terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Remédios Amargos, Curto Prazo, Longo Prazo, Adaptação

Ao se ter a atenção dirigida à Adaptação ao Aquecimento Global, deve-se levar em consideração que se trata de um esforço ciclópico, um esforço que compromete os recursos de um país, para evitar que o Aquecimento traga perdas ainda maiores
(Tão mais baixo o nível de renda e tão menor a capacidade de crescer o produto per capita, tão mais difícil a Adaptação ao Aquecimento Global, e, portanto, tão maiores as perdas que lhe são infligidas. É bom evitar ser um país submergente em termos de produto per capita).

Deve-se ter em conta de que a capacidade de Adaptação é tão maior quanto mais recursos possam ser postos à disposição do esforço de Adaptação. E tão mais recursos podem ser dirigidos à Adaptação, quanto mais saudável esteja a economia do país.

Concordamos que  a necessidade de recursos para a Adaptação seja alta  vinte anos adiante. Os distúrbios na forma de enchentes, deslisamentos de encostas, secas, ventos cada vez com rajadas mais fortes, e outras condições de de extremos climáticos, devem estar mais intensos e extensos vinte anos adiante, com mais sérios impactos sobre a produção agropecuária, sobre a segurança alimentar, sobre a capacidade de exportar e então, de importar, etc.  Pois, nesse tempo, a economia de um país vai necessitar de vultosos recursos dedicados à Adaptação. Deve estar saudável para "aguentar o tranco".


É aí que entra a questão do curto prazo versus longo prazo na condução da economia. Se a economia vai hoje mal numa ótica de curto prazo, a permanência numa situação de perda de vitalidade econômica, e pior ainda, numa situação de previsível deterioração da economia, gera um longo prazo onde a saudabilidade da economia vai estar comprometida. Então, sua capacidade de Adaptação estará comprometida. Não há como evitar que em adição aos tormentos econômicos da sucessão de curtos prazos sem remédios, a economia esteja exposta à incapacidade de se livrar, ou ao menos de reduzir os impactos negativos adicionais causados pelos flagelos do Aquecimento Global.

É uma situação em que racionalmente se coloca como melhor para todos que remédios, mesmo amargos, sejam aplicados agora, conduzindo a dores controladas distribuídas, parte ao longo de uma década, para que daqui a duas décadas se tenha evitada a tragédia da soma das dores de uma economia em frangalos e, ainda por cima, exposta ser recursos para se amparar, aos prejuízos dos extremos climáticos.

Isto se aplica bem a países com larga faixa de seu território na região equatorial, onde os prejuízos causados pelo Aquecimento Global serão substancialmente maiores do que os benefícios e, que simultaneamente estejam numa situação de ter a geração de divisas, fortemente dependente do setor agropecuário, altamente vulnerável aos fatores climáticos. Pior ainda se o país sofre presentemente corrosão de sua competitividade sem que o Aquecimento tenha contribuído para tal. Quando começar a contribuir, como poderá superar estes obstáculos ou seja, no dizer popular, "dar a volta por cima"?

Por certo só masoquistas prefeririam remédios amargos por serem amargos. Mas como qualificar preferir amargor ao quadrado no longo prazo em troca em troca "de equil[ibrio na corda bamba" no presente? Não será melhor, nestes casos, remédios amargos agora, no curto prazo, do que vidas amargas no longo prazo?

Mas remédio amargo hoje para evitar um muito mais amargo no longo prazo pode ser visto como uma questão de justiça intertemporal. Mas há um outro teste a que medidas de Adaptação devem satisfazer, qual seja a da justiça intratemporal. O amargor do remédio não deve incidir com mais intensidade nos já mais castigados pela dureza da vida. E deve incidir sobre todos. As reformas previdenciárias, por exemplo, que preparam para novos tempos de maior longevidade, devem atingir TODAS as categorias para que o clima de aceitação das medidas amargas seja o maior possível.

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