segunda-feira, 5 de junho de 2017

Comparando Indicadores de Capacidade de Adaptação entre os 5 maiores países: o Brasil desponta um futuro de Submergent Power?




Os efeitos das Mudanças Climáticas poduzem perdas econômicas causadas por eventos extremos. Em princípio, sendo tudo o mais constante (coeteris baribus), tanto maior a taxa de crescimento de uma economia, tão mais margem tem para que continue crescendo, apesar dos efeitos negativos que o Aquecimento Global lhe imponha. Neste aspecto é interessante analisar as taxas de crescimento dos 5 maiores países do mundo. 

É bom que se tome um período largo, que expresse uma situação mais estrutural, levando a que percam peso variações conjunturais. O Banco Mundial disponibiliza dados que se prestam a uma visão da situação de crescimento dos produtos per capita (GDP per capita) dos países relativamente ao produto per capita mundial. Este indicador expressa como anualmente, em média, cada país vai crescendo o GDP per capital nacional em uma taxa superior ou inferior ao mundial.

Os dados disponibilizados, relativos à economia mundial, se estendem ao período 1990 e 2015, sendo relativos ao início e ao fim deste período e a alguns anos do intervalo. Pode-se tomar o ano de 1990 como o início da hegemonia do paradigma tecnológico microeletrônico e da globalização que a acompanhou. Uma nova era, portanto, reorganizando o potencial de crescimento dos países. O período 1990-2015 trata do primeiro um quarto de século sob a hegemonia deste paradigma e da globalização correspondente.

Tomando os produtos per capita em dólares correntes, expressos em termos de paridade de poder de compra, divididos pelo produto per capita mundial em cada um dos anos extremos do intervalo, tem-se para a taxa de crescimento anual percentual do produto per capita nacional,  entre os anos de 1990 e 2015, de cada um dos 5 maiores países, em relação ao produto per capita mundial, por ordem decrescente: 




A China, com seu modelo de economia fechado às ingerências externas, vem apresentando a mais larga margem para fazer frente às adversidades climáticas. Entre 1990 e 2015 o GDP per capita chinês passou de 16 para 92% do GDP per capita mundial.
 
A Russia não foi capaz de apresentar desempenho semelhante. É um país cuja vastidão o faz estar presente na Europa como o país de maior extensão neste continente e na Ásia, como também o país de maior extensão neste outro vasto continente. Tamanha diversidade torna difícil que se atinja altas taxas de crescimento, Crescendo o produto per capita a 1/3 de 1 por cento acima da média mundial não está mal. No período 1990-2015 seu GDP per capita subiu de 147 para 162% do mundial.

Os Estados Unidos da América se apresentam com uma taxa de crescimento esperado. Sua extensão territorial e seu elevado nível de renda inicial no período toram difícil superar a taxa de crescimento do produto per capita mundial.  Seu produto per capita relativo vem caindo a um ritmo de cerca de 5/4 de 1 por cento ao ano.  Passou  de 441 para  358% do produto per capita mundial.

O Brasil tem uma taxa de crescimento do produto per capita relativo literalmente igual ao dos Estados Unidos. Mas, esta taxa de crescimento que pode ser considerada é boa para os Estados Unidos, não pode ser considerada boa para o Brasil. Seu produto per capita anda no entorno de apenas cerca de 27,5%  a 28% do produto per capita americano. Quanto a este aspecto o Brasil não está bem posicionado para absorver os impactos negativos do Aquecimento Global. Em 1990 apresentava um GDP per capita de 122% do análogo mundial. Chegou a 2015 com 98%. Crescer abaixo da média, para quem está abaixo da média não é um comportamento emergente. Se o Brasil insistir em crescer abaixo da média, de agora em diante, não mais será uma potência emergente. Se insistir terá uma baixa margem para Adaptação ao Aquecimento Global, como potência submergente.
Simultaneamente a apresentar uma taxa de crescimento abaixo da média o Brasil apresenta um alto endividamento do governo, indicando um padrão de gastos acima do que seria sustentável. Para um futuro não comprometido com estrangulamentos herdados por incontinência fiscal, os economistas estão advogando remédios amargos no presente para evitar viabilizar uma saída da indesejável posição de submergente. Deve-se frisar e enfatisar que se houver insistência de fração da sociedade em não abrir mão de privilégios considerados indevidos por muitos, se desvanece o apoio geral a medidas duras para o hoje que poderiam trazer melhor amanhã.

Por último temos o Canadá. É um país de alto nível de renda, com prospecto de ampliação de sua área agricultável como resultado de effortless Adaptação ao Aquecimento Global. Esta pode ser a razão por que muitos brasileiros, acostumados à idéia de morarem num país do futuro, busquem o Canada, para onde o futuro teria se transferido. Por enquanto, todavia, seu produto per capita cresce a um ritmo anual 1 por cento abaixo do crescimento do produto per capital mundial. Nesses 25 anos passou do GDP per capita de 370% do mundial para 282%.




quarta-feira, 31 de maio de 2017

Repetição inesperada de evento extremo encontra Adaptação postergada: otimismo impróprio, falta de prioridade ou ambos


Em 2010 uma situação de evento extremo levou à destruição de cidades no norte do estado de Alagoas e no sul dda zona da mata de do estado de Pernanbuco, Brasil, em áreas estendidas do litoral a uma centena de quilômetros a oeste. O evento produziu efeitos chocantes. A ouvir o que foi prometido à época, ninguém ousaria pensar que o evento seria repetido, mesmo em menor escala. Não que se dividasse de se estar vivendo um momento onde eventos de ocorrência uma vez cada cem anos, tenham passado a ocorrer uma vez cada dez.

Em meio ao sétimo ano de seca no Nordeste se poderia estar certo da maior frequência de eventos extremos (Metade dos reservatórios da região, o semiárido com maior volume mundial de capacidade total dos reservatórios em termos per capita e em termos de proprocionalidade à área de extensão geográfica está com menos de 10% da sua capacidade). Desta vez a seca, atingindo mais da metade da área do Nordeste seria o evento extremo. Mas, um outro evento oposto à seca ocorreria simultaneamente.

Um sistema de alta pressão instalou-se, há poucos dias, no centro e sul da região Nordeste do Brasil. Empurrou nuvens e ar úmido e fez reviver cenas de desastres. Em Pernambuco foram 8 mortes e desabrigados em 24 cidades. Em Alagoas, outro tanto.

A precipitação foi substancialmente menor do que a de sete anos atrás, quando o desastre foi mais brutal. Foi o evento não ter sido tão extremado a razão principal do desastre de 2017 ter sido menor. As providências pensadas para evitar a repetição das perdas humanas e materiais não foram implementadas. Outras prioridades levaram os recursos para outras aplicações. Em sete anos, de sete represas de contenção planejadas para evitar a repetição do desastre, só uma foi construida.

A situação acima comentada envolve dois aspectos a serem destacados, atribuíveis a efeitos do Aquecimento Global. O aumento da frequência de eventos extremos é um. O outro é a presença simultânea lado a lado do ponto de vista territorial e até no mesmo espaço, de eventos extremos contrários. Esta situação é trazida aqui, não para divulgar desastres naturais entre 7 e 10 graus de latitude Sul, mas como exemplo de situação que deve ser considerada na abordadem de planejamento de Adaptação às Mudanças Climáticas


quinta-feira, 25 de maio de 2017

Clima mais quente, maiores incidências de infecções pós-operatórias




As tecnologias de informação e comunicação permitiram que o custo de obter grandes massas de dados e a elas aplicar métodos estatísticos  sofisticados e complexos fosse rebaixado a uma fração inimaginalvelmente pequena dos custos anteriores a estas novas tecnologias, aliás, já não tão novas. Estudos baseados em dados sobre milhares de indivíduos vão se multiplicando.

O virus do HIV foi descoberto pelo cruzamento de grande massa de dados sobre pacientes. Foi a primeira descoberta, em meados dos anos 80 do século passado, de doença "via computador", viabilizada pelo baixo custo de coleta e tratamento de largas massas de dados. Foi a pouco mais de três décadas atrás.

A utilização de largas massas de dados vem a permitindo estabelecer novas associações. Desta vez entre clima e incidência de infecção pós-operatória. Há um aumento da incidência associada a um aumento da temperatura. É o que traz o New York Times.

Este dado pode ser usado no planejamento do uso dos recursos médicos em uma região, permitindo um melhor planejamento, É um planejamento adaptado ao Aquecimento Global e suas Mudanças Climáticas. 

Referência:

Bakalar, Nicholas. Warmer Weather Brings More Infections After Surgery. The New York Times, May, 23, 2017. Disponível em:
https://www.nytimes.com/2017/05/23/well/warmer-weather-brings-more-infections-after-surgery.html?mabReward=ACTM_TC4&recp=5&action=click&pgtype=Homepage&region=CColumn&module=Recommendation&src=rechp&WT.nav=RecEngineia.
Acesso em: 23, maio. 2917.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Um pouco percebido caminho da Adaptação agropecuária ao Aquecimento Global

 
A Adaptação na agropecuária é geralmente pensada como engendrada por novos cultivares mais resistentes aos novos climas. Há caminhos mais variados, na verdade, meio escondidos, mas não menos eficientes. Não devem ser dispensados à priori. Devem ser considerados na carteira de opções de ações.

Entre diferentes alternativas de produção vegetal há diferentes níveis de convivência com os novos climas. Em cada área geográfica produtiva há novos climas previstos para o futuro imediato, em direção aos quais os atuais climas já estão mudando. Há áreas geográficas em que há cultivos vegetais de aceitável produtividade para os climas atuais e para os do futuro imediato.

Um caminho que pode ser adotado é o de procurar incrementar a produtividade dos cultivos já aptos a sobreviverem nos novos climas. Os produtores vão, safra por safra, substituindo a produção agrícola menos bem adaptada pela de melhor resultado. Neste sentido, pesquisas que incrementam a produtividade da produção que vai passando a ser escolhida pelos produtores representam uma alavanca na direção da Adaptação do sistema produtivo. Este efeito alavanca pode resultar em benefícios maiores do que o obtido por meio de pesquisas dirigidas a novas "produções agrícolas" não adotadas pelos produtores por não serem disponíveis até o momento da entrega do "novo conhecimento produtivo" aos produtores.

O apoio à Adaptação pelo meio do aumento da proporção plantada de cultivo mais adaptado e diminuição do revelado menos adaptado pode ser reforçada, também, por pesquisas e novos conhecimentos dirigidos a ampliar o aproveitamento do cultivo e às fases de pós-colheita do cultivo substituidor. Pesqisas dirigidas a reduzir perdas nos processos de armazenamento, de processamento, de deslocamentos e transferências para outros agentes produtivos podem tornar mais atrativo o cultivo substituidor, representando um apoio adicional à Adaptação.

Este é um caminho válido, mas vai se estreitando com o tempo, na medida em que repousa em progressiva substituição de cultivos por outros já praticados pelos produtores. O passar do tempo leva a comletar a substituição. Com o aprofundamento das mudanças climáticas o produto que substituiu pode ter sua condição de produtvidade tornada insatisfatória. Este caminho pode se extinguir. A continuidade da atividade agrícola neste caso passa a repousar na existência de novos cultivares ou em novas espécies capazes de se mostrarem econômicamente saudáveis nos novos climas.Novas espécies ou novos cultivares podem ser o caminho da salvação da continuidade de uso produtivos de uma área geográfico.

A probabilidade de um radicalmente novo conhecimento produtivo ser adotado pelos produtores agropecuários para os quais foi dirigido é maior quando este conhecimento é desenvolvido conjuntamente pelos pesquisadores e uma amostra dos produtores. Mas, os produtores da amostra vão se tornando diferenciados. Mantém-se mais competentes do que os pesquisadores para interpretar e predizer o comportamento dos demais produtores, que não fazem parte da amostra. Mas vão deixando de ser representativos deles. A chance de errar as predições, a chance de um bom resultado não impressionar a maioria dos produtores a quem se destina e assim não ser adotado, vai aumentando com o tempo. É interessante, então, que haja diferentes alternativas de novos produtos a serem cultivados postas frente aos produtores.

Novos produtos e incremento do resultado das atividades produtivas por substituição de cultivos por outros mais resistentes, já em uso, devem, se possível, coexistir como componentes do menu de possibilidades posto aos produtores agrícolas como parte do processo de Adaptação.
 

    

sábado, 29 de abril de 2017

Adaptação ao Aquecimento Global: a ilusão do HDI "as comproved by the Brazilian poor performance on education"

O HDI merece ser celebrado. Foi uma ótima idéia. Um índice que reflete melhor a condição de vida de uma coletividade, estado ou nação do que as respectivas rendas per capita, as quais estão contempladas na sua formulação.  Captura outras variáveis importantes, como a educação, um grande eixo de sua formulação.

A relação estatística entre nível do Human Development Index - HDI de um município (county) e o seu  nível de potencialidade para Adaptação ao Aquecimento Global encontrada entre os municípios das regiões Norte e Nordeste do Brasil, não se aplica bem aos países. Isto porque o nível de dispersão da qualidade da educação é muito mais alto entre países do que entre os municípios do Norte e Nordeste do Brasil. Tal afirmação, a perda da capacidade de comparação do HDI quando usado para comparar dois grupos de pessoas de diferentes padrões de educação, pode produzir uma grande interrogação no leitor. Uma explicação segue adiante, respondendo à interrogação.

O HDI leva em consideração o número de anos de escolaridade e variáveis estatisticamente associadas à qualidade do ensino Mas há associações fortes e associações fracas. Há associações enganosas por prezarem as formas e desprezarem a essência. Não é usada no HDI uma medida direta da qualidade do ensino. Permite que a qualidade, o aspecto mais importante da educação, seja efetivamente desprezada. Assim, o HDI apresenta valores superestimados para países com  educação de péssima qualidade. O Brasil é um deles.

O Brasil, que o governo passado chamava "pátria educadora", subiu no nível de HDI. Expandiu o número de anos de escolaridade na população. Aumentou o número de professores do ensino fundamental e do ensino médio graduados com cursos superiores na área do ensino. Mas, a qualidade, resistentemente negou-se a subir. Apresentou queda, em relação a ano anterior, no índice Programme for International Student Assessment  PISA, de 2015, aplicado a amostras de estudantes  de 70 países (35 membros da OECD e 35 outros).

Na área de Ciência os cinco países que apresentaram maiores notas alcançaram uma média de 538 pontos. A média dos países da OCDE foi um pouco mais baixa, 493 pontos, 8% abaixo da média dos cinco de maior nota.  O Brasil ficou com 401 pontos, 25% abaixo.

Na área de Leitura o desnível foi um pouco menor, apenas 23% abaixo da média dos cinco países de mais alta nota. Mas a importante linguagem, a matemática, foi desastrosa para o Brasil. A média dos cinco países de mais alta nota atingiu 546 pontos. O Brasil ficou com 69% desta média.

Abaixo do Brasil estão poucos países. A média dos países de nota inferior à do Brasil é 3,7% menor em ciências (apenas 5 países). Em leitura a diferença análoga é maior, atinge 8,6% (apenas 10 países estão abaixo). Mas, na mais importante, matemática, cai para 5,1% (apenas 5 países estão abaixo). Ou seja, o Brasil está longe dos paises de nível mais alto e consistentemente junto aos de nível mais baixo.

É preciso explicar que os países com notas inferiores ao Brasil, tem peculiaridades que explicam as suas notas. Um grupo de habitantes remanescentes de um império destruído pelos invasores espanhóis, com cultura diferenciada em relação aos descendentes dos invasores, tende a ser discriminado. Pior ainda, se ocupa montanhas de relativamente difícil acesso. Constituindo um em cada dois lares, os invadidos puxam para baixo os índices relativos à educação, medidos segundo a métrica dos invasores. Uma ilha cuja principal atividade econômica, desde a invasão européia, foi a monocultura canavieira, baseada, até século e meio atrás, em trabalho escravo, vítima de lutas coloniais e de ditadores cruéis, mais interessados no poder do que no desenvolvimento. Uma ilha onde a educação nunca teve prioridade. Nunca teve oportunidade de um lapso de tempo suficientemente grande de estabilidade para encetar um vigoroso desenvolvimento econômico. Pense, ainda, em países em que as mulheres apresentam baixa participação na força de trabalho. Estes têm as mulheres com nível de educação limitado ao básico, dosado pelas necessidades das tarefas domésticas. Para eles o índice expressa uma medida segundo valores ocidentais, distorcendo os seus valores.

O Brasil é diferente. É um país de valores ocidentais. Passou por um vigoroso processo de industrialização, que em meio século, de 1930 a 1980 e o fez passar de um economia primária à oitava economia industrial do mundo. Mas foi um processo baseado nos princípios da divisão de trabalho taylorista, onde um pequeno grupo bem formado faz o todo, baseado em mão de obra não educada, produzir eficientemente. Este sistema, da produção baseada no ignorância populacional, ruiu com a substituição do paradigma eletromecânico pelo paradigma microeletrônico. Agora o Brasil corre atrás do que devia ter feito há mais de um século atrás. Os indicadores educacionais mostram isto, em termos quantitativos. Mas em termos qualitativos além do já relatado, atrás, cabe considerar ainda um outro indicador de qualidade do ensino no Brasil.

Um estudo de resultado surpreendente foi realizado pelo Instituto Paulo Montegro, o qual criara o Índice Nacional de Analfabetismo Funcional - INAF. Os analfabetos funcionais são incapazes de resolver problemas simples de matemática cuja solução é damanda na vida cotidiana, tal como conferir troco, entender gráficos e tabelas inseridas no texto de uma publicação simples como um jornal diário. São incapazes de identificar o conteúdo de suas leituras, embora possam  identificar as letras, assim "lendo" as palavras e as frases. O índice expõe a razão entre os analfabetos funcionais e o número de pessoas num grupo a que se aplique o índice.

Um resultado para o Brasil mostra como medir a qualidade do ensino por variáveis como a titulação formal dos docentes é enganoso. Um de cada quatro dos que concluiram o ensino fundamentai, ou seja, após oito anos de idas e vindas entre casa e escola, são analfabetos funcionais. Um em cada dez que concluiram o ensino médio são analfabetos funcionais. Agora pasmem: no ano inicial deste śeculo, 2% dos que concluíram curso superior eram analfabetos funcionais; dez anos depois, como resultado a expansão do ensino superior, este percentual dobrou, elevou-se a 4%. Se o número de cursos superiores  se expandiu nestes 10 anos, foi surpreendente a expansão dos analfabetos funcionais graduados em nível superior. Eram 6,5 brasileiros em cada cem maiores de idades com curso superior em 2001. Passaram a 13,7 em 2011. Os novos egressos apresentaram, então a taxa de 7% de analfabetos funcionais. Enquanto o número de cursos basicamente duplicou, o percentual de analfabetos funcionais egressos de cursos superiores não diminuiu como o desenvolvimento econômico faria esperar. A contrário, cresceu, mais que triplicou.

O HDI, levando em consideração o número de anos de escolaridade, sem o devido apreço à qualidade, é um indicador que enviesa para  cima a posição de países como o Brasil. E os apresenta, sob este ângulo com uma capacidade de Adaptação ao Aquecimento Global maior do que a real.

O HDI pode ser corrigido para descontar a má qualidade da educação, reduzindo adequadamente o tempo de escolaridade. Isto exigiria que um índice como o PISA fosse aplicado em todos os países da United Nations - UN. Um tal programa encetado pela UN expondo a qualidade da educação produziria um bom impulso na direção da melhoria da qualidade da educação no mundo.

Revised on 08 May 2017.
Revised on 09 May 2017.

Referências

CALDERÓN G., Fernando (2007).Países Andinos.Tempos de agitação, tempos de mudança. Sociedade e democracia nos países andinos meridionais.In SORJ, B., and OLIVEIRA, M.D., eds. Sociedade civil e democracia na América Latina: Crise e reinvenção da política[online].Rio de Janeiro:: Centro Edelstein de Pesquisa Social,2007.pp.147-198. ISBN 978-85-9966-223-6. Available from SciELO Books<http://books.scielo.org>.

CURY, Fernanda. Inaf - Indicador de Analfabetismo funcional. In: V Fórum Banco Central sobre Inclusão Financeira. Fortaleza, 04 a 08 de novembro de 2013. Disponível em: http://www.bcb.gov.br/pre/incfinac/vforum/docs/2-Fernanda_Cury_Inaf_05Nov2013.pdf. Acesso em 29. abr. 2017.

MOYA Pons, Frank  (Coord.). Historia de la República Dominicana. In: NARANJA Orovio, Consuelo (Dir.)(s.d.). Historia de las Antillas. Vol.II. Santo Domingo: Ediciones Doce Calles. Disponível em: http://reccma.es/libros/historia-republica-dominicana/Historia-Rep-Dominicana.pdf. Acesso em: 10 fev. 2017.

OECD (2016).PISA 2015. Results in Focus. Disponível em: https://www.oecd.org/pisa/pisa-2015-results-in-focus.pdf. Acesso em 10 fev. 2017. 

WORLD Bank Middle East and North Africa Social and Economic Development Group (s.d.). The Status & Progress of Women in the Middle East & North Africa. Disponível em: http://siteresources.worldbank.org/INTMENA/Resources/MENA_Gender_Compendium-2009-1.pdf. Acesso em: 10 fev, 2017. 


terça-feira, 11 de abril de 2017

Dimensões da Adaptação ao Aquecimento Global



A afirmação “Aquecimento Global: Mitigação é Global, Adaptação é Local” aparece muitas vezes, quando menos de forma implícita nos discursos sobre o enfrentamento do Aquecimento Global. Que os efeitos da ofensa ao clima na forma de emissão antrópica de substâncias de efeito estufa sejam de amplitude global, não há dúvida. Afetam áreas geográficas e suas populações de forma desigual, é verdade, mas afetam a todos os presentes e os que virão nas próximas décadas e nos próximos séculos. A Mitigação, ou seja, ações que propiciem redução da emissão de gases estufa e/ou a absorção de gases estufa da atmosfera, é uma tarefa global, tal como global são os efeitos da emissão de substâncias de efeito estufa.

O Aquecimento Global, a elevação da temperatura da atmosfera próxima à superfície terrestre é global mas, fixado uma variável, como por exemplo, a temperatura média mínima nos últimos dez anos, a elevação da temperatura se apresenta de forma diferente em diferentes localidades. Tal como a inflação em uma economia é a subida geral de preços, mas num determinado período cada preço sobe com elevações diferentes, alguns poucos preços até apresentando redução ou permanecendo constantes, enquanto todos os outros sobem. 

A elevação da temperatura é variada entre diferentes localidades. Mais variados ainda são os efeitos, como modificação do ritmo de precipitações, da ocorrência de efeitos climáticos extremos e suas consequências, também variadas para cada dado tipo e intensidade de evento extremo, produzindo ainda mais diferentes vulnerabilidades face às diferentes configurações geográficas e de ocupação socioeconômica. Os efeitos, enfim, se pronunciam sempre, em cada área, com diferentes temporalidades e intensidades. Os remédios para a redução ou superação de danos são aplicados nas áreas onde os específicos efeitos negativos ocorreram ou são previstos. Cada tipo de evento negativo tem, para cada área geográfica, uma probabilidade de ocorrência (em cada período de tempo adequado para o evento) e uma ou mais soluções.

As áreas de ocorrência de um evento negativo, requerendo ações de prevenção e de reparação, podem estar restritas a área interna a uma unidade produtiva e podem ter na unidade produtiva os recursos para as ações requeridas. Podem ser internas a um município e pode ele ter os meios para prevenção e reparação. Podem ser restritas a um estado e pode ele resolver com seus meios o que seja necessário. Podem ser internas a uma nação e ela ser autosuficente para as ações necessárias. Mas, há situações em que a área onde se dá o evento negativo extrapola os limites de fazendas, municípios, estados, nações. Com maior frequência ainda os recursos para as intervenções necessárias extrapolam os disponíveis pelos agentes a quem confere a reação relativa a eventos negativos de origem climática. Basta olhar para eventos como os incêndios florestais na Rússia, nos verões de 2010 e 2011, tão extensos foram que se refletiram nos indicadores da produção agropecuária russa; como o incêndio florestal do Chile em 2017, o maior já ocorrido no país, the greatest forest disaster”, para combater o qual houve ajuda de países vizinhos latinoamericanos. Enchentes provocados por chuvas monumentais romperam com os registros históricos no Perú, neste ano de 2017. A ajuda internacional, de países vizinhos, foi acionada e colaborou com o suprimento de alimentos e água a populações que tiveram o acesso cortado pela destruição de pontes e de estradas. Em deslizamentos de terra na Colombia, provocados pela continuidade de precipitações “hsitóricas” ainda neste 2017, morreram mais de duas centenas de pessoas. Seria interessante uma imediata ajuda internacional de especialistas em remoção de material para salvamento de soterrados. Cada hora passada conta muito contra a probabilidade de encontrar soterrados com vida e é muito pouco provável que haja competência em remoção em quantitades suficiente em cada estado ou mesmo nação de pequeno porte. A estruturação de capacidade de disparar imediata ajuda internacional é uma medida de Adaptação a tempos onde tais eventos catastróficos tendem a se repetir com maior frequência do que nos registros históricos. Isto caberia a associações de nações, como a UNASUL, a OEA, a ONU.

A Adaptação envolve diferentes medidas e ações, desde da ordem de estabelecimento de políticas públicas nacionais, estaduais e municipais, políticas corporativas, como da ordem dos diversos ângulos e aspectos de execução dessas políticas. Pode-se destacar nas áreas urbanas as questões de deslizamento de terras inclinadas; de áreas alagáveis com política de uso urbano que reduz os prejuízos, de sistema de drenagem adequado às precipitações extremas, rotas de fugas para aprisionados nas enchentes repentinas; de temperatura e sua relação com meios para evitar altos níveis de ilhas de calor. Pode-se relacionar nas áreas rurais o zoneamento orientando a distribuição geográfica da produção, o sistema de informação climática permitindo as mais rápidas possíveis intervenções dos agricultores, o sistema de pesquisa agropecuária desenvolvendo cultivares mais adequados aos novos climas, assim como novos sistemas de produção e de manejo de culturas e de manejo de solo e água. Sistemas de apoio a inovações sociais dirigidas à Adaptação podem concorrer para eficiente difusão de tecnologias agrícolas.Em muitos casos inovações sociais são imprescindíveis para a difusão de inovações tecnológicas.
As dimensões da Adaptação crescem quando o estabelecimento de condições favoráveis à formulação de ações de prevenção e reparação de efeitos nocivos do Aquecimento Global são adicionados a ações de Adaptação no sentido restrito. Entre o estabelecimento de condições favoráveis está o avanço na qualidade da educação populacional. Quanto mais elevado o nível da educação populacional mais alta a capacidade de apreender o conteúdo de informes técnicos e mais rápido e mais completo o domínio de inovações, quer tecnológicas, quer sociais, tais como as inovações voltadas à Adaptação ao Aquecimento Global. E a educação populacional, em seu ângulo de qualidade, envolve todos os municípios, estados e o próprio governo central de cada país.

O processo de Adaptação às Mudanças Climáticas abrange os mais variados aspectos da vida socioeconomica das nações. Não se deve esperar que seja liderado por empresas privadas, que visam o lucro numa dimensão de tempo mais curto do que o das ocorrências, que abrangem extensões mais longas. Deve ser coordenado entre os diversos governos e entre os diversos agentes públicos. É um processo complexo. É difícil que seja levado em conta a contento, pelo menos no atual estágio dos seus efeitos, principalmente por se referir a um fenômeno a que o Homem nunca foi antes exposto e que torna de pouco valor preditivo as probabilidades de eventos geradas pelas séries históricas existentes, não havendo experiência acumulada sobre eles. A situação de se estar frente a algo inteiramente novo para a humanidade leva a Adaptação a tender ser mais difícil. Um dos componentes da dificuldade se encontra praticamente irremovível nas democracias, da natural sucessão de radicalmente opostos pontos de vista de governantes sobre o Aquecimento Global e suas decorrentes Mudanças Climáticas, ou seja, sobre as causas das necessidades de Adaptação.