de recomendação de que os ilhados, que tem casas invadidas pelas águas, devem ficar no telhado para se fazerem visíveis. Pessoas que nunca imaginaram ser possível ficarem ilhadas se viram nesta situação.

Há doze anos atrás mais de 1800 pessoas morreram em Nova Orleans com a passagem do furacão Katrina. A maior parte delas presas em sótãos, sem acesso ao telhado. Não havia modernos meios de comunicação disponíveis funcionando. Celulares não conseguiam linha. Não podiam ter suas baterias recarregadas pela falta de energia nas linhas de energia. Telefones fixos inutilizados pela água.

Não é fácil subir ao telhado se não houver condições favoráveis. E condições favoráveis são diferentes para diferentes indivíduos. Para um indivíduo alpinista e nadador uma corda amarrada pode ser tudo o necessário. Para um típico indivíduo de faixa dos setenta a oitenta anos, sem prática atlética, sedentário ou que realize atividades de baixa demanda de esforço, subir ao telhado pode ser muito mais desafiante e exigir outras condições mais favoráveis. Pense numa pessoa com alguma dificuldade para a realização de atividades de vida diária, situação que acomete um percentual nada desprezível das pessoas com mais de setenta anos. Subir ao telhado exige condições compatíveis com suas  deficiências.

Uma rota de fuga é bom que esteja construída em uma casa em área, por critérios técnicos, inundável. Uma escada com apoio até o fim do percurso é uma solução. E funciona numa comunidade se, em geral, for uma exigência legalmente determinada, com parâmetros exigidos condizentes com uma rota de fuga ao telhado eficiente e eficaz.

A legislação deve conter, também, exigências para que esta rota de fuga seja mantida em condições de uso. Com acesso a ela permanentemente desobstruído. Ela mesma permanentemente desobstruída. Isto envolve a proibição de ser usada, mesmo temporariamente, como local de estocagem de material.

E façamos votos que rotas de fuga ao telhado nunca tenham de ser usadas.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

As capacidades de Adaptação ao Aquecimento Global: Países de Língua Portuguesa

Esta postagem dá continuidade a comparações entre países sobre a capacidade de Adaptação ao Aquecimento Global sob o ângulo da capacidade efetivamente exercida de crescimento do produto per capita. Utilizando o banco de dados sobre produto per capita dos países disponibilizado pelo Banco Mundial para acesso público foram primeiramente comparados os cinco maiores países do mundo. Para cada país comparado tomou-se o produto per capita relativo análogo mundial em dólares do ano, em termos de paridade de poder de compra, ou seja, dividiu-se o produto per capita do país pelo produto per capita mundial (1).

Os dados utilizados foram do ano de 1990 e de um quarto de século após, do ano de 2015. O Canadá, o Brasil e os Estados Unidos se distinguiram por capacidade de Adaptação abaixo da média, segundo o indicador "taxa de crescimento do GDP per capita (2). Entre 1990 e 2015 o produto per capita canadense cresceu -1,08% ao ano e o brasileiro -0,85% ao ano.

Do ponto de vista do que indica a GDP per capita ambos, os dois menos bem posicionados, o Canadá e o Brasil, estão mal situados quanto à capacidade de desviar recursos do uso corrente para financiar  atividades dirigidas à Adaptação. Mas há uma diferença entre a terra da Rainha e a República verde amarela. Com o Aquecimento o Canadá, pelo recuo do permafrost ganha terra agricultável. O Brasil vai vendo a aridização reduzir a área agricultável nas latitudes próximas à linha equatorial, latitudes de até 15 graus de latitude Sul, onde se encontra a maior parte de seu território. Vai faltando recursos para o necessário grande esforço de Adaptação.

A situação do Brasil o colocou, entre os cinco maiores países do mundo, como o que está em situação mais crítica face à capacidade de Adaptação ao Aquecimento Global. Isto conduziu a uma curiosidade, sobre qual a situação relativa dos maiores países da América Latina. Foi encontrado, novamente, que o Brasil está na pior situação (3).

A comparação com pequenos grupos de países pode ser conduzida agora aos países de lingua portuguesa. Representam uma diversidade de situações e uma unidade de exposição a um mesmo poder colonial. Um poder colonial que deixou marcas até onde não exerceu o poder colonial, apenas instalara um entreposto comercial. Os turistas japoneses ao chegarem em Portugal se deparam com um prato nacional japonês, a tempura, que logo acreditam ter sido uma prova da capacidade imitativa portuguesa. Mas, ao invés, a tempura resulta da capacidade imitativa japonesa. É um prato nacional português desde o começo do milênio passado, séculos antes da chegada de portgueses ao arquipélago (4).

O efeito da colonização portuguesa se deu em muitos aspectos importantes na vida dos povos ocupados. Os portugueses se impuseram como uma matriz cultural em todos os povos por ele colonizados. Uma matriz reforçada, segundo o sociólogo Gilberto Freyre (5, 6), pela disposição portuguesa à miscigenação, esta absolutamente repelida pelos saxões. Do ponto de vista econômico o legado português foi estampado, entre outras características, em limitada capacidade de industrialização, derivada de sua condição de aliados dos ingleses. Era a quem competia representar os interesses ingleses na Europa Continental. No Brasil, foi imposta pelo ingleses, a quem os portugueses tinham que ceder para permanecer no jogo do jugo colonial. A presença de fatores históricos comuns confere substância à apreciação comparativa desses países de língua portuguesa. São incluidos na Tabela 1, abaixo, os países que têm o português como língua nacional e para os quais há dados de GDP per capita relativos a 1990 e 2015 no banco de dados disponibilizado pelo Banco Mundial (7).

Tabela 1  Taxa de crescimento do GDP per capita relativo dos Paises
               de Língua Portuguesa entre 1990-2015 e capacidade de
               Adaptação ao Aquecimento Global*

               País**                                         Taxa de crescimento
                                                                                  anual***

               Cabo Verde                                                   3,04
               Moçambique                                                 2,16
               Portugal                                                      - 0,54

               Angola                                                        - 0,77
               Brasil                                                          - 0,85
               Guiné Bissau                                               - 2,54

               Obs.:*    GDP per capita relativo= GDP per capita do país em Paridade de Poder de
                            Compra/GDP per capita mundial.
                       **  Países com português como língua nacional para os quais existem dados
                                     do GDPs per capita de 1990 e 2015 no banco de dados sobre CDP dos
                                     países disponibilizado pelo Banco Mundial.
                       ***Segundo a relação entre os GDPs per capita relativos ao mundial de 2015
                                     e de 1990.
 

Os dados sugerem que há países de lingua portuguesa indo bem, outros indo mal. Em brincadeira dizem uns brasileiros  que nosso problema foi nosso colonizador. Mas, os dados não lhes dão claro suporte. Há pontos de vista sob os quais Cabo Verde e Moçambique vão muito bem, obrigado. Vão se saindo melhor do que o colonizador, na era da economia digital e suas implicações na configurações da economia globalizada. Os que vão se saindo mal, procurem seus motivos.

O brilhante desempenho em termos de GDP per capita de Cabo Verde tem fundamento na atividade turística, na transferência de nacionais expatriados, na pesca. É penosa a atividade agrícola no arquipélago. Revela, o desempenho, êxito numa ciclópica luta contra as desvantagens geográficas e de constituição de solo (7). Uma nação arquipélago em que a maior ilha é uma pequena ilha. Em que o solo é vulcânico. Em que a latitude norte em torno dos 16 graus, a 650 km a oeste de Dacar, no extremo oeste da África Continental, a expõe a um clima tipo Sahel, a que o Aquecimento Global promete ainda aumento de aridez.

Moçambique foi, em termos internacionais, o país mais afetado em 2015 pelas Mudanças Climáticas (8). Uma penosa seca já marcara o seu processo de retomada após a comoção do período de guerra. Do ponto de vista de orientação de macro gestão, após um estágio de experiência socialista teve adotado o modelo capitalista. Grandes investimentos que contaram com subsídio generoso geram os items de peso na pauta de exportação (9). O modelo de crescimento de Moçambique não teve continuado êxito em ser inclusivo. Reduziu pouco a pobreza.  Paira a paz romana. Brasileiros que estiveram lá na década passada relatam que Maputo, a capital, relembra, em termos de paz e de estilo arquitetônico, os velhos bons tempos do Rio de Janeiro dos anos cinquenta. Cariocas sessentões que troquem dias de turismo na zona do euro por Cabo Verde e Moçambique têm a ganhar. Se escolherem bem o tempo de ir podem encontrar um clima ameno, correspondente ao do Sul maravilha brasileiro, proporcionado por sua latitude ao sul de Curitiba, a cidade de temperatura anual média mais baixa no Brasil.

Portugal teve  a seu favor a política da União Européia de redução das desigualdades internas. Contou com recursos de fundo para infraestrutura, parte deles a fundos perdidos (10). Também contou com recursos de fundo de desenvolvimento, em termos camaradas. Sua taxa de crescimento anual do GDP per capita relativo ao médio mundial foi, entre os anos 1990 e 2015, apenas um décimo de um por cento superior ao GDP per capita análogo dos países da zona do euro. Tem sofrido sério impacto de situações extremas atribuíveis ao Aquecimento Global e está alerta ao problema (11).

Angola continua em seu esforço para diversificação da economia, marcada do petróleo que representa 55 % do PIB e 95 % das exportações. Vive percalços economicos e políticos e vem tendo de dedicar recursos para conter ameaças de desestabilização somados a necessidade de contenção da ação de grupos rebeldes. O acesso à educação nas zonas rurais é de apenas 25%, ascendendo a 40% nas zonas urbanas . Na virada do milênio, a taxa de analfabetismo da população com idade superior a 15 anos era 58%. A malária continua a ser a principal causa mortis em Angola, onde a esperança de vida é de 49 anos (12).
 
O Brasil não tem a desvantagem locacional e geografica de Cabo Verde. Se estende a latitudes fora da região equatorial, se estende a regiões nemos castigadas pelo Aquecimento Global. O Brasil não passou por situação análoga a Moçambique, tendo grupos paramilitares atuando contra o governo, não passou pelo esforço adaptativo de ter em sucessão dois tipos de macro gestão antagonicos. Os desastres naturais foram proporcionalmente significativamente menores, em termos relativos. Como nada acontece sem causa, os brasileiros devem buscar a razão para uma taxa de crescimento muito menor do que as obtidas por Cabo Verde e por Moçambique. Será melhor que busquem sem atribuir todos os males e todos os erros aos que pensam de forma diferente. Terão, assim, melhor chance de um melhor diagnóstico, pois todos os grupos têm pontos positivos e pontos negativos, ou se consideram grupos divinos?

O Brasil, entre os países de língua portuguesa que estão ficando para trás na corrida pelo aumento do GDP per capita só está permanecendo à frente de Guiné-Bissau. Este país não conheceu nenhum processo de industrialização e em que a própria produção agrícola carece de sofisticação. Está ainda tão atrasado que
                           
"a economia é pouco diversificada e dominada pela produção de castanhas de caju não processadas. O crescimento médio anual tem acompanhado com dificuldade o crescimento populacional, o que se deve em parte a um ambiente de governação difícil, frequentemente interrompido por turbulência política, incluindo golpes militares. O último golpe ocorreu em 2012. A fragilidade política na Guiné-Bissau tem constrangido o crescimento liderado pelo sector privado e a redução da pobreza."(13)
  
A história legou aos cinco maiores países latinoamericanos a possibilidade de uma melhor posição de enfrentamento dos efeitos negativos do Aquecimento Global. Nada há entre eles que represente o desastre apresentado, até agora, por Guiné-Bissau. (14)

Referências

1 Inovação e Adaptação ao Aquecimento Global. Adaptação ao Aquecimento Global e o Produto Per Capita Mundial. Disponível em: http://inovasmtp.blogspot.com.br/2017/06/adaptacao-ao-aquecimento-global-e-o.html.

2 Inovação e Adaptação ao Aquecimento Global. Comparando Indicadores de Capacidade de Adaptação entre os cinco maiores países: o Brasil desponta um futuro de Submergent Power?. Disponível em:  http://inovasmtp.blogspot.com.br/2017/06/crescimento-e-adaptacao-os-5-maiores.html.

3 Inovação e Adaptação ao Aquecimento Global. Capacidade de Adaptação ao Aquecimento Global e as cinco maiores economias latinoamericanas. Disponível em: http://inovasmtp.blogspot.com.br/2017/07/capacidade-de-adaptacao-ao-aquecimento.html.

4 FARLEY, David (2017).  The truth about Japonese tempura. BBC Travel. August, 10. Disponível em: http://www.bbc.com/travel/story/20170808-the-truth-about-japanese-tempura. Acesso: ago. 10, 2017.

5 FREYRE, Gilberto (1933). Casa Grande & Senzala. 52a ed. São Paulo: Saraiva. 2013.

6 CABAÇO, José Luis de Oliveira (2007). Moçambique: identidades, colonialismo e libertação. São Paulo:  USP  (Tese de doutorado). Disponível em: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8134/tde-05122007-151059/pt-br.php. Acesso em: 15 ago.  2017.

7 Cabo Verde: Country Strategy Paper 2014 - 2018. African Development Bank. Disponível em: https://www.afdb.org/fileadmin/uploads/afdb/Documents/Project-and-Operations/2014-2018_-_Cape_Verde_Country_Strategy_Paper.pdf. Acesso em: 18 ago. 2017. 


8 Deutsche Welle. Moçambique foi o país mais afetado por fenómenos climáticos em 2015. Notícias/Moçambique. Disponível em: http://www.dw.com/pt-002/mo%C3%A7ambique-foi-o-pa%C3%ADs-mais-afetado-por-fen%C3%B3menos-clim%C3%A1ticos-em-2015/a-36312360. Acesso em: 18 ago. 2017.

9 ROSS, Doris C. (Coord.) (2014). Moçambique em Ascensão: Construir um novo dia. Washington: FMI. Disponível em: https://www.imf.org/external/lang/portuguese/pubs/ft/dp/2014/afr1404p.pdf. Acesso em: 17 ago. 2017.

10 ROYO, Sebastián (2006). Portugal, Espanha e a União Européia. Revista Relações Internacionais. 09 Março, p.091-113. Disponível em: http://www.ipri.pt/images/publicacoes/revista_ri/pdf/r9/RI09_07SRoyo.pdf. Acesso em: 12 ago. 2017.

11  Inovação e Adaptação ao Aquecimento Global. Portugal em adaptação ao aquecimento global. Disponível em: http://inovasmtp.blogspot.com.br/2014/11/portugal-em-adaptacao-ao-aquecimento.html. 

12 LOTZ -SISITKA, Heila; URQUHART, Penny 2014.  As Alterações Climáticas Contam: Relatório Nacional de Angola. Joanesburgo: SARUA. Disponível em: http://www.sarua.org/files/SARUA%20Vol2No1%20Relat%C3%B3rio%20Nacional%20de%20Angola.pdf.  Acesso em: 20 ago. 2017.

13 Banco Mundial (2015). Guiné Bissau: Memorando Económico do País - Terra Ranca! Um novo começo. Disponível em: http://documents.worldbank.org/curated/en/843231468250507098/pdf/582960PORTUGES0CEM0final010Feb150PT.pdf, Acesso em: 20 ago. 2017.

14  Inovação e Adaptação ao Aquecimento Global. Capacidade de Adaptação ao Aquecimento Global e as cinco maiores economias latinoamericanas. Disponível em: http://inovasmtp.blogspot.com.br/2017/07/capacidade-de-adaptacao-ao-aquecimento.html.


sexta-feira, 28 de julho de 2017

Depave, a bright idea



As one removes the pavement, it is removed what was hiding the land, the natural support of life. As the land is uncovered, the green has its way to come back. Different dimensions of changes take place. Let’s consider some aspects of the question of depaving.

The sun rays incident on leaves are reflected more strongly than in the concrete. In other words, the albedo of the leaves is, in general, bigger than the albedo of the pavement (1). As a result, the leaves absorb less energy. The difference of albedo may be very important. When to pave is really imperious all attention should be given to the difference of albedo of the alternatives among types of pavement material. But when what matters is the difference of the albedo of leaves and the albedo of pavements, the differences of energy absorbed among alternative pavements are not so important as the different destination the leaves and the concrete or asphalt give to the solar energy absorbed. It as as comparing green roofs (2) and conventional or reflective roofs (3). The vegetables convert the solar energy absorbed in input for vital physical and chemical processes, including the photosynthesis. The construction materials, in an opposite way, convert in heat the solar energy absorbed. The pavement get heated and dissipate the heat in the surrounding air by convection and directly in the entire environment by increasing the emission of infrared rays. The air over the pavement gets heated, contributing to the tormentors urban heat island (UHI) effect. The air over green life, instead, contributes to alleviate the UHI (4).

To better the quality of life is good for all of us, and the green space is positively correlated with quality of life (5). This is a very important as the green is favourable to mental health (6). Being opposite to the pro depression pavement is a nice impact of depave, as more important as the number of depressed people is growing.

Unpaved land has the property of retaining and absorbing water. When it begins to rain the firsts rain drops that fall over the leaves tend to stay there. After the leaves become wet, the additional water flows. The land has a more proeminent benefical behavior. The firsts drops that fall on the land remains there instead of flowing. In the sequence the flow begins to be divided, part being absorbed by percolation, part flowing over the surface of the land. The flash floods are less intense as the water takes more time to begin flowing over the surface, and have a smaller flow. This property is invoked to determining the choice among types of pavement.

To those who the objective is solely to atenuate the flash floods, some poor solutions alternative to depave are satisfactory. The porous concretes that can percolate water are a kind of this type of solution. But changing the building material of pavement does not give the property of absorbing the solar energy incident not converting it in heat. It does not give the contribution to the mental health and the quality of life, it does not give contribution to alleviate the UHI. It is an action of Adaptation to Global Warming, by decreasing the impetus of flash floods. But it is an action inferior in results than maintaining the land.

If the mistake of paving what was not necessary is already done, Depave is the solution. Depave, a bright idea.

References

1 WANG, Shengyang (2015). Pavement albedo assessment: methods, aspects, and implication. Iowa State University. Digital Repository. Graduate Theses and Dissertations. Paper 14904. Avaiable at: http://lib.dr.iastate.edu/cgi/viewcontent.cgi?article=5911&context=etd. Access July 13, 2017.

 2 Inovação e Adaptação ao Aquecimento Global. Green roof as an universal tool for Adaptation to Global Warming. Disposable at: http://inovasmtp.blogspot.com.br/2012/01/green-roof-as-universal-tool-for.html.
Access: July 14, 2017.


3 Inovação e Adaptação ao Aquecimento Global. A comparison between reflective and green roofs as tools for Adaptation to Global Warming.Avaiable at: http://inovasmtp.blogspot.com.br/2012/01/comparison-between-reflective-and-green.html. Access: July 14, 2017.



4 YANG, Xiaoshan: ZHAO, Lihua (2016). Diurnal Thermal Behavior of Pavements, Vegetation, and Water Pond in a Hot-Humid City. Buildings, 6, 2; doi:10.3390/buildings6010002. Disposable at: www.mdpi.com/2075-5309/6/1/2/pdf. Access: July 03, 2017.


5 Land Use Consultants (2004). Making the links: greenspace and quality of life. Scottish Natural Heritage Commissioned Report No. 060 (ROAME No.F03AB01). Avaiable at: http://www.snh.org.uk/pdfs/publications/commissioned_reports/F03AB01.pdf. Access: July 12, 2017.


6 TOWNSEND,  Mardie; WEERASURIYA, Rona (2010). Beyond Blue to Green: The benefits of contact with nature for mental health and well-being. Melbourne: Beyond Blue Limited. Avaiable at: http://www.hphpcentral.com/wp-content/uploads/2010/09/beyondblue_togreen.pdf. Access: July 03, 2017.


   


segunda-feira, 17 de julho de 2017

Capacidade de Adaptação ao Aquecimento Global e as cinco maiores economias latinoamericanas


A capacidade de Adaptação aos efeitos do Aquecimento Global de um país é correlacionada à capacidade de desenvolvimento. É interessante ver como se dispõem, neste aspecto os cinco maiores países latinoamericanos. Tanto a situação do bloco dos cinco, como a situação de cada um em particular. O interesse e a revelação dos dados pode ser maior quando o leitor é nacional de um dos cinco países, ou tem interesse particular em um deles. Embora sejam mais heterogêneos em termos de extensão de área do que os cinco maiores países do mundo, são mais homogêneos em termos de seus processos históricos econômicos que moldou seus traços sócio-econômico-culturais de hoje. Têm como traço de união terem invadidos pelos "descobridores". Tiveram seus ocupantes nativos  mortos ou marginalizados dos seus eixos de desenvolvimento .  Seus colonizadores foram europeus, da península abaixo dos Pirineus, eles mesmos, deslocadosdos do eixo do desenvolvimento hegemônico construido acima dos Pirineus. Como resultado os países latinoamericanos são mais homogêneos em termos de suas taxas de crescimento. Pelo menos quanto ao espraiamento de suas taxas de crescimento do PDB per capita, aqui apresentadas, em termos relativos à taxa de crescimento do PDB per capita mundial entre 1990 e 2015, como na Tab. 1.

 Tabela 1

Taxa de crescimento do PDB per capita dos cinco maiores

países latinoamericanos em relação à variação do PDB

per capital mundial 1990-2015

 
País Área em km2 Taxa de crescimento relativo anual (%)



Peru 1.285.216 0,94
Argentina 2.780.400 0,03
Colombia 1.138.914 -0,07
México 1.964.375 -0,09
Brasil 8.515.767 -0,85



Fonte: GPD.Percapita.PPP.worldbank, 2017




Três situações distintas saltam aos olhos dos que observam os dados acima. Argentina, México e Colômbia formam um grupo que acompanhou de perto a mudança do PDB per capita mundial. A Argentina não tem fatos notáveis, nem a favor, nem contra a sua capacidade de crescimento. Na Colombia ressalta-se a guerrilha como um fator que se contrapôs às políticas econômicas governamentais e que demandou recursos para que fosse combatida. No México há a registrar a excepcional localização como fazendo fronteira à maior economia mundial e obtendo investimento produtivo direto incrementado pelo North American Free Trade Agreement (NAFTA). Ou seja, a Colômbia, apesar da guerrilha e o México, mesmo com o NAFTA, formam com a Argentina um grupo de grandes países latinoamericanos que, sob o aspecto do crescimento do PDB per capita acompanhou de perto a capacidade média de Adaptação ao Aquecimento Global.

O Peru se distingue por uma alta taxa de crescimento do PDB per capita neste período 1990-2015. Saiu no início deste período de anos de crescimento prejudicado por descontrole inflacionário. Vencida a hiperinflação, políticas de austeridade foram impostas, a que há analises lhes creditando o êxito econômico, e retomou-se um crescimento fundado em crescente exportação de minérios e pescado, uma política alinhada com os tempos da sedimentação da terceira onda de globalização econômica financeira. Deu certo, do ponto de vista do crescimento da renda e do emprego, bem como da redução da pobreza. O PDB per capita nestes 25 anos, subiu de 63% para 80% do PDB per capita mundial. Mesmo com um desfavorável desastre natural trazido pela ocorrência do El Niño costero e do desastre político econômico representado pelos ecos na economia peruana da descoberta de má prática da construtura brasileira Odebrecht, responsável por obras de infraestrutura importantes para o país, por hora “efetivamente embargadas”, o por muitos constestado modelo de desenvolvimento adotado (ZEOLLLA; ADELARDI; CAPRARULO, 2015) ainda está permitindo, no corrente 2017, previsões de crescimento favoráveis. Aplica-se ao Peru, com correção, a posição de país emergente.

O Brasil, por sua vez, se distingue por ter passado de PDB per capita superior em 22% ao PDB per capita nundial em 1990 para 99% do PDB per capita mundial em 2015. Aplica-se ao Brasil, com correção, a posição de país submergente.


Referências

Banco Mundial (2017). Peru Panorama General. El Banco Mundial en Peru. Washington: 17 abr. 2017. Disponível em: http://www.bancomundial.org/es/country/peru/overview. Acesso em: 12 jul. 2017.


BERNAL, Alicia (2013). Actual éxito económico de Perú se basa en dos pilares fundamentales. ABC Color. Assunção: 16 de setembro de 2013. Disponível em: http://www.abc.com.py/edicion-impresa/economia/actual-exito-economico-de-peru-se-basa-en-dos-pilares-fundamentales-618284.html. Acesso em: 13 jul. 2017.

International Federation of Red Cross and Red Crescent Societies (2017). Perù: Inundaciones. Boletín Informativo n.2. 12 de março de 2017. Disponível em:

MÜLLER, Alexander (2015). Cuál es el crecimiento potencial de la economía peruana? Reflexiones de política monetaria. SEMANAeconómica.com.Lima: 15 out. 2015. Disponível em: http://semanaeconomica.com/reflexionesdepoliticamonetaria/2015/10/15/cual-es-el-crecimiento-potencial-de-la-economia-peruana/ . Acesso em: 12 jul. 2017.

Publimetro.pe (2017). ¿Cómo afecta 'El Niño Costero'a la 'sólida' economía del Perú?. Lima: 22 mar. 2017. Dispnível em: http://publimetro.pe/actualidad/noticia-como-afecta-nino-costero-solida-economia-peru-57999. Acesso: 12 jul. 2017.

ZEOLLLA, Nicolás Hernán; ADELARDI, Ana Laura; CAPRARULO, Claudio Alejandro. La economía de Perú y los problemas del desarrollo. La revista del CCC. Janeiro / Junho 2015, n° 22. Actualizado: 2016-03-22. Disponible en Internet: http://www.centrocultural.coop/revista/articulo/555/. ISSN 1851-3263. Acesso em: 13 jul. 2017.




quinta-feira, 6 de julho de 2017

O Reino da Noruega: bem adaptado?




O Reino da Noruega era pobre. As atividades desenvolvidas e a forma como eram desenvolvidas conduziram à relativa igualdade entre os cidadãos. A origem, os leitores sabem, está naqueles vikings, comerciantes e grandes navegadores. O imaginário popular os coloca como gostando de portar grandes e pesados chifres, mas nada há de oficial nesta questão. Há mais informação de que eram, também, guerreiros e expropriadores. Mas o império viking foi construído no frio e nunca conseguiu amealhar terras de grande riqueza produtiva.
O bacalhau fora pescado em duras condições nas águas de mares frios. Produziu a base da pauta de exportação em tempos modernos, já pescado em maiores outras latitudes.

O Reino da Noruega continuou pobre mesmo depois que o progresso tecnológico incluiu o petróleo como importante fonte energética para o calor em processos produtivos e como praticamente exclusiva fonte energética para os diversos transportes. Mas o conhecimento dos exploradores de petróleo mudou sua sorte. Foi exatamente na causa principal do Aquecimento Global, com sua gigantesca ofensa à vida na biosfera da Terra que se baseou a grande mudança da Noruega. Foi trazida pela descoberta do petróleo em áreas, mesmo submersas, em sua reconhecida jurisdição. Resultou de que a sua exportação de petróleo é tal que esta nação com 4,5% da extensão de área territorial brasileira e com 2,5% da população da República do Brasil tem uma pauta de exportação de igual dimensão.

Tem o mérito de administrar bem esta riqueza que lhe caiu como um bônus da natureza, tornada um bônus pelo avanço das forças produtivas desenvolvido em latitudes mais baixas. Mas o que é apresentado, de seu resultado como dos mais altos IDH do mundo, que compartilha com a Dinamarca, como sendo fruto de uma política de boa base de educação da população e de uma justa distribuição de renda, tem como indispensável componente básico explicativo, também, a exploração do bônus natural e de sua consequente contribuição à degradação das condições de vida, principalmente futuras, em grandes áreas do Planeta.

Quando a Noruega dedica fundo financeiro para projetos de absorção de carbono está tentando reduzir a contribuição ao mal causado pela “economia do petróleo”, na qual tem seu bem-estar assentado. O aumento do desmatamento da Amazônia no Brasil havido em 2015-2016 buliu com o que pode ser considerado um alívio para uma consciência pesada do país nórdico. É uma questão de “descargo de consciência” no linguajar dos matutos do interior do Nordeste do Brasil, o grupo que representa a maior expressão da dívida socioeducacional brasileira. Trouxe como reação a redução dos fundos disponibilizados para projetos de Mitigação/Adaptação mantidos pela Noruega. O anúncio formal foi feito em meio à visita oficial do Presidente da República do Brasil àquele Reino.

A relação da Noruega com a Amazônia não se limita à sua significativa contribuição ao Aquecimento Global o qual, segundo previsões do Hadley Centre, lider mundial no estudo do futuro clima da Terra, deverá levá-la a encolher em cerca de 30% até 2100.


Enquanto as previsões, em termos de mudança de clima, vão sendo observadas, o já significativo aumento de literalmente 50% do teor de dióxido de carbono na atmosfera vai estabelecendo mudanças na composição dos vegetais, que crescem mais rapidamente, quanto menor for sua densidade, reduzindo os seus teores de proteínas, com sério impacto sobre a fauna. Mesmo no seio da floresta amazônica madeiras menos densas, aumentando a taxa de crescimento mais do que as mais densas, reduzem a densidade média da floresta. São mais sensíveis ao stress hídrico, expondo mais facilmente a floresta ao fogo, por secarem mais rapidamente e por serem de combustão mais rápida.

A relação do Reino com a Amazônia está traçada, também, pela aplicação do fundo soberano norueguês, onde é aplicado o maná econômico do petróleo. O fundo detém larga fração do capital da empresa Hydro, uma das poucas líderes mundiais da indústria do alumínio.


Enquanto seja beneficiada com isenção de 2 bilhões de dólares do governo brasileiro prossegue uma trajetória de ofensas à floresta e aos seus povos. Um vazamento de lama tóxica tornou-se o maior desastre ecológico da área. Os habitantes


A empresa já colecionou mais de duas mil multas, aplicadas pela autoridade do meio ambiente. A extração da bauxita na Amazônia e de outros minerais é examinada, por vários autores, em termos de sua relação de geração de riqueza para uns e miséria para outros e para o ambiente. Listas de malefícios podem ser encontradas em Fernandes, Alamino e Araújo (2014) e em Switkes (2005). Um irônico resulta do chumbo que vai sendo jogado na água, o qual reduz, como se sabe, a capacidade cognitiva dos que com ela se dessedentam.


Os habitantes locais, pobres, sem o “lure” que atrai grandes notícias, são expostos a baixos níveis cognitivos enquanto os que recebem os benefícios são premiados com o mais alto nível de IDH.

A assimetria da informação favorece o comportamento heterogêneo, assimétrico. A assimetria da informação não é destruída pelas novas tecnologias. O zelo com o desmatamento é propalado com força. O efeito de destruição da floresta, incomparavelmente maior do que o do desmatamento, fica deixado sem ênfase. Têm-se que reconhecer que este é um comportamtento que aproveita a oportunidade que lhe está sendo oferecida pelo mercado. Neste sentido é um êxito de adaptação. Mas não é este o tipo de Adaptação que este blog defende ser aprofundado e difundido


 

ADAM, David (2009). Amazon could shrink by 85% due to climate change, scientists say. The Guardian, 11 de março de 2009. Disponível em:

FERNANDES, Francisco Rego Chaves; ALAMINO, Renata de Carvalho Jimenez; ARAUJO, Eliane Rocha (Eds) (2014). RECURSOS MINERAIS E COMUNIDADE: impactos humanos socioambientais econômicos. Disponível em: www.cetem.gov.br/livros/item/download/117_128aa6542fad51c7e1f1fc29e18ab373. Acesso em: 05 jul. 2017.

SENRA, Ricardo (2017). Apesar de criticar desmatamento, Noruega é dona de mineradora denunciada por contaminação na Amazônia. BBC Brasil. Disponível em: http://www.bbc.com/portuguese/brasil-40423002. Acesso em 05 jul. 2017.


SWITKES, Glenn Ross. Impactos ambientais e sociais da cadeia produtiva de Alumínio na Amazônia – Ferramentas para os trabalhadores, as comunidades e os ativistas. Disponível em: https://www.internationalrivers.org/sites/default/files/attached-files/foiling2005_po.pdf. Acesso em 03 jul. 2017.